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Autor 58921

Roberta Schmoi Autor(a)

A importância de viajar sozinha depois da maternidade

Conteúdo criado por humano
4 min de leitura
Autor 58921 Roberta Schmoi

Viajar sozinha depois da maternidade me parecia impossível até a minha filha mais nova ter dois anos e meio. São muitas demandas físicas e mentais no primeiro ano da maternidade e quando uma separação temporária se torna viável, é fácil duvidar que seja possível.

Mulher com mochila em frente a rochas e mar da Escócia.

Que a maternidade é um luto e um renascimento, a gente já sabe. Mas, como isso se encaixa no contexto de mães viajantes?

Já contei aqui sobre como segui viajando depois de ser mãe. Adaptei as aventuras, mas elas continuaram a existir. Mostrar o mundo para meus filhos passou a ser uma missão de vida. Ainda é. Porém, viajar em família e viajar sozinha é diferente.

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Viajar sozinha com amigos

Quando digo viajar sozinha, me refiro também a ir para o mundo com um amigo ou amiga. Sozinha aqui é estar longe da família, em uma situação de resgate de si.

Quando viajamos com amigos, recuperamos a parte de nós que teve que ser arquivada para nos ajustarmos a um novo papel e à nova realidade que vem com ele. Por muito tempo parece que uma retomada, mesmo que parcial, de uma personalidade mais livre de preocupações e de interrupções noturnas é impossível, mas não é. 

Quando chega a hora que nos sentimos mais confortáveis para encarar uma distância maior da prole e passar os dias desbravando e conversando com amigos, os dias ficam mais longos, mas o contentamento de se reconhecer entre os aqueles que nos conhecem desde antes desta nova fase, não tem preço.

Quando fiz a minha primeira viagem sem minha família, já era mãe há 5 anos e minha filha mais nova tinha dois anos e meio.

Fui visitar minha melhor amiga na Escócia. Demorou uns dias para entender que não precisava começar o dia às 8 da manhã e para me acostumar novamente à dinâmica de não ter que carregar muitas coisas ou me preocupar tanto com logística ou lanches.

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Viajar totalmente sozinha

Viajar sozinha depois da maternidade pela primeira vez é um pouco como estar em uma realidade paralela. Algo que é extremamente familiar, mas ao mesmo tempo fora do eixo. O tempo parece ter outro passo e, pelo menos no meu caso, instala-se uma leve confusão, quase um estado de sonho.

Confesso que quando viajei sozinha pela primeira vez depois da maternidade, fiquei um pouco triste. Foi uma viagem a trabalho para Berlim, onde vivi por muitos anos e tenho vários amigos. Só que estar lá sem minha família, dormindo sozinha no apartamento de uma amiga, foi bem estranho. Senti falta das crianças, do meu marido e da minha casa. Me perguntei muitas vezes o que estava fazendo ali sem eles no fim do dia.

A segunda viagem a trabalho já não foi tão estranha e eventualmente acabei planejando uma viagem sozinha para realizar um sonho só meu. Um longo feriado se aproximava e, enquanto meu marido e filhos visitavam a família, fui fazer os últimos 100 km do Caminho de Santiago.

Uma mochila de trilha com capa laranja do lado direito da imagem. No meio um caminho de terra passa por entre árvores de uma floresta.
O problema da viagem totalmente sozinha é que não tem ninguém para tirar nossa foto. Foto: Roberta Schmoi

Nesta viagem, machuquei o pé e acabei voltando mais cedo. Por isso tive que ir novamente algumas semanas depois para completar o trajeto. Foram dias maravilhosos os quais passei andando na hora que eu queria, até a hora que eu desejasse e no meu próprio passo.

Optei por não me juntar a nenhum outro peregrino. Queria mesmo ter esta experiência de viver tudo sob meu olhar, sem outras influências. De ser dona exclusiva da minha atenção e de poder atender aos meus próprios desejos da maneira e momento que eles chegassem a mim.

Foi uma experiência maravilhosa e voltei transformada. A peregrinação solo foi exatamente o que eu precisava para me reencontrar em meu estado mais cru: sem demandas, só desejos e um trabalho — caminhar. O contexto espiritual do caminho foi um bônus.

Vale a pena gastar dias de férias sem a família?

Digo que sim. Claro que há muita beleza em compartilhar uma viagem com quem amamos, em mostrar o mundo para nossos filhos. Porém, nos reencontrarmos como indivíduos é uma necessidade que muitas vezes é posta de lado frente às demandas da maternidade.

“Quem sou agora quando meu filho não está por perto?”

Esta é uma pergunta que uma viagem completamente sozinha ou entre amigos pode responder. Se couber na sua realidade, uma viagem totalmente só ou com uma amiga de longa data pode ser revigorante.

Viajar sozinha depois da maternidade é muito importante. Eu já combinei uma viagem anual com a minha melhor amiga. Todo ano nos resgatamos por um fim de semana só das duas e volto mais presente, mais eu.

Autores

Roberta Schmoi
Roberta Schmoi
Roberta Schmoi escreve sobre viagens e tem mestrado da Unesco em Patrimônio da Humanidade. É especialista em interpretação da História e patrimônio desconfortável no meio urbano. Tem três livros publicados e participações em outros tantos. Hoje mantém o blog Mamãe Viaja e o Substack Estrangeira sobre viagem, imigração e patrimônio. Já visitou mais de 50 países e morou em alguns deles, incluindo a Alemanha, onde viveu por 12 anos antes de se mudar para Portugal.

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