Observando as mudanças no comportamento dos viajantes, percebe-se que a forma de se fazer turismo, atualmente, vai muito além de uma contemplação passiva dos atrativos locais. Confesso que a última coisa que penso na hora de programar uma viagem, é descansar. Procuro por experiências memoráveis de viagem, que me proporcionem uma emoção única e indescritível.
1. Comer Cassoulet em Carcassonne, França
2. Dormir em uma Caverna na Capadócia, Turquia
3. Desvendar as lendas e Castelos da Transilvânia, Romênia
4. Assistir à ópera em Viena, Áustria
5. Ver de perto "A Dança" de Matisse no Museu Hermitage, em Saint Peterburg, Rússia
Daquelas autênticas que me façam vivenciar a cultura local da forma mais autêntica possível, trazendo um sentimento de pertencimento e compreensão. Sejam elas clichês ou fora do comum, os países da Europa possibilitam uma infinidade de experiências, que deveriam ser vividas por todo viajante ao menos uma vez na vida.
Compartilho algumas experiências memoráveis vividas por mim e que me ofereceram uma consciência ímpar da cultura e costumes das mais diversas localidades desse continente, confira:
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Quero meu roteiro personalizado →1. Comer Cassoulet em Carcassonne, França
Assim como a grande parte dos turistas, visitei Carcassonne motivada por conhecer umas das maiores cidades fortificadas da Europa — patrimônio mundial da Unesco. Entre souvenires medievais, armaduras e vestidos de princesas, caminhar por suas ruelas de pedra é sentir-se em meio a um filme saído da Idade Média, como exemplo do “Robin Hood” (filmado lá).
A cidadela é belíssima, tem muralhas com mais de 2500 anos de história, 52 torres de contos de fada, a exuberante Basílica gótica de Saint Nazaire, o Castelo Comtal… e o autêntico Cassoulet — preparado à base de feijão branco, confit de canard (de pato), porco e linguiças locais.

Não existe nada mais tradicional do que comer um cassoulet numa legítima tigela de barro em uma típica taberna medieval dentro da cidadela, e foi exatamente o que fiz: sentei numa mesinha externa no Auberge de Dame Carcas, escolhi o Cassoulet Maison, e enquanto aguardava, admirei o vaivém dos turistas e a vista para o castelo.
O prato é uma verdadeira explosão de sabores e um prato muito típico da França. Começa por um aroma delicioso que se dissipa no ambiente, a coxa de pato cozinhando lentamente no caldo cremoso do feijão, que borbulha e forma uma espessa crosta dourada. Encorpado e suculento, perfeito para dias mais frios e com um vinho tinto para harmonizar.
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Aproveite o passeio e hospede-se no Hôtel de la Cité, um hotel histórico 5 estrelas, no coração da Cidade Medieval. Construído no local do antigo palácio episcopal abriga o cobiçado restaurante Barbacane, com uma estrela Michelin.
Delicie-se com a iguaria mais pedida na cidade em pleno jardim, com uma vista de tirar o fôlego.
2. Dormir em uma Caverna na Capadócia, Turquia
A Capadócia é uma região simplesmente mágica, com formações geológicas únicas, nunca vistas por mim em nenhuma outra parte do mundo. Claro que a primeira coisa que nos vem à cabeça são os icônicos balões de ar quente que dominam os céus de todo o vale durante a manhã, mas a experiência de se hospedar em uma caverna esculpida na rocha, nos proporciona uma imersão ao coração da história da região.
Ao longo dos séculos, a cidade foi local de refúgio para diversas civilizações, incluindo cristãos que se esconderam em suas cavernas durante as inúmeras invasões. Essas cavernas trogloditas que em algum momento já foram igrejas e residências, hoje abrigam hotéis com um certo toque de luxo e conforto, oferecendo uma experiência única em um ambiente de tranquilidade.

Num primeiro momento, a sensação de confinamento pode causar um certo desconforto, mas esse sentimento é sobreposto pela atmosfera única do local. São paredes de pedra decoradas com tapeçarias turcas tradicionais, camas super confortáveis. Além de banheiros em mármore com aquecimento, chegando ao ápice de ter torneiras que jorram vinho branco e tinto da região, sem custo adicional.
Dica para aproveitar melhor a experiência
Sim, me hospedei no esplendido Museum Hotel e acredito que isso fez toda a diferença. O único membro Relais & Château da Turquia não possui essa distinção por acaso.
Com uma estrutura que mescla ruínas intactas com outras restauradas, o hotel localiza-se no alto de uma colina e possui uma vista privilegiada para o Vale de Göreme.
Objetos de valor inestimável, como tapetes, quadros, esculturas e uma coleção de antiguidades dos períodos Otomano, Seljuk, Romano e Hitita (vindas do acervo pessoal do fundador e proprietário do hotel Omer Tosun), decoram as áreas comuns, quartos e restaurante do museu a céu aberto — conceito da acomodação.
3. Desvendar as lendas e Castelos da Transilvânia, Romênia
Uma das regiões mais importantes da Romênia, a Transilvânia, abriga construções medievais imponentes e lendas de terror que habitam o imaginário popular. Aristocratas da época ergueram inúmeros castelos, sendo o mais famoso deles, o que inspirou a lenda do Vampiro Drácula — o Castelo de Bran.
E, mesmo ciente que trata-se de uma história fictícia, que ganhou embasamento através da literatura e cinema, misturada à referências do Vlad — o Empalador, esse é um dos pontos mais visitados da Romênia.

Visitei o castelo em pleno 31 de outubro, e o clima de suspense e terror imperava no local. Uma grande fila atraída pelas festividades de Halloween fez com que o caminho até os portões de entrada fosse bem mais demorado do que o normal. Para a data, iluminação especial, barulhos assustadores e teias de aranha adornavam o imponente castelo, datado de 1212.
O interior do castelo não apresenta o luxo e a imponência, se comparado a outros famosos castelos da Europa. Em suas salas destacam-se utensílios e móveis usados pela família real, roupas, armas medievais e contos sobre o reinado de Vlad, além de diversas referências ao famoso Drácula.
Dica para aproveitar melhor a experiência
Deixando o castelo, em seus arredores está a histórica cidade de Brasov, que por questões de logística, tive apenas algumas horas para visitar. Porém, a cidade é tão encantadora e repleta de atrações, que eu deveria ter ficado ao menos uma noite.
A Praça da Câmara é o coração da cidade antiga. Junto a dezenas de restaurantes e lojinhas com suas fachadas coloridas, ficam algumas casas históricas, como a Casa do Mercador e o Museu da família Mureseanu.
Ainda nos arredores da praça se encontra a famosa Igreja Negra — principal monumento em estilo gótico do país. Construída entre 1385 e 1477, seus tijolos ganharam essa cor escura devido a um incêndio que atingiu a cidade em 1689.
Um detalhe traz ainda mais charme à cidade: Brasov ostenta, no topo do Monte Tâmpa, um enorme letreiro com o nome da cidade — no melhor estilo hollywoodiano. A vista lá de cima é imperdível e o local pode ser acessado através de uma trilha pela mata ou via teleférico.
4. Assistir à ópera em Viena, Áustria
Nomes como Mozart, Schubert, Strauss e Beethoven fizeram de Viena a capital da música clássica. Dessa forma, assistir a um concerto na Ópera de Viena (Wiener Staatsoper, como é chamada em alemão) é uma experiência tão vienense quanto deliciar-se uma torta Sacher.
Visitei a cidade em Agosto — mês em que acontece o famoso Concerto de Mozart na Ópera de Viena. Contratei a experiência Mozart VIP Ticket e fiquei completamente encantada com a programação.
Por volta das 18h, com o sol ainda brilhando, uma linda carruagem nos aguardava na porta do nosso hotel. Nela, dois imponentes cavalos brancos, o cocheiro e um guia trajando uma vestimenta de época, ali estavam para nos levar até a primeira parada: Hotel Bristol. Uma mesa de destaque estava reservada e foi nos servido um menu de três pratos harmonizado com vinho e champanhe para brindar à ocasião.
Por volta das 20h fizemos um pequeno tour panorâmico no entorno, aproveitando a golden hour que refletia nos monumentos históricos. Até que chegamos ao endereço mais aguardado da noite: a Wiener Staatsoper.

Antes de ocupar nosso lugar com vista privilegiada para a apresentação, nosso guia nos levou num tour privado para conhecer as luxuosas dependências desse prédio tão icônico. Passamos pelo belíssimo foyer, pela escadaria principal, pelo hall de mármore, chegando até o Teesalon (salão de chá) — que dá acesso ao camarote que pertencia ao imperador da Áustria, Franz Joseph.
A noite foi simplesmente gloriosa, com músicos trajando perucas e roupas barrocas, executando peças de Mozart e Strauss mundialmente conhecidas, junto a solistas de ópera.
No intervalo fomos encaminhados ao Mahlersaal — salão reformado na década de 1950 e conta com uma decoração de tapetes com cenas da Flauta Mágica (peça de Mozart), onde brindamos com os solistas do espetáculo. Indescritível!
Dica para aproveitar melhor a experiência
A Ópera de Viena tem uma programação efervescente, com uma agenda repleta de espetáculos. A temporada de concertos se inicia em setembro e termina no fim de junho.
Fora da programação nobre, são ofertadas diferentes apresentações de música erudita, entre matinês, ensaios abertos e espetáculos de balé, que acontecem, normalmente, no período noturno.
O dress code da Ópera de Viena não possui um código de vestimenta rígido, mas é costume se vestir de maneira elegante para frequentá-la. Para os homens, terno ou camisa social e gravata, e, para as mulheres, vestido de coquetel ou trajes mais formais.
5. Ver de perto “A Dança” de Matisse no Museu Hermitage, em Saint Peterburg, Rússia
Confesso que algumas vezes acabei me decepcionando ao me deparar com obras de arte renome mundial, e que, pessoalmente, eram muito menores do que eu imaginava. Foi assim com a Mona Lisa de Da Vinci — no Louvre, em Paris, e o Auto-retrato de Van Gogh — no Museu Van Gogh, em Amsterdam.
Para mim, é sempre uma emoção presenciar uma obra célebre, aquelas famosas que um dia já vimos nos livros ou numa aula de história da arte. Vê-la pessoalmente, identificar as cores, pinceladas e intenção do artista, não tem explicação.
E foi assim quando me deparei com a “A Dança” (La Danse) feita por Henri Matisse em 1910, uma das principais peças do acervo do Museu Hermitage em São Petersburgo, na Rússia.

A obra é simplesmente impactante. Medindo 2,60m x 3,89m, ela ocupa uma parede de destaque no museu, e fui atraída não só pela dimensão, como pela intensidade das cores, além das formas simplificadas e atmosfera dramática (características do movimento artístico fauvismo).
Passei um tempo ali admirando todos os detalhes e tentando absorver o máximo de informações sobre a obra: como o movimento de um relógio, em sentido horário, as cinco figuras representam a alegria da dança e a celebração da vida, ao mesmo tempo em que explora a complexidade da emoção e da forma. Que obra!
Dica para aproveitar melhor a experiência
É indiscutível o potencial turístico da Rússia, um país que tem muito a oferecer, desde uma rica bagagem histórica e cultural, à paisagens naturais belíssimas.
No entanto, nesse período de conflitos e instabilidade política, é fundamental estar ciente das recomendações de segurança e dos requisitos básicos de viagem, para que se possa ter uma experiência segura e agradável.
E aí, já teve a oportunidade de viver alguma dessas experiências? O que acha de uma segunda parte dessa lista de experiências memoráveis de viagem? Conta para mim nos comentários, vou amar saber um pouco mais!