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Denise Döbbeck Autor(a)

Viajar pela Europa está mais caro e a culpa não é (só) do euro

Conteúdo criado por humano
6 min de leitura
Autor 77043 Denise Döbbeck

Passagem aérea entre cidades europeias por 15€, 20€ cada trecho (ou até menos, dependendo do percurso), diária de um hotel 3 estrelas por menos de 100€ (dependendo da cidade, claro). Sim, isso existiu, mas agora, infelizmente, faz parte do passado. Hoje, o que vemos, é que viajar pela Europa está mais caro no pós-pandemia.

Viajar de avião pela Europa

Foi-se o tempo em que era possível viajar pela Europa gastando pouco, como acontecia até 2019. E a culpa é da pandemia, um verdadeiro divisor de águas para o turismo. Aliás, não só para o turismo, mas para a vida de todo mundo.

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O começo: a pandemia

Em 2020, com a pandemia, o mundo parou, assim como o turismo. Nos momentos de abertura, quando a situação melhorava, alguns voos voltaram gradativamente e os preços estavam no céu, literalmente. Poucos voos, preços altos.

Quando a situação mundial começou a normalizar, em meados de 2022, os voos foram retornando aos poucos e as pessoas, após tanto tempo de reclusão, estavam desesperadas para viajar. Começou aí o boom do turismo na Europa, que enfrentou um verão com aeroportos lotados, poucos funcionários e milhares de malas perdidas.

Obviamente, os valores das passagens já estavam mais altos do que em 2019 e, como justificativa, as empresas diziam que precisavam recuperar o prejuízo após o tempo parado. 

A invasão da Rússia na Ucrânia complicou ainda mais o mercado do turismo, já que a Rússia é a maior fornecedora de gás e combustível para a Europa. Como consequência, houve o aumento do custo do querosene, o principal combustível da aviação, o que resultou em exorbitantes preços de passagens aéreas. 

No caso da Alemanha, onde vivo, ainda teve outro fator: em uma ação contra a mudança climática, o governo aumentou impostos para a aviação e taxas aeroportuárias. Com isso, as grandes empresas repassaram o valor para o consumidor e as companhias low cost simplesmente deixaram o país ou reduziram drasticamente suas rotas por aqui.

Novamente, entra a lei da oferta e procura, menos voos disponíveis e muitos turistas dispostos a viajar, e o resultado nós podemos sentir no bolso. 

Ano a ano, os valores das passagens entre cidades europeias estão cada vez mais altos e não é exagero dizer que eu tenho pago quase o dobro do que em anos anteriores. A partir de onde moro, tornou-se comum uma passagem aérea para cidades de outros países da Europa custar a partir de 200€ por pessoa.

E, pelo jeito, não há sinal de que algo vá melhorar. Além disso, as empresas low cost também estão cada vez mais exigentes e têm ficado atentas ao tamanho e peso das malas de mão. Qualquer centímetro ou peso que exceder, é preciso desembolsar mais euros. 

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Hospedagens mais caras

Outro custo envolvido em uma viagem é a hospedagem, que também teve aumento de preços. Costumo ficar em hotéis intermediários, normalmente de três estrelas, e sempre reservo com café da manhã incluído.

E em cada nova viagem, o que tenho percebido é que os hotéis também estão bem caros, mesmo reservando com antecedência. E o mesmo acontece com apartamentos de Airbnb.

Os motivos? Um deles é o aumento da demanda, já que o turismo voltou com força total no pós-pandemia. Tem ainda o aumento do preço da energia (explicada pela guerra na Ucrânia) e a inflação, que era mínima na Europa, mas com a pandemia, aumentou bastante. 

O custo do café da manhã também está mais alto e isso reflete tanto na diária como no café pago à parte no hotel. Somado a isso, ainda tem a nova realidade de hospedagens com check-in cada vez mais tarde, check-out cada vez mais cedo.

Restaurantes inflacionados

Comida acessível na Europa? Não mais! Com a inflação e o aumento de preços dos insumos, ficou muito mais caro comer em restaurantes e cafés no pós-pandemia. Isso é perceptível em viagens que faço por cidades europeias e aqui mesmo, na Alemanha, onde moro, quando vou almoçar ou jantar em algum restaurante. 

Turistas frequentam restaurantes à noite
Um dos prazeres durante a viagem, a gastronomia local agora requer orçamento extra. Foto: Denise Döbbeck

Para tentar economizar, algumas pessoas optam pelos supermercados em vez de frequentarem restaurantes. Sim, tem alguma economia, no entanto, os produtos também sofreram aumentos substanciais. 

Como se adaptar ao novo normal? 

As pessoas que quiserem continuar viajando precisam ter em mente que os tempos mudaram. Tem quem queira economizar o máximo possível, mas outros preferem continuar a viajar como antes, mesmo que tenha que desembolsar um tanto a mais.

Quer economizar? Você pode fazer um mochilão pela Europa ou viajar de uma forma mais simples. Para começar, vale comprar passagem aérea em companhias low cost e, de preferência, levar o mínimo possível, embarcando apenas com uma mochila para não pagar tarifa extra.

Outra possibilidade é trocar o meio de transporte na viagem pela Europa, substituindo o avião por trem ou ônibus, dependendo das distâncias a serem percorridas.

Trem em estação na Europa
Viagem de trem é uma alternativa econômica ao avião e muito mais confortável. Foto: Denise Döbbeck

Mas é preciso estar atento em relação à antecedência: quanto mais perto da viagem, mais caras ficam as passagens de trem e aí acaba não valendo mais a pena.

Hotel está muito caro? Hospedar-se em hostel ou em hotéis mais simples ou fora da área central pode salvar uns bons euros. Também ajuda fazer compras em supermercado e cozinhar as próprias refeições, evitando os restaurantes quando possível. Ou ainda optar por fast food e as comidas de rua típicas das cidades visitadas.

Quer manter o padrão de viagem?

É preciso alinhar as expectativas e realidade em viagem. Para quem, como eu, quer manter mais ou menos o mesmo estilo de viagem de antes, há apenas alguns atalhos, mas não tem muito por onde fugir. Embora seja viável passear sem ir à falência, não há como negar que os gastos estão mais altos.

Sempre que possível, reservo passagem e hospedagem com certa antecedência e também tento escapar do período de férias escolares (ideal para quem não tem filhos ou os que não viajam com crianças).

Sobre alimentação, uma tática que uso — e não é de agora — é fazer apenas uma grande refeição em restaurante por dia, o jantar, e no almoço comer algo rápido, como uma salada ou um lanche típico.

Na verdade, é um jeito de economizar tempo (nosso bem mais precioso), já que em cada parada em restaurante gasta-se pelo menos duas horas. No entanto, serve ainda para economizar no bolso. 

Também é interessante selecionar um destino um pouco mais acessível financeiramente dependendo da época do ano. Claro que nem sempre isso vai ser possível. Paris, Londres ou Zurique, por exemplo, são cidades caras em qualquer período.

Em contrapartida, destinos menos turísticos, como cidades menores, podem ter um custo mais baixo. Também vale escapar dos destinos da moda, em que todos vão no mesmo período e, claro, pagam caro por isso. Com a troca, além de controlar melhor os gastos, consegue-se fugir do overtourism!

Se para quem mora na Europa, trabalha e ganha em euro, os valores estão visivelmente mais altos, posso imaginar o susto para os turistas vindos do Brasil.

De qualquer forma, nós, viajantes de carteirinha, sempre driblamos as adversidades e conseguimos fazer adaptações para economizar na Europa sem deixarmos de conhecer novos lugares. Sim, é um desafio mas, no final, dá certo!

Agora me conta, o que você tem feito para viajar pela Europa apesar dos valores assustadores?

Autores

Denise Döbbeck
Jornalista, com pós-graduação em marketing e apaixonada por viagens e fotografia, Denise está sempre à procura do próximo destino. Em 2017, trocou São Paulo por Hamburgo, na Alemanha, e enfrentou os desafios da vida de imigrante. Por meio do Instagram compartilha suas descobertas, andanças, fotos e as curiosidades do dia a dia no exterior.

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