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Autor 13722

Cyntia Braga Autor(a)

O vinho italiano: guia pelas 20 regiões vinícolas

Conteúdo criado por humano
18 min de leitura
Autor 13722 Cyntia Braga

A Itália é um verdadeiro paraíso para os amantes de vinho; um microcosmo único de arte e história, além de belíssimas paisagens. Este país, que já foi o coração e o epicentro do Império Romano, além do berço do Renascimento, é também uma potência global na arte da viticultura. Se você pretende explorar esse universo, preparei um guia sobre o vinho italiano.

taças de vinho com vinho tinto e garrafa em me mesa de terraço com cúpula oa fundo

Neste guia, vamos viajar pelas 20 regiões vinícolas italianas onde exploraremos as principais uvas, além de dar dicas do que fazer enquanto você se encanta com os sabores e as paisagens italianas.

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A Itália dos grandes vinhos

Enquadrada pelos Alpes e pelo mar, delineada pelos Apeninos e por colinas suaves que deslizam para planícies férteis, la vigna ou vinhedo italiano é uma das realidades mais interessantes da viticultura mundial, graças à quantidade de vinho que produz, mas principalmente, pela qualidade, variedade e originalidade dos seus vinhos.

A incrível diversidade de solo e clima, a cuidadosa seleção das uvas, a redução do número de hectares produzidos nos últimos anos e o extremo cuidado, tanto no vinhedo como na cantina (área de produção), permitiram nas últimas décadas elevar o nível médio da qualidade do vinho italiano e alargar ainda mais o campo da excelência.

A difusão das castas internacionais e a utilização de barricas de carvalho contribuíram para tornar alguns vinhos mais agradáveis e fáceis de serem apreciados mundo afora, muitas vezes com excelentes resultados.

Nos últimos anos, no entanto, assistimos a uma inversão desta tendência, com alguns produtores decidindo ‘aliviar a mão’ na passagem em madeira, reavaliando assim a personalidade dos seus vinhos.

Mais produtores estão se dando conta que o mercado está procurando retomar as suas origens, dar um passo atrás e oferecer aos consumidores o que é seu por direito, o que vem da sua terra, o natural, o nativo, o autóctone. E essa mentalidade tem influenciado as novas gerações de viticultores, na minha opinião, lindamente.

Agora, vamos começar a nossa aventura pelo vinho italiano: o nosso guia pelas 20 regiões vinícolas da bota — que são todas as regiões do país, na verdade!  

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1. Toscana

Quando penso no mapa do vinho na Itália visualizo mentalmente a bota de norte a sul, de cima para baixo, sempre começando da esquerda para a direita. Mas eu vivo na Toscana, então faz todo sentido para mim, começar pela região e me aprofundar um pouquinho mais nela.

O horizonte toscano é excepcional e de tirar o fôlego, em toda a sua extensão. Ressalto aqui, com o coração aquecido, alguns ícones da Toscana: a cúpula de Brunelleschi, em Firenze; a Torre del Mangia e a Piazza del Campo em Siena; as torres-casa em San Gimignano; as onduladas curvas do Chianti, recheadas de vinhedos colinares; os ciprestes de Bolgheri; a torre inclinada em Pisa; as colinas verdes e o mármore branco em Carrara e os pinheiros-marítimos da costa de Grosseto.

Todos esses ícones, imersos em uma atmosfera que une arte, história e gastronomia ao mundo dos vinhos, contrastam com a ironia irreverente do povo toscano. Já em 500 a.C., foram os Etruscos que propagaram a viticultura na Toscana, aumentada pelo desenvolvimento rural e a expansão por suas colônias, na época romana.

As uvas da toscana

O vinho toscano é sem sombra de dúvida um objeto de desejo para os amantes da bebida. Nesse território se produz alguns dos mais cobiçados — e caros — vinhos do mundo, que já foram premiados como melhores vinhos pelos maiores especialistas mundiais.

A uva autóctone, ou nativa, da Toscana — mas não só dela, de diversas outras regiões da Itália — é a Sangiovese. É com ela que se produz os famosos vinhos da DO (Denominação de Origem) Chianti, que aliás foi a primeira DO instituída no mundo, promulgada pelo Granduca da Toscana Cosimo III di Medici, em 1716 para os vinhedos de 4 sub-áreas: Chianti, Pomino, Carmignano e Valdarno di Sopra.

Essa uva está em 85% do território toscano e, além do Chianti, é também a uva utilizada para a fabricação dos famosos Brunello di Montalcino, da região do Val d’Orcia.

Além da Sangiovese, as principais uvas nativas são:

  • Tintas: Colorino, Canaiolo, Mammolo, Foglia Tonda, Ciliegiolo e Aleático;
  • Brancas: Trebbiano Toscano, Malvasia del Chianti, Vernaccia di San Gimignano e Vermentino.

Obviamente, além das nativas, também se plantam as uvas internacionais, que na sua melhor expressão, dentro do território italiano, produzem os famosos Super Toscanos da região de Bolgheri, que são a Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir e Syrah.

Os vinhos toscanos

Como eu comentei, alguns dos vinhos toscanos são objeto de desejo para amantes de bons vinhos, alguns deles podendo custar até mais €1.200, fácil!

Mas costumo dizer que, mais do que rótulos famosos, você precisa descobrir primeiramente, qual uva ou blend de uvas você mais gosta. Só então, depois ir em busca de um bom produtor para satisfazer os seus desejos e as suas pesquisas — e não falir, durante a sua incursão no mundo dos vinhos.

 Entre os mais icônicos estilos de vinhos toscanos destacam-se:

  • Chianti e Chianti Classico;
  • Brunello di Montalcino;
  • Vino Nobile di Montepulciano;
  • Vernaccia di San Gimignano;
  • Super Toscanos;
  • Vin Santo.

 

A Toscana e o berço da Renascença

Explorar as rotas do vinho na Toscana é navegar pelo berço de alguns dos melhores vinhos do mundo.

Nesse belo território italiano, artistas, filósofos, pintores, escultores e outros tantos gênios, além de famílias importantes, ficaram conhecidos mundialmente e deixaram seus legados. Dante Alighieri, Michelangelo Buonarroti, Leonardo da Vinci, Raffaello, Sandro Botticelli, Donatello, a família Medici entre dezenas de outros grandes nomes.

Na zona do Chianti não deixe de fazer um belo passeio pela Strada Chiantigiana, passando pelos vilarejos de Greve, Panzano, Radda, Castellina e Gaiole.

Também é parada obrigatória a belíssima vila medieval de San Gimignano e lá degustar o vinho branco, nativo da região, a Vernaccia di San Gimignano.

E não deixe de incluir ainda no seu roteiro pela Toscana, a belíssima Siena, algumas vinícolas da região e, claro, a intrigante Pisa, com sua torre inclinada. Poucos sabem, mas, na Província de Pisa existem centenas de belas vinícolas para visitar; você fará maravilhosas descobertas por lá — eu mesma vivo em uma delas, e aprendi a fazer vinhos na I Moricci!

vinhado na Toscana com construção histórica ao fundo
Um dos vinhedos mais famosos da Toscana, do Castello di Brolio. Foto: Cyntia Braga

Na zona do Val d’Orcia, uma das paisagens mais fotografadas do mundo, está Montalcino e Montepulciano, duas mecas do vinho toscano, com seus Brunello e seus Nobile, ambos feitos com a uva nativa, a Sangiovese. E não esqueça de Pienza, outra joia de vilarejo medieval que deve estar no seu roteiro.

A Toscana na minha opinião, é a região vitivinícola na qual você deveria se debruçar mais tempo de toda a Itália. Ela é complexa, densa, com seus vinhos icônicos, seus rótulos famosos, mas, sobretudo, centenas de vinícolas pouco conhecidas que produzem vinhos ainda melhores do que os que produzem as marcas famosas, conhecidas e mundialmente exportadas.

Bem, deu para ver que a Toscana é a minha paixão, né? Mas agora vamos em frente, explorar as regiões vinícolas de norte ao sul da Itália.

2. Valle d’Aosta

Entre os picos imponentes dos Alpes, a menor região da Itália cultiva vinhedos em altitudes extremas. Uma zona com clima e geografia particulares, o Vale d’Aosta representa um patrimônio de solo único e milenar, elemento essencial para uma produção limitada, mas inconfundível de vinhos.

Fazendo fronteira com França e Suíça, hoje os jovens herdeiros de vinícolas centenárias recuperam vinhas tradicionais, replantam uvas autóctones e ajudam a girar a roda do turismo de inverno, suportados por incentivos institucionais.

As uvas do Valle d’Aosta

  • Tintas: Petit Rouge, Fumin, Cornalin, Mayolet, Vuillermin;
  • Brancas: Priè Blanc, Petite Arvine, Premetta.

3. Piemonte

Uma bela paisagem também dominada pelos Alpes, com longas e suaves colinas recheadas de vinhedos coloridos em tons de vermelho e amarelo, que entregam ao mundo a maravilhosa uva nativa, a Nebbiolo.

Assim é o Piemonte. Uma terra austera, onde a viticultura já era praticada desde o século VI a.C. pelos povos celtas e ligures, depois, sob o domínio romano, as vinhas espalharam-se ao longo das estradas mais importantes do império romano.

Patrimônios da Unesco, as colinas do Langhe e de Roero são os locais perfeitos para você literalmente se perder e passar agradabilíssimas horas tentando se encontrar, entre uma vinícola e outra e as muitas degustações de vinhos que você fará.

Existem diversas trilhas e até passeios guiados pela bela região do Barolo, pelas colinas do Barbaresco, de Nizza, Monferrato e Barbera, e Canelli. Não deixe de degustar o famoso Asti Espumante.

As uvas do Piemonte

  • Tintas: Nebbiolo, Barbera, Dolcetto, Brachetto;
  • Brancas: Cortese, Arneis, Moscato Bianco e Timorasso.

4. Lombardia

A Lombardia é uma região multifacetada. Se destaca em vários setores da indústria e no setor de serviços, em especial em Milão, a capital da moda e do design. Paisagens alpinas de tirar o fôlego, lagos com vistas deslumbrantes, colinas suaves e belas planícies acolhem uma viticultura que encontrou em algumas zonas seu esplendor de excelência.

E é aqui, dessa região italiana que saem os famosos Franciacorta. Os italianos não gostam dessa comparação e normalmente não a fazem, mas, é mais fácil dizer que o Franciacorta é o ‘champagne italiano’.

Especialmente no sentido que só pode se chamar Franciacorta os espumantes feitos através do método clássico na DO (Denominação de Origem) ou zona do Franciacorta, da mesma forma que os champagnes só podem se chamar assim se produzidos na região do Champagne, na França.

Na região dos lagos, você encontra natureza e história antiga, como no Lago di Garda, como a sua bela Sirmione e ainda Lazise, Desenzano e Bardolino.

As uvas da Lombardia

As uvas usadas para a produção dos Franciacorta são as internacionais Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Bianco. Mas existe uma grande variedade de uvas nativas, também no território da Lombardia, que são:

  • Tintas: Croatina, também conhecida como Bonarda, em outras regiões do mundo; Barbera, Uva Rara, Vespolina, Nebbiolo, Brugnola;
  • Brancas: Riesling Italico, Trebbiano di Soave, Riesling Renano, Moscato Bianco.

5. Trentino-Alto Ádige

Essa é mais uma das regiões italianas fronteiriças com outros países que, por muitas vezes, te deixam confuso, sem saber ao certo onde você está. Suíça e Áustria estão logo ali e não só seu idioma, mas sua cultura, costumes, gastronomia e modo de vida destes dois países se misturam nesse pedacinho da Itália.

De um lado, as famosas Dolomitas se apresentam majestosas, enquadradas com os lagos alpinos, vales verdejantes, enormes extensões de florestas de pinheiros e pomares de macieiras.

taças de vinho tinto de prova
A variedade de uvas italianas em degustações guiadas. Foto: Cyntia Braga

Do outro, densas florestas e pastagens embelezadas por castelos e pequenas igrejas nos remete a atmosfera que recorda o esplendor do Império Austro-Húngaro. Os coloridos mercados de Natal no fim do ano, com seu aroma de strudel e o fumegante vin brulè dominam a paisagem da região no inverno.

As uvas do Trentino-Alto Ádige

  • Trentino – uvas tintas: Teroldego, a Marzemino e a Enantio;
  • Trentino – uvas brancas: Chardonnay, Pinot Grigio, Pinot Meunier, Muller Thurgau, Pinot Bianco, Riesling;
  • Alto Adige – uvas tintas: Pinot Nero, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e auva nativa Schia;
  • Alto Adige – uvas brancas: Pinot Grigio, Gewurztraminer, Chardonnay, Pinot Bianco, Sauvignon Blanc, Muller Thurgau e Riesling.

6. Vêneto

Quando falamos sobre o Vêneto não tem como não pensar imediatamente no leve deslizar das gôndolas nos canais de Veneza e nas enigmáticas máscaras do carnaval veneziano; nos belíssimos vidros coloridos de Murano e nas rendas de Burano; em Verona e na sua arena romana; nas suaves colinas de Vicenza; na rota do Prosecco e claro, nas belas colinas recheadas de vinhedos no Valpolicella.

O Vêneto é o berço de duas tipologias de vinhos que o mundo ama: o Prosecco e o Amarone della Valpolicella.

Além de Veneza, a lindinha Verona e sua arena romana, as colinas do Valpolicella recheadas de belos vinhedos e vinícolas para a degustação dos fantásticos Amarone. Também é perfeito para um passeio à cavalo nas colinas do Prosecco.

As uvas do Vêneto

  • Tintas: Corvina, Rondinella, Molinara (que são a base do Amarone), Reboso e Refosco;
  • Brancas: Glera (que é a base do Prosecco), Garganega, Trebbiano di Soave,

7. Friuli-Venezia Giulia

Situada no extremo nordeste da Itália, Friuli-Venezia Giulia é uma região de paisagens deslumbantes e diversas, que vão desde as montanhas dos Alpes Julianos até o litoral banhado pelo Mar Adriático. É Itália, mas está grudadinha na Áustria, o que influencia sobremaneira na cultura, na gastronomia, arquitetura e, claro, nos vinhos. A região é amplamente reconhecida por seus vinhos brancos elegantes e complexos, mas também possui alguns tintos estonteantes e de um grande caráter.

Já Cividale del Friuli, cidade fundada por Júlio César, revela uma rica herança histórica e é um ótimo ponto de partida para explorar as vinícolas da região. Para os amantes da natureza, os vinhedos do Collio e as montanhas dos Alpes Julianos proporcionam cenários perfeitos para passeios e degustações inesquecíveis.

As uvas do Friuli-Venezia Giulia

  • Tintas: Refosco dal Peduncolo Rosso, Schioppettino, Tazzelenghe, Pignolo;
  • Brancas: Friulano (anteriormente conhecido como Tocai Friulano), Ribolla Gialla, Malvasia Istriana, Pinot Grigio 

8. Liguria

A Liguria é uma estreita faixa de terra, do lado esquerdo da bota, entre o Mar da Liguria e os Apeninos, conhecida por suas encantadoras vilas costeiras e uma paisagem montanhosa dramática.

mar e montanhas com vinhedos na Itália
Belo contraste entre os vinhedos da região e o mar

Famosa por Cinque Terre e pela Riviera Italiana, com a famosa Portofino, a região também produz vinhos de qualidade, com destaque para os brancos frescos e aromáticos que combinam perfeitamente com sua culinária à base de frutos do mar e ainda o tradicional molho pesto, criado ali.

Esse pedacinho da costa italiana é um destino perfeito para quem busca belezas naturais e experiências gastronômicas memoráveis.

As uvas da Liguria

  • Tintas: Rossese, Ormeasco (Dolcetto), Ciliegiolo;
  • Brancas: Vermentino, Pigato, Bosco, Albarola.

9. Emilia-Romagna

Localizada no norte da Itália, Emilia-Romagna é uma região vibrante, conhecida por sua gastronomia excepcional e vinhos icônicos.

É o berço do famoso Lambrusco, um pouco estereotipado (negativamente) no Brasil, por questões de exportações de rótulos de baixa qualidade, mas trata-se de um importante vinho para a região e toda a Itália, rendendo ainda mais qualidade e fama nos últimos anos.

Além disso, a região é a casa de algumas das cidades mais importantes da Itália, como Bolonha, Parma e Módena. E, proveniente delas, algumas das marcas da gastronomia mundial mais famosas do mundo, como parmegiano-reggiano, prosciuto di parma e aceto balsamico di Modena.

As colinas da Romagna são perfeitas para explorar vinícolas e degustar vinhos únicos.

As uvas da Emilia-Romagna

  • Tintas: Lambrusco (várias subvariedades, incluindo Grasparossa, Sorbara e Salamino), Sangiovese, Barbera, Bonarda;ci
  • Brancas: Pignoletto, Albana, Trebbiano Romagnolo, Malvasia di Candia.

10. Marche

Pouco conhecida por brasileiros, a não ser seus descendentes com cidadania daquela região, Marche fica próprio no centro da Itália e combina harmoniosamente montanhas, colinas e um belíssimo litoral banhado pelo Mar Adriático.

Muitas vezes ofuscada por destinos mais conhecidos, essa região guarda vinhos de grande qualidade, além de um rico patrimônio histórico e paisagens encantadoras.

As vinícolas da região oferecem experiências incríveis, principalmente na produção do renomado Verdicchio.

As uvas do Marche

  • Tintas: Montepulciano, Sangiovese, Lacrima di Morro d’Alba;
  • Brancas: Verdicchio, Pecorino, Passerina, Biancame.

11. Umbria

Conhecida como o “coração verde da Itália”, a Umbria é uma região de colinas suaves, vilarejos medievais e uma forte tradição vinícola — e quando digo ‘forte’, é forte mesmo. Com sua uva autóctone Sagrantino: uma uva riquíssima em cor e tanino, que garante vinhos de alto corpo e muito estruturados.

Apesar de muitas vezes estar à sombra da vizinha Toscana, a Umbria tem vinhos de altíssima qualidade e um turismo autêntico, repleto de experiências culturais e gastronômicas inesquecíveis.

As colinas de Montefalco e Bevagna são ideais para explorar as vinícolas que produzem o renomado Sagrantino di Montefalco, proporcionando experiências enológicas únicas.

Uma das vinícolas mais famosas e icônicas da região é da família Luneli, detentora da marca da espumantes Ferrari. A área de recepção de visitantes para as degustações e masterclasse de Carapace é estupenda, assinada pelo artista Arnaldo Pomodoro.

Já Orvieto, com sua catedral gótica deslumbrante, é também famosa por seus vinhos brancos refinados.

As uvas da Umbria

  • Tintas: Sagrantino, Sangiovese, Ciliegiolo, Colorino;
  • Brancas: Grechetto, Trebbiano Spoletino, Malvasia.

12. Lazio

A região do Lácio é o berço de Roma, a capital da Itália e um dos destinos turísticos mais visitados do mundo. Além de sua imensa riqueza histórica e cultural, a região também abriga vinhedos que produzem vinhos tradicionais, especialmente brancos, conhecidos por sua leveza e frescor.

Sou suspeita, mas amo a cidade eterna. Roma dispensa apresentações, com sua infinidade de monumentos icônicos como o Coliseu, o Vaticano e a Fontana di Trevi. Mas o Lácio vai além da capital: a região possui vilarejos encantadores como Tivoli, lar das famosas Villa d’Este e Villa Adriana.

Os Castelli Romani, conjunto de pequenas cidades ao redor de Roma, são ideais para explorar vinícolas tradicionais e degustar o famoso Frascati. O Lago de Bolsena e o Lago Albano são ótimos para passeios ao ar livre e experiências gastronômicas inesquecíveis.

As uvas do Lazio

  • Tintas: Cesanese, Montepulciano, Sangiovese;
  • Brancas: Malvasia del Lazio, Trebbiano Toscano, Bellone, Grechetto.

13. Abruzzo

Pouco conhecida e visitada pelos brasileiros, Abruzzo está localizada entre os Apeninos e o Mar Adriático e é uma região de natureza exuberante, com montanhas majestosas, parques nacionais e belíssimas praias.

Seus vinhos, especialmente os tintos, são reconhecidos pela excelente relação entre qualidade e preço.

Abruzzo é um destino perfeito para quem ama natureza e enoturismo. O Parque Nacional do Gran Sasso oferece trilhas deslumbrantes e paisagens incríveis. As vinícolas da região, espalhadas entre colinas e montanhas, oferecem degustações memoráveis, com destaque para o Montepulciano d’Abruzzo.

As uvas de Abruzzo

  • Tintas: Montepulciano d’Abruzzo, Sangiovese;
  • Brancas: Trebbiano d’Abruzzo, Pecorino, Passerina.

14. Molise

Molise é uma das menores e menos conhecidas regiões da Itália, mas guarda tesouros naturais e vinhos surpreendentes. Com um território montanhoso e um pequeno trecho de litoral, a região produz vinhos autênticos e pouco explorados no cenário internacional.

As vinícolas da região oferecem degustações intimistas, com vinhos como a uva nativa e super exclusiva Tintilia, que reflete a identidade local. Um ótimo destino para quem busca experiências autênticas e fora das rotas turísticas tradicionais. Para os amantes da natureza, o Parque Nacional d’Abruzzo se estende até o território de Molise, proporcionando trilhas e passeios ao ar livre.

As uvas de Molise

  • Tintas: Tintilia, Montepulciano, Sangiovese, Aglianico;
  • Brancas: Trebbiano Toscano, Malvasia.

15. Campania

Muitas pessoas não sabem, mas a Campania foi uma das regiões mais importantes na época da expansão do império romano. Além de preservar a riquíssima história do sul da Itália, é também famosa por sua paisagem costeira espetacular, sítios arqueológicos incríveis e uma longa tradição vinícola.

É o berço de alguns dos vinhos mais emblemáticos do país, que combinam perfeitamente com a gastronomia local.

várias talas de vinho tinto em prova profissional na Itália
Degustação vertical: safras diferentes do mesmo vinho. Foto: Cyntia Braga

Para os apreciadores de vinho, a região de Taurasi é o local ideal para explorar o renomado Aglianico, enquanto as encostas do Vesúvio oferecem vinícolas únicas com vistas espetaculares. Os vinhos da região do Vesúvio, definitivamente, você precisa provar; são sensacionais!

As uvas de Campania

  • Tintas: Aglianico, Piedirosso;
  • Brancas: Fiano, Greco, Falanghina, Coda di Volpe.

16. Puglia

A Puglia, localizada no “salto da bota” italiana, é uma região ensolarada e de grande tradição vinícola. Com vastas extensões de vinhedos, é um dos maiores produtores de vinho da Itália, famosa especialmente pelos seus tintos encorpados e sedosos.

O Vale d’Itria e a região de Salento oferecem experiências enológicas inesquecíveis, com vinícolas que produzem alguns dos melhores vinhos do sul da Itália.

As uvas da Puglia

  • Tintas: Primitivo, Negroamaro, Uva di Troia, Malvasia Nera;
  • Brancas: Verdeca, Bombino Bianco, Fiano.

17. Basilicata

Basilicata é uma região montanhosa e pouco explorada, mas guarda uma riqueza cultural e vinícola surpreendente. Seus vinhos são intensos e cheios de personalidade, refletindo o terroir único da região. Eu amo os vinhos dessa região.

Para os amantes do vinho, as vinícolas do Vulture são o destino ideal, oferecendo degustações do potente Aglianico del Vulture. A região também conta com belas paisagens naturais, como o Parque Nacional do Pollino, perfeito para trilhas e passeios ao ar livre. Recomendo muito!

As uvas da Basilicata

  • Tintas: Aglianico del Vulture, Primitivo, Sangiovese;
  • Brancas: Malvasia Bianca, Greco Bianco.

18. Calabria

A Calábria é outra das jóias italianas pouco exploradas. Localizada no extremo sul da Itália, é uma terra de mar e montanhas, com vinhos que expressam a intensidade de seu clima quente e solo fértil, além de oferecer uvas icônicas, mas pouco conhecidas.

No enoturismo, a região de Cirò se destaca pela produção de vinhos robustos e cheios de história. A Calábria oferece um litoral deslumbrante com praias paradisíacas, como Tropea e Capo Vaticano, onde o mar azul-turquesa impressiona os visitantes. As montanhas do Parque Nacional da Aspromonte são ideais para quem busca aventura e contato com a natureza.

As uvas da Calabria

  • Tintas: Gaglioppo, Magliocco, Greco Nero;
  • Brancas: Greco Bianco, Montonico, Malvasia.

19. Sicilia

Ah, a Sicília; quem não sonha um dia passear por essas terras! Trata-se da maior ilha do Mediterrâneo e uma das regiões vinícolas mais fascinantes da Itália, com vinhos que refletem seu solo vulcânico e sua diversidade climática.

A região ao redor do vulcão Etna é um dos polos vinícolas mais interessantes da Itália, produzindo vinhos únicos em terroirs de lava. Da mesma forma que os vinhos da região do Vesúvio são fascinantes, os do Etna não deixam absolutamente nada a desejar; não deixe de incluir em seu roteiro.

As uvas da Sicilia

  • Tintas: Nero d’Avola, Frappato, Nerello Mascalese, Perricone;
  • Brancas: Grillo, Catarratto, Inzolia, Carricante.

20. Sardegna

A Sardenha é uma ilha de paisagens selvagens e praias paradisíacas, com vinhos que carregam a identidade única dessa terra.

As praias da Costa Esmeralda são mundialmente famosas por suas águas cristalinas e areias brancas. Cagliari, a capital, combina história e modernidade com um charmoso centro histórico. Alghero, com sua herança catalã, é um destino encantador.

A Sardenha também é rica em sítios arqueológicos, como os misteriosos nuraghes, construções pré-históricas únicas. Para os apreciadores de vinho, as vinícolas da região produzem exemplares notáveis, como o Vermentino di Gallura e o intenso Cannonau.

As uvas Sardegna

  • Tintas: Cannonau (Grenache), Carignano, Monica;
  • Brancas: Vermentino, Nuragus, Malvasia di Sardegna.

Dicas práticas para planejar sua jornada enológica na Itália

A melhor época para conhecer as vinícolas italianas é primavera e outono para evitar multidões e aproveitar o clima ameno. Diria abril e maio e, depois, setembro e outubro.

É possível cruzar a Itália facilmente de trem mas, para percorrer algumas regiões vitivinícolas específicas, recomendo fortemente alugar um carro, para você ter maior flexibilidade.

Também recomendo sempre considerar ficar em vinícolas ou agriturismos, que oferecem belas acomodações e uma experiência mais imersiva e verdadeira, do que hotéis de rede ou Airbnb, onde você fica sozinho e não tem com quem trocar as suas impressões da viagem.

várias taças de vinhos sendo preparadas para prova de diferentes variedades da bebida
Uma degustação de vinhos pode ser o ponto de partida para uma experiência incrível


Se você chegou ao fim deste artigo, diria que realmente é um apaixonado por vinhos e, mais do que isso, vinhos italianos. Mas também, para quem curte vinho e viagens essa é um excelente ponto de partida para você desenhar uma viagem dos sonhos e inesquecível.

Mas não se esqueça, aqui vai uma dica de uma travel designer e sommelier: menos é mais! Batendo o olho em um artigo como esse você pode ter a tendência de querer fazer tudo em uma única viagem — o que é quase impossível e pouco recomendado.

Você precisa ter um norte, descobrir verdadeiramente o que quer e o que gosta de fazer e, depois, começar a afunilar para decidir por quais regiões começar. Por exemplo, comece respondendo essas 3 perguntas:

  1. Prefiro brancos ou tintos?
  2. Quero viajar em épocas de frio ou calor?
  3. Prefiro praias e calor ou frio e montanhas?

Com esse norte grande parte dos seus problemas e dúvidas já podem ser eliminadas e você conseguirá começar a traçar seu roteiro. E se precisar de uma ajudinha, sempre estarei aqui, para te ajudar a desenhar um roteiro sob medida, perfeitamente adequado as suas necessidades e desejos de viagens. Afinal, uma viagem como essa, sem dúvidas, é para ser inesquecível.

Então? Nos vemos na Itália? Estou te esperando!

Autores

Cyntia Braga
Inquieta e 'perguntadora' — a veia de repórter sempre pulsou forte em mim. Mesmo depois de ter saído do meio enquanto trabalho oficial, sempre que viajo adoro fazer perguntas, 'entrevistar' as pessoas locais e descobrir os seus segredos. Adoro uma 'conexão'; abrir portas e tê-las abertas por onde passo, pela conexão com as pessoas certas, me proporciona imensa satisfação. Hoje conecto pessoas com os seus destinos do coração: elaboro roteiros de viagens para viajantes que queiram se conectar com seus lugares dos sonhos. Compartilho os meus segredos e as minhas preferências de viagens, lugares e experiências. E nesse mundão que é a Europa, a Itália é o meu porto seguro; lugar onde mora meu coração, e eu no momento — desejo de que seja para sempre!

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