Entender o impacto prático do novo IOF para viagem é o ponto de partida para recalcular a rota e tentar minimizar os custos da sua próxima viagem. Isso significa que planejar as finanças de uma viagem ao exterior, algo que sempre exigiu atenção aos detalhes, fica ainda mais importante com a mudança súbita nas regras tributárias em maio de 2025.
O que mudou com o novo IOF para quem vai viajar para o exterior?
Como o novo IOF impacta sua viagem para a Europa?
Qual a melhor maneira de levar dinheiro com o novo IOF?
O que considerar ao planejar sua viagem com o novo IOF?
Como economizar com o IOF em viagem para o exterior?
Vamos explicar como a medida afeta suas finanças agora que as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras foram unificadas — e elevadas — para a maioria das operações e como contornar o aumento.
O que mudou com o novo IOF para quem vai viajar para o exterior?
O que você precisa saber: viajar para fora ficou mais caro. A principal alteração foi o fim da vantagem tributária que as contas globais possuíam. Até 22 de maio de 2025, a diferença de IOF entre usar um cartão de crédito e uma conta global era significativa.
Desde 23 de maio de 2025, essa diferença foi eliminada. O governo instituiu uma nova alíquota unificada de 3,5% que incide sobre o uso de cartões de crédito, cartões de débito internacionais (aqueles de contas globais) e a compra de dinheiro em espécie. Não há mais como escapar do IOF mais alto, mas ainda é possível gastar menos.
Vamos entender melhor o tamanho do impacto.
| Operação | IOF antigo (até 22/05/2025) | Novo IOF (a partir de 23/05/2025) |
| Uso de cartão de crédito no exterior | 3,38% | 3,5% |
| Remessa para conta global (cartão de contas multimoeda) | 1,1% | 3,5% |
| Compra de moeda estrangeira (dinheiro em espécie) | 1,1% | 3,5% |
Para cada R$ 1.000 que você enviava para sua conta global, o custo com IOF era de R$ 11. Agora, será R$ 35. Aumente o aporte para factíveis R$ 10.000 e a conta com IOF ficará R$ 350 mais cara ante os antigos R$ 110.
Na prática, a forma mais econômica de levar dinheiro sofreu um aumento de mais de 200% no imposto. Mas, “como assim 200%” e não 2,4%, que é a diferença entre o antigo e o novo IOF?
Porque o percentual de aumento é sempre relativo ao valor anterior. Se antes pagávamos R$ 110 (com 1,1% de IOF) e agora gastamos R$ 350 (com 3,5%), o valor pago tem um crescimento que extrapola os 200%. É uma dinheirama para quem viaja.
Em resumo: se você, assim como eu, esperava um recuo no novo IOF para viagem, esqueça. O banho de água fria veio com a publicação da medida provisória (MP), que por sua vez manteve o imposto lá em cima.
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O impacto é direto e inevitável: o custo base de qualquer transação internacional aumentou.
A decisão sobre qual método de pagamento usar, que antes era óbvia, agora exige uma análise mais detalhada das taxas que vão além do imposto sobre operações financeiras. E talvez exija também mexer um pouco no seu roteiro de viagem, excluindo algumas atrações ou optando por passeios mais baratos.
Vamos simular o gasto de 1.000€ na Europa, considerando o novo IOF unificado de 3,5%.
| Método de pagamento | Câmbio base (R$) | Spread (ágio) / Custo do câmbio | Novo IOF (3,5%) | Custo Efetivo Total – CET (soma do câmbio base + spread + IOF) |
| Contas globais (Wise, Nomad, C6 e outras) | R$ 6.420 | + R$ 96 (spread médio de 1,5%) | + R$ 228 | ~ R$6.744 |
Cartão de crédito | R$ 6.420 | + R$ 321 (spread de 5%) | + R$ 236 | ~ R$6.977 |
| Dinheiro em Espécie | R$ 6.910 | Embutido no câmbio | + R$ 242 | ~ R$7.152 |
A análise da tabela mostra que a conta global, mesmo com o forte aumento do IOF, ainda se mantém como a opção mais barata, mas a diferença para as outras modalidades diminuiu drasticamente.
A economia agora reside exclusivamente na diferença entre o câmbio comercial associado ao spread baixo da conta global versus o câmbio turismo (para espécie) ou o câmbio comercial adicionado de um spread alto.
O spread é, basicamente, o valor que seu banco cobra para processar as compras realizadas no exterior. Bancos comerciais têm spreads altíssimos, e os 5% mencionados nessa tabela são apenas ilustrativos: a mordida pode ser maior ou menor.
Qual a melhor maneira de levar dinheiro com o novo IOF?
A resposta mais pragmática continua sendo: as contas globais ainda representam o melhor custo-benefício, embora a economia seja menor.
A tabela mostra as principais razões e fatores que continuam jogando a favor das contas multimoedas como sendo as principais formas de se levar dinheiro para a Europa.
| Característica | Cartão de crédito | Conta global | Dinheiro em espécie |
| IOF (a partir de 23 de maio de 2025) | 3,5% | 3,5% | 3,5% |
| Tipo de câmbio | Comercial (fechamento da fatura) | Comercial (horário da transação) | Turismo (horário da compra) |
| Spread (ágio) | Alto (4% a 7%) | Baixo (0,78%, no caso da Wise, a 2% em outras fintechs) | Embutido no câmbio (3% a 6%) |
| Principais vantagens | Programas de pontos (alguns cartões), cashback (alguns cartões e conveniência | Melhor taxa de câmbio efetiva | Pagamentos imediatos |
| Principais desvantagens | Custo final mais elevado (spread) | IOF elevado na entrada | Câmbio desfavorável e risco com perda/roubo |
Cartão pré-pago
Os modernos cartões pré-pagos estão atrelados a contas globais ou multimoedas. O cartão Wise para viagem é um dos principais exemplos desse serviço.
Utilizar cartões pré-pagos de contas multimoedas é um processo muito simples. Você abre uma conta gratuitamente pelo aplicativo, cria um saldo na moeda desejada (uma espécie de “caixinha” para euros, por exemplo) e envia reais da sua conta bancária brasileira, geralmente via Pix.

Assim como outras contas multimoeda, a Wise converte o dinheiro usando a cotação do câmbio comercial do momento e o valor fica disponível no seu saldo em euros, muitas vezes imediatamente.
A Wise é popular por oferecer gratuitamente um dos melhores cartões para usar na Europa, permitindo fazer compras e saques no exterior. E sim, ele também funciona perfeitamente nas carteiras digitais de aparelhos Android e iOS!
Para se ter uma ideia dos custos para o envio de 1.000€, elaboramos uma simulação utilizando como referência o câmbio comercial de R$ 6,42. A operação na Wise tem a seguinte estrutura de custos:
- Taxa de serviço (spread): cerca de 0,78% sobre o valor (uma das mais baixas do mercado), totalizando aproximadamente R$50,08;
- IOF: agora precisamos incluir o novo IOF para viagem que equivale a 3,5% e incide sobre o valor a ser convertido, resultando em cerca de R$228.
O custo total para ter 1.000€ na conta, utilizando a Wise, é de aproximadamente R$6.744. Apesar do IOF elevado, este método se sobressai por não ter o spread alto dos bancos nem o câmbio desfavorável das casas de câmbio.
Conta global
De forma similar à Wise, a Nomad oferece uma conta global sediada nos EUA, com saldo e operações em dólar. É a opção mais indicada para quem viaja aos Estados Unidos ou para destinos cuja economia é dolarizada, mas permite que seu cartão seja usado também na Europa.
Nesse caso, o dinheiro é convertido automaticamente de dólar para euro no momento em que você for fazer uma compra.
O funcionamento é igualmente simples. Você envia reais via Pix, a Nomad converte para dólar utilizando o câmbio comercial e o valor fica disponível no saldo para uso com o cartão de débito internacional.
Simulamos os custos o envio de USD 1.000. Para este cálculo, vamos considerar a cotação do dólar comercial a R$ 5,54 e a taxa operacional (spread) de 1%, que pode ser menor dependendo do nível do cliente no programa de fidelidade Nomad Pass.
- Taxa de serviço (spread): 1% sobre o valor convertido, o que corresponde a R$ 55,40;
- IOF: os 3,5% incidem sobre a soma do valor enviado e a porcentagem refere-se ao novo IOF para viagem, totalizando R$ 193,90.
O custo total para depositar USD 1.000 na conta Nomad é de aproximadamente R$ 5.789,30. Mesmo com as novas regras, a combinação de câmbio comercial e spread baixo a mantém como uma solução financeira eficiente para quem viaja, em particular para destinos que utilizam o dólar.
O pulo do gato com as contas globais de investimento
Se você é do tipo que planeja viagens com antecedência, pode se beneficiar das vantagens tributárias que não afetaram as remessas de investimento. Os valores enviados para contas de investimento, como Nomad e Revolut, por exemplo, sofrem incidência de “apenas” 1,1%.
Isso significa que você pode, na prática, enviar recursos para as contas globais, investir em tempos de dólar em queda, e depois resgatar os recursos para utilização no exterior.

Essa é uma operação legal, embora não esteja livre de riscos (como qualquer investimento). Mas, sabendo aproveitar os momentos de queda da moeda, é possível lucrar para depois utilizar o dinheiro em viagem.
Sempre invista seus recursos em produtos que você entende e em instituições sólidas e confiáveis. Na dúvida, procure um especialista em investimentos.
Cartão de crédito
Paradoxalmente, usar o cartão de crédito para viagem tornou-se “menos pior” do que era. A diferença de IOF para as outras modalidades não existe mais. O problema crônico, no entanto, permanece: o alto spread bancário (4% a 7%) e a incerteza do valor final da fatura, que depende da cotação do dólar no dia do fechamento.
Na prática, ao comprar com cartão de crédito você paga:
- O valor da compra;
- O valor do novo IOF para viagem, de 3,5%;
- O valor do spread.
Em resumo, se o spread do seu banco for de, digamos, 5%, o valor total da sua compra será 8,5% maior daquele que estava exibido na etiqueta. Para falar em bom português: é uma paulada.
Dinheiro em espécie
A compra de papel-moeda também foi impactada, subindo de 1,1% para 3,5% com o novo IOF para viagem. Sua principal desvantagem competitiva continua sendo a cotação do câmbio turismo, significativamente mais cara que o comercial, além dos riscos inerentes ao transporte de dinheiro físico.
Esse deve ser sempre o seu último recurso. Se quiser transportar dinheiro em espécie, tudo bem. Sabemos que algumas pequenas cidades e vilas menos turísticas ainda preferem transações à moda antiga. Mas guarde duas informações:
- Não compre no Brasil! Utilize contas globais, como a Wise, por exemplo, e faça o saque do dinheiro em espécie direto no país da sua viagem. A Wise oferece até dois saques gratuitos por mês;
- Saque valores irrisórios. Andar com mais de 100€ na carteira é loucura.
O que considerar ao planejar sua viagem com o novo IOF?
A unificação do novo IOF para viagem em uma alíquota mais alta força uma mudança na estratégia financeira do viajante. Mais do que apenas escolher um meio de pagamento, agora é fundamental adotar uma nova mentalidade que considere o custo total da viagem sob uma visão mais abrangente.
Para navegar neste novo cenário de forma eficaz, é preciso levar em conta alguns pontos-chave no seu planejamento que vão além do óbvio.
- O custo de viajar aumentou: o primeiro passo é aceitar que sua viagem terá um custo base maior. Isso exige um planejamento orçamentário ainda mais rigoroso e realista;
- A “guerra” agora é contra o spread: já que o imposto foi nivelado, sua maior economia virá da escolha da instituição financeira com a menor taxa de spread, seja entre os provedores de contas globais ou entre os cartões de crédito;
- E para trazer o dinheiro de volta? Caso sobrem fundos na sua conta global, a regra para repatriar o dinheiro não mudou. A transferência de volta para sua conta no Brasil tem uma alíquota de IOF de 0,38%.
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Embora a principal vantagem tributária tenha desaparecido, ainda existem diversas medidas práticas que você pode tomar para mitigar a alta dos custos e otimizar seu orçamento de viagem.
Adotar estes hábitos pode resultar em uma economia significativa ao final da jornada. A seguir, um resumo das ações mais eficientes para proteger seu bolso.
- Priorize a conta global com menor spread: pesquise e compare as taxas de serviço e o spread cambial entre os diferentes provedores. Uma diferença de 0,5% no spread pode gerar uma economia relevante em transações maiores;
- Use o cartão de crédito estrategicamente: mantenha seu cartão de crédito internacional para emergências, reservas que exigem pagamento de caução, como aluguel de carro na Europa, e para acumular pontos em programas que você realmente utiliza. Para os gastos do dia a dia, evite a todo custo;
- Recuse a “conversão dinâmica”: ao pagar com qualquer cartão no exterior, se a maquininha perguntar se deseja pagar em reais (BRL) ou na moeda local (EUR, USD etc.), sempre escolha a moeda local. A taxa de conversão do terminal é invariavelmente pior;
- Repense o volume de dinheiro em espécie: com o novo IOF para viagem equiparado, a desvantagem do câmbio turismo e a falta de segurança tornam o dinheiro em espécie ainda menos atraente. Leve apenas o estritamente necessário para despesas imediatas na chegada.
A mudança nas regras do IOF representa, sem dúvida, um desafio adicional para o orçamento de quem viaja ao exterior.
Contudo, como vimos, a análise cuidadosa dos custos que vão além do imposto (em particular o spread cambial) mostra que ainda existem caminhos mais vantajosos.
As contas globais, mesmo perdendo seu grande benefício tributário, se consolidam como a ferramenta mais eficiente para movimentar seu dinheiro, oferecendo uma economia real frente aos cartões de crédito e ao dinheiro em espécie.
Portanto, a grande lição é que o planejamento financeiro se tornou mais crucial do que nunca. Ao dedicar tempo para escolher o método de pagamento correto e a empresa que melhor atende às suas necessidades, você garante que seu foco permaneça no que realmente importa: aproveitar ao máximo cada momento das férias!
Erik Nardini