Quem, como eu, viaja com uma certa frequência, já deve ter percebido que algo mudou em relação às hospedagens. O novo normal tem sido nos depararmos com horários cada vez mais restritos, com check-in mais tarde e check-out mais cedo, tudo muito diferente do que conhecíamos.
A logística justifica?
Como lidar com a nova realidade
Uma possível solução
Mais comodidade? Tem que pagar
Em uma estadia de um dia, por exemplo, se antes costumávamos permanecer quase 24 horas no local agendado, agora temos direito de ficar bem menos tempo.
A nova realidade tem nos mostrado que o check-in tem sido permitido apenas a partir das 14h (ou até mais tarde, como 15h ou 16h, no caso de Airbnb e de alguns hotéis). O check-out, por sua vez, acontece até às 10h ou 11h, dependendo do estabelecimento.
Obviamente, essa norma é prejudicial a nós, hóspedes e consumidores, já que pagamos por uma diária que, como o próprio nome diz, significa um dia inteiro, mas usufruímos de apenas uma parte.
A logística justifica?
Já há algum tempo tenho ficado intrigada com essa alteração e fui pesquisar sobre o assunto.
A mudança foi acontecendo gradualmente nos últimos anos, e se acentuou especialmente após a pandemia. Hotéis e serviços de hospedagens como Airbnb alegam alguns motivos. Entre eles, estão:
- Limpeza mais minuciosa entre um hóspede e outro, que demora mais e, por isso, exige mais tempo;
- Como resquício da pandemia, as equipes de limpeza estão menores, com poucos funcionários para limpar e organizar os quartos e apartamentos.
Seguindo este raciocínio, é preciso que o hóspede desocupe o quarto do hotel ou o apartamento de aluguel mais cedo para que dê tempo de ser limpo adequadamente pelos poucos funcionários. E, consequentemente, a entrada do próximo hóspede é postergada.
Os motivos podem até ser compreensíveis, o problema é que os hóspedes não tiveram nenhum abatimento financeiro com esta mudança. Pelo contrário, os valores das hospedagens estão cada vez mais altos, sem qualquer previsão de queda.
Cabe aqui até um paralelo com as passagens aéreas, cujos valores aumentaram muito nos últimos anos sem qualquer benefício para os viajantes. Longe disso.
Agora temos que pagar por mala de mão, se der fome, pelas bebidas e alimentação (em voos internos pela Europa) e até pelos assentos. Essa situação acontece não só nas companhias low cost, mas nas grandes empresas também.
Isso significa que novamente nós, turistas, estamos sendo prejudicados, e é bom lembrar que esse é um mercado de crescimento contínuo e que já atingiu os níveis pré-pandemia.
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Chegar muito cedo em uma hospedagem com check-in a partir das 14h requer alguns ajustes no planejamento. Hotéis muitas vezes aceitam guardar as malas, então dá para passear sem preocupação e voltar mais tarde para ocupar o quarto.
Por outro lado, impossibilita descansar ou tomar um banho relaxante após o deslocamento ou mesmo trocar de roupa para passear.
Já em apartamentos não é tão simples. Ou você vai ficar andando com os pertences até dar o horário do check-in e fazer um pit-stop em algum café, ou tem que procurar um depósito de bagagem. E, dependendo da cidade, se for muito pequena, pode ser difícil de encontrar.
No check-out a situação é a mesma. Se o horário do voo ou do trem for muito depois da hora de saída determinada pela hospedagem, pode haver problema com as malas. Há hotéis que as guardam gratuitamente, outros podem cobrar (já paguei por isso).

E, no caso de Airbnb, muitos anfitriões não aceitam ficar com a bagagem. E aí há uma questão a se resolver. É preciso procurar onde deixar as malas até a hora do embarque, fazendo com que, muitas vezes, perca um tempo nesse processo.
Posso dizer que até agora tive sorte, pois em todos os apartamentos em que fiquei, foi possível deixar minha bagagem depois do check-out. Então, saí para passear e voltei mais tarde para buscá-la.
Uma possível solução
O que tenho feito no momento de programar a viagem é tentar ajustar os horários de chegada e partida para coincidirem ou, ao menos, se aproximarem ao do check-in e check-out, principalmente se for ficar em apartamento.
Desta forma, tento chegar no destino no início da tarde e ir embora logo de manhã, evitando assim possíveis transtornos por causa da bagagem.
Mas confesso que, quando me hospedo em hotel, não tenho tanta preocupação, já que a recepção normalmente funciona 24 horas. E aí é só pedir para guardar meus pertences, tanto na chegada, como na saída.
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Para quem quiser ter uma mais comodidade, resta ainda outra opção. Muitas vezes é possível solicitar early check-in ou late check-out, ou seja, fazer o check-in mais cedo do que o estabelecido e o check-out mais tarde. Claro que para isso há cobrança de uma taxa adicional.
De qualquer forma, dependendo do caso, pode valer a pena. Principalmente para quem viaja com crianças ou idosos, conforto é sempre um ponto a se pensar.
Poder entrar mais cedo ou sair mais tarde do hotel é uma alternativa que traz mais conveniência e praticidade à viagem e evita a preocupação com horários e o que fazer com as malas, tanto no check-in como no check-out.
Até agora não precisei pagar por essa comodidade, mas é sempre uma possibilidade a mais.
Se você vai viajar e já está apreensivo com suas coisas, uma dica é: para não ter surpresas no destino, o melhor é se precaver e perguntar já de antemão à hospedagem reservada sobre a possibilidade de deixar a bagagem.
Assim, se a chegada for logo pela manhã ou a partida no período da tarde ou à noite, você já saberá como proceder. Costumo fazer isso e, assim, já me programo com antecedência.
Essa nova realidade é mais uma mudança que nós, turistas, temos enfrentado e que tem influência na experiência de viagem de cada um. Porém, sabendo fazer as adaptações necessárias, é possível aproveitar o roteiro sem preocupações.