Apesar da pandemia ter freado as viagens durante quase 2 anos, os números já batem a porta do recorde pré-pandemia. Em 2019, foram 440 milhões de turistas na Europa, em 2023, 428 milhões passaram pelo Velho Continente. A Europa é o continente que mais recebe visitantes a tendência é que a quantidade de viajantes continue a aumentar.
A Europa cansou do turismo?
O impacto na vida em uma cidade turística na Europa
O outro lado da moeda
Medidas restritivas para frear o turismo de massa
Não vai haver menos viagens, mas pode haver turistas melhores
Mas como o excesso de turistas impacta a vida na principais cidades europeias? Será mesmo que a Europa cansou dos turistas? Esse é um debate longo e com muitos pontos de vista, mas o que quero trazer é uma perspectiva geral da situação e uma reflexão para quem viaja.
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Quero meu roteiro personalizado →A Europa cansou do turismo?
De massa, talvez sim.
A alta temporada de 2024 começou com algumas notícias que podem impactar quem tem viagem marcada ou está planejando viajar para a Europa: manifestações contra o excesso de turistas têm acontecido em algumas cidades. Se você está se perguntando se deve se preocupar, a resposta é não, mas apresentamos o panorama para que você possa entender o contexto e viajar normalmente.
Em várias cidades europeias, moradores têm ido às ruas se manifestar contra o turismo — ou melhor, contra o impacto negativo que o turismo de massa têm gerado sobre a população.
Para se ter uma ideia, em 2023, foram quase 3 bilhões de diárias turísticas na Europa, número que representa 1,4% a mais que em 2019. E é preciso considerar que o setor tem um peso importante no PIB da União Europeia, cerca de 10%.
Mas, se o setor gera dinheiro e se os países investem em autopromoção e atrair viajantes, qual o problema?
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Quero meu roteiro personalizado →O impacto na vida em uma cidade turística na Europa
O maior problema do excesso de turistas na Europa está nas consequências que tem causado na vida dos moradores. E é contra esses impactos que as manifestações se proliferam por várias cidades do continente.
Entre os principais problemas listados nas manifestações estão:
Aumento do preço para morar
O problema da moradia nas grandes cidades europeias é um fato, especialmente em cidades como Lisboa, Barcelona e Veneza. E essa situação foi agravado pelo turismo.
Há duas décadas não havia Airbns: os apartamentos eram destinados aos moradores e os hotéis aos turistas. A mudança que se intensificou nos últimos anos fez com que muitos habitantes fossem empurrados para as periferias, deixando os centros das cidades para estrangeiros em curtas estadias.
Trocar hotéis por apartamentos turísticos é uma prática cada vez mais comumConsequentemente, os aluguéis aumentarem e o valor que se paga por um imóvel também, mesmo nas regiões periféricas. Essa é a principal queixa observada nas manifestações.
Preços mais altos no comércio
Existe preço de turista e a população local, se quiser comer ou comprar nas áreas centrais, precisa pagar esse preço e ele não é baixo.
O valor que você paga no dia a dia por uma refeição não é o mesmo que se dispõe a pagar quando está de férias. E outro ponto entra nisso, o poder de compra do viajante.
Claro que quando falamos do Brasil e nossa moeda desvalorizada, temos um poder de compra que geralmente é mais baixo. Mas quando analisamos o turismo na Europa como um todo, o poder de compra de quem vem dos Estados Unidos, do Oriente Médio e da Ásia é consideravelmente maior.
O mesmo se aplica ao turismo interno, os europeus do norte tem um poder de compra maior que os europeus do sul. Logo os preços aumentam e a população local precisa viver com a nova realidade.
O outro lado da moeda
Existem casos isolados, como os moradores de Barcelona que jogaram água em turistas, mas reflete em muito as insatisfações da população dos principais destinos turísticos europeus.
Isso não desvaloriza a importância do turismo porque os países reconhecem suas importância. Portugal, por exemplo, é um caso de sucesso ao vencer a crise (2010–2014), e muito desse sucesso é creditado ao turismo.
O país, mesmo pequeno em dimensões, passou a receber milhões de turistas do mundo inteiro e se tornou um dos destinos mais procurados na Europa. O mesmo se pode dizer da Grécia, que conseguiu se recuperar também fomentando o turismo.
Mas se o turismo é importante para a Europa, o que eles querem?
Turismo sustentável
Sustentabilidade é um termo muito usado no meio ambiente, mas se aplica muito bem ao turismo.
O turismo sustentável se alicerça em três aspectos:
- Uso adequado dos recursos ambientais;
- Respeitar a autenticidade sociocultural das comunidades;
- E assegurar que as atividades econômicas sejam viáveis no longo prazo.
Ou seja, é preciso haver um equilíbrio entre esses aspectos para que o turismo seja mais benéfico do que prejudicial. E nesse caso, cidades menos cheias, com mais qualidade de infraestrutura e preços justos também beneficia quem viagem.
Medidas restritivas para frear o turismo de massa
Em meio a uma insatisfação que não é nova, algumas cidades começaram a adotar medidas para mitigar o impacto do turismo. Algumas afetam diretamente os viajantes como as taxas turísticas, outras apenas preveem beneficiar a população local.
Barcelona e o fim dos apartamentos turísticos
Umas das medidas mais impactantes para mitigar os efeitos do turismo de massa, partiu da administração de Barcelo. O governo local anunciou a proibição do aluguel de apartamentos para turistas. Na cidade, assim como em muitas da Europa, é preciso uma licença do governo para que um apartamento receba turistas, e o governo já vinha adotando medidas de restrição.
Agora, o que foi anunciado foi o que até novembro de 2028, todas as licenças serão eliminadas conforme vencem. A cidade, em julho de 2024 tem 10.101 licenças.
Essa não é uma medida isolada, em 2023 o governo de Portugal proibiu a emissão de novas licenças para apartamentos turísticos até 2030.
Portos de cruzeiro com limite de desembarques
Cidades que recebem muitos cruzeiros, especialmente no Mediterrâneo, também passaram a adotar restrições para turistas.
O caso mais emblemático talvez seja Veneza, que recebe milhares de visitantes diariamente desembarcando de monumentais cruzeiros. Além da poluição causada pelos navios, o problema do excesso de pessoas também têm impactado a cidade e a medida em questão é a restrição do número de desembarques.
O excesso de turistas que desembarca em cada cruzeiro também é um problemaUm dos principais argumentos para as cidades que pretendem restringir os cruzeiros é o baixo retorno financeiro frente ao grande impacto na lotação das cidades. Como os cruzeiros oferecem toda a infraestrutura de alimentação e acomodação, apenas algumas horas em terra são suficiente para conhecer a cidade, sem deixar uma contrapartida.
Veneza e as taxas turísticas
Se você já viajou para a Europa provavelmente teve que pagar uma taxa turística em pelo menos uma cidade onde se hospedou. Apesar de não ser uma medida de restrição, ela funciona muitas vezes para custar melhorias na cidade que retornam especialmente para os moradores.
O valor pode ser pago tanto para pernoite em hotéis e apartamentos turísticos, quanto para quem está de passagem a partir de cruzeiros.
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Não vai haver menos viagens, mas pode haver turistas melhores
Começamos essa reflexão comentando sobre o aumento das viagens internacionais mundo afora. E elas não vão diminuir. Ainda que viajar fique mais caro, que as passagens aéreas para a Europa não sejam acessíveis a todos, viajar é um hábito que passou a fazer parte do lazer de muitas famílias.
E, com o aumento do poder de compra e as novas rotas aéreas, é natural que o turismo cresça. Mas sempre vale uma reflexão de como podemos ser melhores viajantes, inclusive, o manual de etiqueta para turistas pode ser uma boa inspiração.
Respeite as diferenças culturais
A Cultura reúne “comportamentos, tradições e conhecimentos de um determinado grupo” segundo a definição da Enciclopédia Significados.
Respeitar a cultura vai desde esperar o garçom direcionar a mesa ao chegar em um restaurante, seguir o código de vestimenta do local, não questionar que os estabelecimentos comerciais fecham durante o almoço em países que aderem a esse costume.
Entre tantas outras questões culturais que muitas vezes são motivo de crítica dos visitantes que vem de culturas diferentes.
O espaço público é compartilhado
Quando estamos viajando, especialmente em grupo, esquecemos que há outras pessoas no entorno. Muitas delas que vivem ali e estão cumprindo sua rotina diária.
Não falar alto no transporte público, assim como na rua, respeitar as pessoas que também estão a espera para tirar uma foto são pontos essenciais para que o turismo coexista em harmonia com os moradores locais.
E não vale apenas para o espaço na rua, vale ainda para prédios onde há apartamentos turísticos, é preciso respeitar quem ali vive.
Somos convidados
Quando estamos fora da cidade em que residimos, somos meros convidados. Ainda que não tenhamos recebido um convite direto, todo país que mantêm fronteiras abertas deixa um convite para ser visitado.
Entretanto, como convidados, é preciso respeitar a cultura, o espaço público e as pessoas.
Aprender algumas palavras locais como oi, obrigado, com licença, é importante para abordar as pessoas e agradecer. Seja ao pedir uma informação, para agradecer, para entrar em um restaurante.
Gentileza gera gentileza em qualquer lugar do mundo. E você, o que faz para ser um bom turista durante a sua eurotrip?