Viajar pela Europa sem pressa. Descobrir mais do que meia dúzia de cidades. E, para facilitar, já contar com hospedagem e transporte garantidos. Essa era minha ideia quando decidi passar três meses viajando de motorhome pela Europa.
O motorhome é uma van adaptada, que funciona como uma casa sobre rodas. Durante essa viagem, descobri que é muito comum aqui no velho continente. E descobri também mais de 30 cidades em 9 países europeus. Quer saber mais sobre essa aventura? Aperta o cinto e vem comigo!
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Tem gente que tira um ano sabático. O meu período de licença foi mais curto. Três meses, ou melhor, 90 dias: o tempo máximo que um turista pode permanecer na Europa sem visto.
Aliás, período de licença é uma forma de dizer porque tive que pedir demissão e juntar todas as minhas economias para embarcar nessa loucura. Era assim que meus pais classificavam minha viagem dos sonhos: uma loucura.
Onde já se viu passar todo esse tempo viajando? E pra quê alugar um motorhome e fazer uma road trip na Europa? Vai gastar todo o seu dinheiro com isso!
Mas, na verdade, a intenção de alugar um motorhome era justamente economizar com hospedagem, transporte e até com alimentação. Imagina o quanto custaria ficar sempre em hotel, deslocar-se com aviões, trens e ônibus, e comer sempre em restaurantes. Ainda mais por três meses.
O planejamento da viagem
Há quem considere que planejar uma viagem longa dá trabalho. E não estão enganados. Mas, para mim, o planejamento da viagem é uma parte imperdível da experiência. Adoro pesquisar sobre destinos e montar roteiros (mesmo que não vá segui-los à risca depois).
Agora, imagina planejar uma viagem de três meses de motorhome pela Europa. Acho que o tempo que passei pesquisando e planejando foi muito maior do que o tempo da viagem em si.
Foram dias e dias lendo blogs e guias de viagem para decidir os melhores destinos, saber as atrações imperdíveis e as experiências mais autênticas. Horas e horas olhando mapas para tentar montar um roteiro.
Outras tantas fazendo cálculos para comparar o custo do aluguel do motorhome e do combustível com o custo das opções tradicionais de transporte e hospedagem. Fora as pesquisas sobre o próprio motorhome: os modelos, onde alugar.
Naquela época, infelizmente, eu ainda não conhecia o Euro Dicas Turismo. Com certeza teria me ajudado muito no meu planejamento. Mas tudo é aprendizado, não é mesmo?!
Um roteiro com liberdade de escolha
Uma das paradas que eu quis incluir no meu roteiro de motorhome pela Europa foi Schwangau, na Alemanha. A cidadezinha onde fica o Castelo de Neuschwanstein, que inspirou Walt Disney para desenhar o castelo da Cinderela.
O castelo de Neuschwanstein em Schawangau, na Alemanha. Foto: Tátylla Mendes
Chegando lá, após estacionar o motorhome, vi que a fila para comprar as entradas estava grande e resolvi dar uma volta pelos arredores. Para minha surpresa, encontrei uma cachoeira linda e nem vi a hora passar. Quando voltei, já não tinha fila, porque a bilheteria tinha fechado. Resultado: meu plano de ficar só um dia em Schwangau teve que ser alterado para dois dias.
A questão é que, ao viajar de motorhome, eu tinha mais liberdade de escolha e podia fazer essas mudanças no roteiro sem grandes preocupações. Afinal, já tinha hospedagem e transporte garantidos. Ou quase garantidos. Vem que eu te explico!
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Uma das vantagens de viajar em uma casa sobre rodas era poder fazer compras no supermercado e guardar na geladeira para quando quisesse. Ou melhor, no frigobar. Mas infelizmente acabei tendo que jogar fora um iogurte uma vez e um queijo em outro momento.
A questão é que, quando o motorhome está estacionado, a energia elétrica da casa só funciona se o veículo estiver ligado a uma tomada. Daí a importância de pernoitar, sempre que possível, em um camping ou estacionamento adaptado. Confesso que ignorei essa orientação em alguns momentos da viagem e foi assim que o queijo e o iogurte acabaram estragando.
O motorhome estacionado em um camping perto de Amsterdam. Foto: Tátylla Mendes.
Só que, além da energia elétrica, também havia a questão da água para abastecer o motorhome, para poder lavar louça, dar descarga, etc. Aliás, a caixa sanitária precisava ser despejada em um esgoto específico.
Sem contar que tomar banho no motorhome não era muito confortável. Portanto, apesar de ter uma caminha garantida, estacionar em um camping acabava sendo uma mão na roda.
Transporte (quase) garantido
A experiência de dirigir na Europa era uma oportunidade única, mas, na hora de estacionar, a coisa mudava. Em alguns casos, parar o motorhome em um camping ou em um estacionamento adaptado não era só uma boa alternativa. Era obrigatório.
Isso porque, em algumas cidades europeias, a circulação de vans no meio urbano é restrita. Em alguns povoados de ruas superestreitas, era inclusive difícil passar. E muitas cidades têm regras que não permitem estacionar esse tipo de veículo em qualquer lugar.
Uma paradinha no caminho entre a França e a Itália. Foto: Tátylla Mendes
A solução era utilizar o transporte público ou simplesmente bater perna. Usava o motorhome para ir de uma cidade a outra e deixava estacionado quando chegava.
Isso sem contar os bate e voltas que fiz para duas ilhas que incluí no meu roteiro de motorhome pela Europa: Ibiza e Capri. No primeiro caso, fiz o trajeto de avião e, no segundo, de barco.
Muitas paisagens e culturas em poucos km
Quando me mudei de Brasília para Floripa, botei minha vida em um carro e levei dois dias de estrada entre uma cidade e outra. Nada mais distante da realidade europeia!
Na minha viagem de motorhome pela Europa, saindo de Veneza (Itália), passando por Ljubljana (Eslovênia), até Zagreb (Croácia), não levei nem seis horas. Isso com uma paradinha para comer e admirar a vista.
A próxima parada depois de Zagreb foi nos Lagos de Plitvice. Foto: Tátylla Mendes
Com esses exemplos, acho que ficam claras duas coisas. Primeiro é que, sim, eu adoro dirigir. Acho que viajar de motorhome (ou com outro veículo próprio ou alugado) é uma forma de aproveitar tanto o caminho como o destino.
Ok, ok, viajando de trem isso também pode funcionar. Só que, ao viajar de motorhome, especialmente, você tem a opção de fazer uma paradinha no meio do caminho para admirar uma paisagem surpreendente, por exemplo. E ainda pode aproveitar para preparar uma comidinha e até fazer uma “siesta” se quiser.
Tarefas domésticas durante a viagem
Isso de preparar uma comidinha foi algo que fiz muito durante toda a minha viagem de motorhome pela Europa. “Então, você não provou a gastronomia local?” Provei, provei sim.
Fui a restaurantes algumas vezes e também comi street food. Além disso, descobri ingredientes locais e pratos típicos de forma genuína, fazendo compras em supermercados e feiras. Sem contar a economia com a alimentação na viagem, não é mesmo?!
Preparando uma comidinha na mini cozinha do motorhome. Foto: Tátylla Mendes
Em todo caso, admito que esse é um ponto meio controverso de viajar em motorhome. Primeiro, porque tem muita gente que não gosta de cozinhar (o que não é meu caso). Mas principalmente porque, durante uma viagem, a maioria de nós não quer nem pensar nas tarefas domésticas.
Ainda assim, é bom estar consciente de que viajar em uma casa sobre rodas também demanda um tempo para cuidar da casa. Em uma viagem de três meses, então, muito mais. Só que lavar a louça ou limpar os móveis, estacionado ao lado de um lago suíço, admirando o mar ou uma bela cadeia de montanhas, é bem diferente das tarefas rotineiras de casa.
Vale a pena viajar de motorhome pela Europa?
Sim, viajar de motorhome pela Europa é uma experiência inigualável. Mas acho que o custo de alugar o motorhome mais o combustível, mais os campings, só compensa de verdade no caso de uma viagem longa. Aliás, eu só passei três meses viajando e visitei mais de 30 cidades porque a viagem era em motorhome.
Se fosse com opções de transporte e hospedagem tradicionais, mesmo em uma viagem de igual duração, provavelmente teria reduzido bastante a quantidade de destinos visitados.
Quando visitei Valência na minha viagem de motorhome, nem imaginava que ia morar aqui. Foto: Tátylla Mendes
Viajar de trailer na Europa, ou melhor, motorhome, me permitiu ir muito além das capitais europeias, descobrir cidadezinhas encantadoras e paisagens que eu nem imaginava que existissem por aqui. O tempo e o estilo de viagem foram fundamentais para explorar a Europa de maneira mais profunda e autêntica.
Com tudo isso, ganhou força dentro de mim o sonho de vir morar na Europa. E hoje, uns quantos anos depois dessa viagem, aqui estou. Valeu a pena!
Uma brasiliense com um pé no Nordeste e outro em Floripa, vivendo na Espanha desde 2018. Uma viajante curiosa e aventureira. Já nadei na cratera de um vulcão e fiz rapel em cachoeiras de até 90 metros. Mas também adoro explorar paisagens urbanas, visitar museus e descobrir bares e restaurantes. Me fascina explorar o mundo passo a passo, mas também através dos livros, da música, de obras de arte e de uma boa conversa.
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