Você já deve ter ouvido falar de grandes sonhos viajantes indo por água abaixo. Se há algo que você sempre quis conhecer, algo com o qual sonhou desde pequeno, as chances são que a realidade não vai atender às suas expectativas. Sim, é o tal do baque da expectativa e realidade quando viajamos.
Lembro de várias situações assim. Gastei uma nota para ir para uma ilha no Caribe, San Andrés, apenas para achar igual a uma Cabo Frio mais turística. E a Mona Lisa? Essa é clássica. A gente vê tanto pôster da Mona por aí que a imagina gigante, mas ela não passa de um micro quadrinho atrás de uma barreira de vidro e de turistas. Do Stonehenge, não dá mais para chegar perto, uma política correta para a proteção do famoso monumento, mas que aniquilou muitos sonhos druidas por aí. J.K. Rolling nunca se inspirou na Livraria Lello, no Porto.
Por que criamos tantas expectativas?
As redes sociais são um bom lugar para se começar. Milhares de influenciadores digitais de viagem compartilhando dicas de lugares paradisíacos e monumentos imperdíveis criam um imaginário coletivo inalcançável. Primeiro porque eles costumam filmar estes lugares de ângulos que fazem parecer que o lugar está deserto e em narrativas que engrandecem o nada demais. Segundo porque os vídeos e posts criam um desejo por aquela vida que coloca o expectador em uma posição de querer-sem-nem-saber-o-porquê, tornando a atração um ímã de gente decepcionada. Gente que não pôde regular a expectativa e realidade.
Sabemos porém, que não foi com as redes sociais que tudo começou. A verdade é que a influência sempre existiu, a diferença é que hoje ela opera em massa. Tem uma história muito boa sobre como os pintores impressionistas mais famosos foram aceitos e popularizados. Na época, nenhum crítico de arte aceitava este novo estilo e foi só quando o governo francês foi obrigado a aceitar e exibir uma herança com obras de Monet e até mesmo Renoir e Degas, que o estilo se popularizou. Os jornais haviam feito tanto alarde contra as obras que o museu ficou lotado de pessoas cheias de expectativa e realidade, neste caso, calibradas pelo descaso da mídia.
Filmes, redes sociais, amigos e livros: tudo isso contribui para o nosso repertório interior que resulta na criação de expectativas românticas em torno de uma viagem ou até mesmo de uma única atração. Que millennial nunca assistiu a Antes do Amanhecer e imaginou uma viagem de trem pela Europa e um amor para sempre que atire a primeira pedra.
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Agendar minha conversa →Como aprendi a regular minha expectativa e realidade
Com o passar dos anos, mudei muito a forma com a qual viajo. Se tem algo que aprendi sobre regular expectativa e realidade quando viajamos é colocar minha atenção no que realmente importa para mim e no quê quero tirar daquela viagem.
Gosto muito de visitar memoriais, sítios arqueológicos e natureza exuberante. Compro guias de viagem e faço minha pesquisa online. Depois vejo o que eu realmente gostaria de visitar. Uso os posts dos influenciadores de viagem para descobrir coisas novas e aumentar meu repertório a fim de ver se cabem na minha lista, não para decidir o que é imperdível. O que é importante para você ao viajar?
Saber a razão pela qual nos sentimos atraídos por um destino e não por outro é meio caminho andado para criar este filtro de expectativa e realidade. Na era digital na qual vivemos, é necessário autoconhecimento para ajustar expectativas e uma forma eficaz de fazê-lo é seguindo influenciadores focados em nichos específicos e deixando de lado os que focam em turismo de massa e dicas rápidas. Ama ir para a natureza e tem filhos como eu? Busque influenciadores que foquem neste tipo de viagem e compartilhem os mesmos valores que você. Desta maneira, os termômetros de expectativa e realidade ficarão mais equilibrados.

Ao viajar com crianças eu também aprendi a ir devagar. Fazer uma lista realmente enxuta de desejos dos quais não abro mão e negociar todo o resto. Além disso, ter em mente apenas um máximo de duas atrações por dia e considerar todo o resto como lucro é essencial. Esse exercício é valioso também para quem não tem crianças à tira colo.
E você? Por que viaja?