O fenômeno da sétima arte, popularizado através das plataformas de streaming, chegou para revolucionar também o mundo do turismo. Intitulado Turismo Cinematográfico, a tipologia vai muito além de simplesmente visitar um local utilizado como locação de uma produção. Trata-se da forma como filmes e séries inspiram expectadores a fazer suas malas e partir rumo a um destino para explorá-lo na vida real.
Promoção turística das produções audiovisuais
Game of Thrones colocou a Croácia no mapa
Era uma vez e os livros que inspiraram as produções
A pandemia e play no turismo cinematográfico
Os destinos e a proximidade com os personagens
3 roteiros cinematográficos "clássicos"
Seja a bordo do Hogwarts Express desbravando o imponente Viaduto de Glenfinnan — ícone escocês cenário da saga Harry Potter, ou numa espreguiçadeira do luxuoso Four Seasons — em Taormina, na Sicília, do fictício White Lotus da famosa série da HBO. Quem nunca se imaginou desfrutando de um destino evidenciado através das telas, e que de alguma maneira acabam nos despertando esse desejo por viajar?
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Quero meu roteiro personalizado →Promoção turística das produções audiovisuais
As produções audiovisuais são uma ferramenta utilizada cada vez mais pelos destinos turísticos a fim de dar visibilidade e colher os frutos dessa promoção. E, percebendo o aumento dessa demanda, empresas do setor passaram a comercializar pacotes turísticos oferecendo a experiência de algum filme ou série, como tours guiados às icônicas produções.
A exemplo do site GetYourGuide que possui em seu catálogo atividades destinadas aos mais diversos públicos, a fim de proporcionar momentos inesquecíveis e imersos nessa áurea lúdica. Em Liverpool, por exemplo, eles oferecem uma incursão à cidade de Peaky Blinders através dos locais por onde se desenrolaram a trama de gangsters da Família Shelby.
Já em Paris, a proposta é seguir os passos do famoso Arsène Lupin num misterioso jogo de pistas e segredos no icônico Palais Garnier.
Nos Highlands Escocêses é possível fazer parte da Aventura Outlander que inclui a visita ao Castelo Leoch, às cidades de Falklands e Cultos e até mesmo em locais emblemáticos da série como a hospedaria da Sra. Baird e a Fonte Bruce.
Em Dubrovnik, na Croácia é possível fazer um walking tour pela fictícia Porto Real, sua Fortaleza Vermelha, muralhas e até caminhar pela “Walk of shame” retratada na famosa cena da Cersei Lannister.
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Agendar minha conversa →Game of Thrones colocou a Croácia no mapa
Falando na aclamada série Game of Thrones, ela é um dos cases de maior sucesso quando se mensura o boom turístico desencadeado nas mais diversas cidadelas ao redor do mundo, que serviram de plano de fundo para seus conflitos, paixões e dragões. Mesmo depois de passadas oito temporadas, ainda gera muito burburinho e é fortemente associada à cidades da Espanha, Irlanda, Islândia e Croácia.
Dubrovnik é um dos maiores cases de sucesso na atração de turistas a partir de séries. Foto: Manuela VitalNesse sentido, a Espanha sempre teve um papel fundamental na indústria do cinema internacional, seja por seu clima agradável ou pela grande variedade de cenários naturais.
De olho no potencial de suas produções, a Turespanã em parceria com a plataforma Netflix desenvolveu o Spain Travel Guide, buscando promover suas riquezas culturais, ambientais e patrimoniais. Trata-se de um guia em formato de mapa, que permite ao expectador uma imersão às tradições do país, através de regiões retratadas em produções como: As Telefonistas, The Witcher, O Gâmbito da Rainha, La Casa de Papel e Bridgerton.
Era uma vez e os livros que inspiraram as produções
Acredita-se que viajar através das páginas dos livros, imaginando os cenários, lugares e personagens, antecedeu o turismo cinematográfico. Sucessos literários como As Brumas de Avalon, Rei Arthur e Drácula, acabaram sendo adaptados para as telas de cinema, com narrativas que passaram a oferecer uma experiência visual única, resultando no enredo para muitas séries de sucesso.
Porém, as motivações literárias e cinematográficas são um tanto quanto difíceis de se dissociar. Se tivermos como exemplo os filmes de Harry Potter, em que dificilmente se saberá o que exatamente motivou seus fãs a conhecerem o Reino Unido. Assim como a série de livros Outlander, em que, além da obra escrita, a versão televisiva alcançou recordes de audiência, o que despertou grande interesse pela Escócia.
A pandemia e play no turismo cinematográfico
Embora o turismo cinematográfico seja um fenômeno recente, ele gera um grande impacto na sociedade atual, na qual os filmes e séries televisivas podem percorrer o mundo inteiro em questão de minutos. Vale ressaltar as necessidades geradas com o advento da pandemia, quando o distanciamento social e a procura por outras formas de lazer indoor levaram as pessoas a buscar alternativas, nas quais, em muitas das vezes, a tecnologia solucionou alguns dos impasses do momento.
De acordo com o relatório da MPA (Motion Pictures Association) sobre o cenário global do consumo de entretenimento durante a pandemia, houve um aumento de 26% na assinatura de plataformas de streaming, correspondendo a quase 300 milhões de novas contas. Nesse período, o desejo por voltar a viajar só aumentou, considerando que as pessoas estavam em suas casas, confinadas, assistindo a produções ambientadas em locais paradisíacos — o que tornou o turismo cinematográfico popular.
Os destinos e a proximidade com os personagens
Há evidências suficientes para mostrar que o envolvimento emocional com um personagem ou ator pode aumentar a probabilidade de visitar um determinado destino. De fato, o apego a uma celebridade — e por celebridade — entende-se “publicamente conhecidos em campos específicos, como entretenimento, esportes e política”; também pode transferir uma estima semelhante a um destino, associando um feito ou admiração, a imagens positivas de um determinado local e uma consequente intenção de visitá-lo.
Um exemplo bem claro desse elo entre os fãs e um destino é a série The Crown, produção que acompanha o reinado de Elizabeth II e os conflitos da família real britânica, que constantemente voltam a estar nos holofotes, proporcional à maneira que o público se interessa pela série.
Na Escócia e outras partes do Reino Unido é possível se deparar com cenários de The Crown. Foto: Manuela VitalMais que revelar (ou especular) os bastidores da família real, a produção da Netflix promove uma verdadeira viagem a palácios, castelos e salões da realeza. Porém, nem todos os endereços correspondem à realidade. Desse modo, uma variedade de locações históricas, como palácios, casas de campo e outras propriedades nos arredores de Londres e Escócia, foram selecionadas para recriar os endereços oficiais.
Lancaster House e Greenwich Naval College, por exemplo, representaram o famoso Buckingham Palace. Já Brocket Hall recriou o Kensington Palace — residência da princesa Diana e o então príncipe Charles. Destacam-se ainda outras propriedades como: Burghley House, Belvoir Castle, Winchester Cathedral e Somerleyton Hall, em Norfolk — que representou Sandringham, a residência de fim de ano da família real.
Diversas outras séries se destacaram por mostrar os conflitos internos de famílias reais, ambientadas em locações majestosas e deslumbrantes contribuindo para o desenrolar das tramas, como exemplo de A Imperatriz — que ilustra a história da imperatriz Elisabeth da Áustria, uma figura marcante do século XIX. Como plano de fundo da produção, destacam-se locações e palácios históricos da Áustria, República Tcheca e Itália, como o Weissenstein Palace, Friesenhausen Palace, Schönbrunn Palace e Possenhofen Castle.
As séries que envolvem nomes famosos das famílias reais europeias tem palácios como locação, como Tsarskoye Selo. Foto: Manuela VitalBem como o documentário Os Últimos Czares, que retrata a história da última família real da Rússia Imperial, desde a ascensão de Nicolau II ao trono até o fim trágico de sua família. A narrativa dramática foi ambientada em países como Lituânia, Letônia e Rússia.
Ainda nesse contexto, a série Versailles que conta com um enredo voltado para corte de Luís XIV durante o período da construção do Palácio de Versailles. Além do próprio palácio, outras imponentes construções serviram de locação, incluindo: Château de Maisons-Laffitte, os jardins do Château de Champs-sur-Marne, Château de Vigny, Château de Pierrefons e Vaux-le-Vicomte, todos na França.
3 roteiros cinematográficos “clássicos”
Muitos destinos passaram a receber uma atenção voltada para o turismo, depois de se destacarem nas grandes telas e baterem recordes de bilheteria.
Muito além de um enredo bem construído e o protagonismo de atores renomados, esses clássicos — do cinema e do streaming — foram aclamados também pelas locações fabulosas e inebriantes, colocando Roma e Paris no itinerário dos principais roteiros cinematográficos. Podendo destacar:
A Princesa e o Plebeu (1953)
Antes mesmo da nomenclatura se tornar popular, um dos clássicos do cinema, A Princesa e o Plebeu, de 1953, passou a atrair muitos visitantes em busca da Dolce Vita retratada na Cidade Eterna das telas.
Passados 70 anos, o Hotel de la Ville, oferece a seus hóspedes um passeio pelos locais icônicos de Roma apresentados no filme, a bordo de uma verdadeira scooter italiana.
Do Panteão à Fontana di Trevi, da Bocca dela Veritá ao Monumento Nazionale, chegando na Vittorio Emanuele II, passando pelo Coliseu e tantos outros monumentos que encantaram os personagens de Hepburn e Peck.
Meia Noite em Paris (2011)
No filme Meia Noite em Paris, Woody Allen captou muito bem a atmosfera de “Paris é uma Festa”, levando seus espectadores a embarcar numa viagem pelas diferentes épocas áureas da cidade. E desde então não faltaram opções de tours guiados, para seguir os passos do personagem de Owen Wilson e, assim como ele, apaixonar-se ainda mais pelo destino.
Meia noite em Paris é um prato cheio para quem quer explorar a cidade, como os Jardins de Monet. Foto: Manuela VitalNesse roteiro, não pode faltar uma visita aos Jardins de Monet — em Giverny, ver de perto a emblemática escultura O Pensador — no Museu Rodin, apreciar os famosos murais das Ninféias de Monet no Musée de L’Orangerie. Além de barganhar antiguidades no famoso Mercado de Pulgas de Saint-Ouen e terminar a noite no Maxim’s de Paris, onde, outrora, era ponto de encontro dos pintores Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin e Degas.
Emily in Paris (2020)
Recentemente, outra produção tem direcionado seus holofotes para a Cidade Luz: Emily in Paris. Em meio a estereótipos, tendências de moda, romances e ângulos instagramáveis de Paris, desde que estreou, a série tem agradado muito os expectadores, fazendo com que todos queiram seguir os passos de Emily pela cidade.
Os pontos altos desse itinerário são: Quartier Latin — visitar o apartamento da Emily na Place de L’Estrapade e o restaurante Terra Nera do chef Gabriel; Palais Royal e Palais Garnier, Les Jules Verne — restaurante da Torre Eiffel, Café de Flore, Jardin des Tuileries, Museu d’Orsay, Basilique du Sacré-Couer, Le Mur des Je t’Aime, La Maison Rose e Place du Trocadéro.
Le Mur des Je T’Aime em Paris é um dos cenários de Emily que atrai muitos turistas. Foto: Manuela VitalMas nem só de likes vive a produção queridinha da Netflix. Em sua última temporada, Emily vai até Roma motivada por uma nova paixão, o que deixou os fãs da série encantados. Com o sucesso da hashtag #emilyinrome, seus realizadores deixaram no ar a hipótese da protagonista se mudar para Roma na 5ª temporada, o que acabou criando um mal-estar diplomático.
A mudança parece não ter agradado o presidente francês Emmanuel Macron.
Lutaremos muito e pediremos que permaneçam em Paris. Emily é em Paris, em Roma não faz sentido.
Chegou a afirmar o presidente numa recente entrevista à revista Variety. Sem dúvidas, isso só mostra o poder de atratividade que uma produção assim tem para um país. Ulalá!
E aí, você também já suspirou quando viu um cenário cinematográfico e desejou se teletransportar para lá? Quer que eu desvende as locações daquele seu filme preferido que você quer visitar na próxima viagem? Mande aqui a sua sugestão, quem sabe ela fará parte da minha próxima coluna.
Au revoir!