Usar cartão de crédito no exterior pode ser uma mão na roda, mas também envolve taxas e condições que nem sempre ficam claras. IOF, câmbio, spread... tudo isso influencia no valor final da fatura.
Vale a pena usar cartão de crédito no exterior?
Quais taxas são cobradas ao usar cartão de crédito fora do Brasil?
Cartão de crédito x outras formas de pagamento no exterior
Cartões recomendados para uso internacional
Dicas para usar o cartão de crédito no exterior com segurança e economia
Se você ainda tem dúvidas sobre o uso do cartão durante suas viagens pelo exterior, está no lugar certo! Explicamos como funciona, quando vale a pena e quais alternativas considerar para evitar surpresas.
Vale a pena usar cartão de crédito no exterior?
Não vale a pena utilizar o cartão de crédito no exterior como principal forma de pagamento. Em função das taxas e da variação de câmbio, o gasto se torna maior do que o esperado.
No entanto, ter um cartão de crédito habilitado para uso internacional é fundamental. Imprevistos acontecem, compras de última hora também, e todo mundo quer evitar perrengue envolvendo dinheiro, especialmente no exterior, certo?
Então, precisamos, sim, ter pelo menos um cartão de crédito na carteira durante a viagem. Os bancos oferecem cartões para atender as necessidades de todo tipo de público. Com certeza algum se encaixa nos seus hábitos de gastos.
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Para usar o cartão de crédito no exterior é preciso habilitar a função, algo que você faz rapidamente pelo aplicativo do banco ou pelos canais de atendimento. Vale observar também a bandeira do cartão. Se for Visa ou Mastercard, a aceitação é praticamente garantida, uma vez que são as redes internacionais mais conhecidas mundo afora.
Ainda assim, é importante considerar as particularidades de alguns destinos. Na Holanda, por exemplo, muitos estabelecimentos não aceitam cartões de crédito internacionais. O uso de cartões de débito locais, como Maestro, é muito mais comum. Por isso, vale sempre ter mais de uma alternativa de pagamento.
Diferença entre cartão nacional, internacional e multimoeda
Antes de tudo, é preciso entender as diferenças entre os tipos de cartões ofertados no mercado. O cartão de crédito nacional, o mais simples, é aquele que permite fazer compras apenas no Brasil. Costuma ser uma opção de entrada, geralmente sem cobrança de anuidade e com limite mais baixo, ideal para quem está começando a construir um histórico de crédito.
Já o cartão de crédito internacional permite compras tanto no Brasil quanto no exterior — seja em viagens, seja em sites internacionais. O limite varia conforme o relacionamento com o banco. Já a anuidade, por sua vez, pode ser gratuita ou ultrapassar R$ 1.500 por ano, dependendo dos benefícios atrelados.
O terceiro tipo de cartão que merece atenção é o cartão multimoeda. Na prática, funciona como um cartão de débito internacional, que pode ser carregado com antecedência e usado em diversas moedas. Quando se trata do melhor cartão para usar na Europa, esse com certeza se destaca.
Entre os cartões multimoeda mais conhecidos estão opções já consolidadas no mercado, como Nomad e C6 Global, e o cartão da Wise, aquele que recomendamos.
Quais taxas são cobradas ao usar cartão de crédito fora do Brasil?
A frase “passa no crédito, por favor”, dita em qualquer língua, pode resultar em uma surpresa e tanto quanto a fatura finalmente chega. Isso porque, em virtude das taxas cobradas pelos bancos, aquela comprinha boba no outlet salta aos olhos no momento de conferir a fatura.
IOF
O chamado Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) costuma ser lembrado pelos viajantes como aquele percentual a mais cobrado por transações internacionais. É isso, mas não é só isso.
Esse imposto é cobrado pelos bancos sempre que pessoas físicas ou jurídicas efetuam operações de crédito, câmbio, seguro, operações de títulos e valores mobiliários ou operações com ouro, ativo financeiro ou instrumento cambial.
Para transações de uso de cartão de crédito no exterior ou compra em site estrangeiro, por exemplo, o IOF é de 3,38%. Esse imposto vem diminuindo a cada ano e a intenção do Governo Federal é que deixe de ser cobrado até 2028.
Variação do câmbio
A variação cambial nada mais é do que a mudança constante no valor do real em relação a moedas estrangeiras. No caso do euro, há tempos essa variação não tem sido favorável para nós.

Quem lembra de fazer compras e ter a “grata surpresa” de ver uma cobrança mais alta do que o esperado? Isso porque antes valia a cotação do dia do fechamento da fatura. Por determinação do Banco Central, desde março de 2020, as operadoras de cartões são obrigadas a usar a cotação do dia da compra.
Na prática, significa mais uma boa notícia para nós: em casos em que o valor da moeda estrangeira cai de repente, usar o cartão de crédito pode ser vantajoso, já que você “trava” uma cotação mais favorável no dia exato da compra.
Taxas adicionais cobradas por bancos ou bandeiras
O uso do cartão de crédito no exterior pode envolver outras cobranças, como o spread cambial, a diferença entre o câmbio comercial e o valor da moeda que é repassado para você na hora da conversão. Essa margem de lucro do banco costuma variar entre 4% e 7%.
Outro custo que merece atenção é o do saque internacional com cartão de crédito. O custo dessa operação varia de banco para banco, mas normalmente envolve uma tarifa fixa por saque e a cobrança de juros, que começam a contar a partir do momento da retirada, como se fosse um adiantamento em dinheiro. Utilize apenas em situações de emergência.
A tabela a seguir compara as taxas de um banco convencional, um banco digital brasileiro e uma plataforma multimoeda internacional.
| Instituição | Spread cambial | Saque internacional |
| Itaú | 5,5% | R$ 25 +3,38% IOF |
| Nubank | 4% | 9,75% de juros ao mês +3,38% IOF |
| Wise | Não cobra | 2 saques gratuitos/mês até R$ 1.400; depois, R$ 6,50 + 1,75% por saque + 1,1% IOF |
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Cartão de crédito x outras formas de pagamento no exterior
Na hora de pensar em como levar dinheiro para a Europa, logo surgem as dúvidas: vale a pena usar dinheiro vivo? Habilito o uso do cartão de crédito no exterior? Devo abrir uma conta multimoeda e usar um cartão pré-pago?
A verdade é que o mix dessas estratégias costuma ser o ideal. Confira o comparativo de tarifas e perceba como a escolha do meio de pagamento pode fazer diferença no valor final.
Cartão de crédito x cartão pré-pago
No comparativo entre cartão de crédito e cartão pré-pago, chama atenção o percentual diferente de IOF. O cartão ofertado pela Wise, por exemplo, cobra apenas 1,1% porque a operação é considerada uma transferência entre contas de mesma titularidade, e não uma compra no crédito.
Quando você converte o valor para outra moeda, está basicamente enviando dinheiro para uma conta no exterior no seu nome. E como tudo é feito de forma antecipada, a taxa é menor e você ainda escapa da variação cambial de última hora.
| Cartão de crédito | Cartão pré-pago | |
| IOF | 3,38% | 1,1% |
| Tipo de câmbio | Comercial + spread | Comercial (sem spread) |
| Cobrança de juros | Sim, se houver atraso na fatura | Não tem porque é um cartão de débito |
| Taxas adicionais | Tarifa por saque + anuidade (se houver) | Tarifa por saque após emitir limite gratuito |
| Controle de gastos | Pós-pago (valor total apenas na fatura) | Pré-pago (você sabe exatamente quanto está gastando) |
Cartão de crédito x cartão de débito
O uso do cartão de débito internacional emitido por bancos brasileiros vem caindo em desuso — e há bons motivos para isso. A aceitação é limitada, o câmbio costuma ser menos vantajoso e as taxas são praticamente as mesmas do cartão de crédito, sem oferecer benefícios como pontos ou milhas.
Já para brasileiros que vivem na Europa e têm conta em banco local, o cenário muda. Graças ao SEPA (Single Euro Payments Area), transferências e débitos em euro funcionam de forma integrada, como se fossem operações domésticas. Cartões de débito de bancos europeus costumam ter boa aceitação, mas as taxas variam conforme o país e o banco.
Este comparativo foca nos cartões emitidos no Brasil, que são os mais utilizados por quem está viajando.
| Cartão de crédito | Cartão de débito | |
| IOF | 3,38% | 3,38% |
| Tipo de câmbio | Comercial + spread | Comercial + spread |
| Aceitação internacional | Alta | Baixa |
| Controle de gastos | Pós-pago (valor total apenas na fatura) | Imediato (descontado da conta corrente) |
Cartão de crédito x dinheiro em espécie
No caso do dinheiro em espécie, o IOF é de 1,1%, e já vem embutido na hora em que fazemos a troca numa casa de câmbio. Não aparece destacado no recibo, mas está ali, diluído na taxa final. Além disso, o câmbio usado para essa conversão é o chamado câmbio turismo, que costuma ser menos vantajoso do que o comercial.
No dia da consulta desse artigo, por exemplo, 12 de abril de 2025, o dólar comercial estava custando R$ 5,87, enquanto o dólar de turismo saía por R$ 6,08, ou seja, quase 4% a mais.
Agora adivinha quem une o melhor dos dois mundos — IOF de 1,1%, cotação comercial e nada de spread escondido? Isso mesmo: o cartão multimoeda da Wise.
| Cartão de crédito | Dinheiro em espécie | |
| IOF | 3,38% | 1,1% |
| Tipo de câmbio | Comercial + spread | Turismo |
| Controle de gastos | Pós-pago (valor total apenas na fatura) | Imediato (você vê o dinheiro acabando) |
| Praticidade | Alta (cartão físico ou digital) | Média (exige cuidado para evitar furto e roubo) |
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O cartão de crédito pode ser um belo aliado para viagens se você souber utilizá-lo a seu favor. E não se trata apenas de passar o cartão de crédito no exterior, mas de aproveitar os benefícios que ele pode oferecer no dia a dia e que fazem diferença na hora de viajar.

O universo de escolha de cartão de crédito tem se tornado mais complexo a cada ano. A todo momento surgem novos cartões top tier oferecendo vantagens — algumas realmente proveitosas, outras nem tanto — e quem se interessa pelo assunto e tem poder de compra pode (e deve) estar a par das novidades.
O que observar ao escolher um cartão
Não adianta querer uma resposta única para a pergunta “qual o melhor cartão de crédito?”. A verdade é que existem tantos cartões porque existem muitos perfis diferentes de compradores.
Um bom ponto de partida na escolha é observar a anuidade. Cartões com mais vantagens costumam cobrar taxas — entender se você está disposto a pagar por isso é um passo importante.
Depois, vale avaliar se o cartão oferece algum tipo de cashback, ou seja, um percentual de retorno que pode vir em forma de desconto na fatura, saldo em conta ou até mesmo pontos.
Aliás, pontuação também merece atenção. Verifique qual é a pontuação oferecida (normalmente é oferecida com base em cada USD 1 gasto), se há um programa de pontos próprio do banco e para quais programas de fidelidade é possível transferir.
Cartões de bancos digitais com melhor desempenho fora do Brasil
Se a ideia é economizar nas taxas e ter mais controle sobre os gastos, vale se inteirar sobre qual é a melhor conta digital internacional. Essas opções são práticas, acessíveis e ideais para quem viaja com frequência ou até mora fora.
Entre as mais usadas por brasileiros no exterior estão:
- Wise: IOF reduzido, câmbio comercial e cartão multimoeda com ótimo desempenho;
- Nomad: conta em dólar nos EUA, com app intuitivo e cartão aceito em diversos países;
- C6 Global: vinculado ao C6 Bank, permite saldo em dólar e integração com sua conta no Brasil;
- Inter Global: boa aceitação e integração com a conta Inter, mas com cobertura internacional mais limitada.
Cartões com benefícios para viagens
Alguns cartões oferecem benefícios extras — e nenhum deles está mais em alta do que o acesso a salas VIP em aeroportos. Esperar o voo em um ambiente confortável, com comida e bebida “de graça”, virou tendência. Entre os cartões que oferecem esse benefício, os mais fáceis de obter são o Inter One Mastercard Platinum e o C6 Carbon Mastercard Black.
Outra vantagem comum a inúmeros cartões é o oferecimento de seguro viagem. Os cartões mais robustos — normalmente das categorias Platinum, Black ou Infinite — costumam oferecer esse serviço. Mas vale analisar com cautela: na maioria dos casos, o seguro funciona na base do reembolso.
Dicas para usar o cartão de crédito no exterior com segurança e economia
Boas práticas ajudam a garantir que a viagem aconteça sem dores de cabeça. Isso vale especialmente para os assuntos mais burocráticos — como o uso do cartão de crédito no exterior.
Garantir que tudo está dentro dos conformes antes de embarcar permite que você foque no que realmente importa: aproveitar o destino.
Como evitar surpresas na fatura
Avisar o banco sobre o destino da viagem e o período em que você pretende usar o cartão de crédito no exterior é o primeiro passo. Isso aumenta a segurança e evita que transações legítimas sejam bloqueadas.
Depois, vale acompanhar os gastos em tempo real pelo aplicativo. Assim, você visualiza a cotação utilizada na conversão e entende melhor se está dentro do seu orçamento — ou se precisa pisar no freio nos próximos dias.
Escolher a moeda certa na hora do pagamento
Na hora de passar o cartão de crédito no exterior, pode aparecer a pergunta se você quer pagar na moeda local ou em reais. Pode até parecer mais vantajoso pagar em real — afinal, é a sua moeda e você já sabe quanto está gastando, certo? Errado.

Essa opção, chamada de conversão dinâmica de moeda (DCC, na sigla em inglês), costuma aplicar um câmbio muito mais desfavorável, com valores e taxas que tornam a compra ainda mais cara. Guarde bem essa dica: sempre escolha pagar na moeda local.
Cuidados com fraudes e clonagem
Seguro morreu de velho, já diria o ditado. Os mesmos cuidados que você tem no Brasil devem ser mantidos lá fora. Nada de se distrair na hora de pagar, evite entregar o cartão nas mãos de terceiros e, em compras online, prefira o uso de cartão virtual. Essa combinação reduz bastante o risco de uso indevido e de vazamento de dados.
Se notar qualquer movimentação suspeita, não hesite: entre em contato com o banco imediatamente e informe que não reconhece aquela compra.
Planeje-se antes da viagem
Organizar a viagem é uma valiosa maneira de já vivenciar o destino antes mesmo de embarcar. E, no caso de organização financeira, nos ajuda a manter os pés no chão com relação ao que podemos ou não gastar.
Acompanhe a variação cambial, analise o melhor momento para converter seus reais e avalie com calma qual cartão de crédito levar para o exterior.
Pronto! Agora é só escolher o cartão ideal, ficar de olho na cotação e organizar suas finanças antes do embarque.
Aline Bernardes