Se comer já é bom, unir comida e viagem é ainda melhor. E viajar comendo bem, então, é impossível não gostar! A gastronomia é um dos atrativos de uma viagem e muita gente, assim como eu, adora descobrir — in loco — novos sabores.
Cultura e gastronomia
Delícias pelo mundo
Pratos exóticos, provar ou não?
Na rua, como um local
Restaurantes: a busca pelos mais autênticos
Turismo de supermercado
Esse é o momento ideal para se aventurar e experimentar pratos, temperos e receitas até então desconhecidos. E assim, pelo paladar, pode-se conhecer melhor cada local, descobrindo a cultura por meio da gastronomia.
Visitar museus, conhecer monumentos e andar pelas ruas sempre fazem parte da minha programação, mas a viagem não estará completa se eu deixar de provar os pratos locais e, dessa forma, mergulhar verdadeiramente na cultura.
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Reflexo da cultura de um país, a culinária engloba alguns fatores como: a história — influências de outros povos com a colonização e imigração —, localização geográfica — disponibilidade de ingredientes utilizados — e as tradições do povo — rituais e costumes.
Muito mais do que apenas cores e sabores, a gastronomia reflete a identidade e as tradições de uma população. Ou seja, juntar culinária e viagem é uma forma de enriquecer os passeios pelo mundo.
Não é à toa que existe — e faz sucesso — o chamado turismo gastronômico, em que os turistas têm como objetivo principal explorar a culinária de uma região específica. Assim, participam de tours gastronômicos, visitam restaurantes conhecidos e mercados tradicionais e fazem aulas de culinária.
Embora nunca tenha participado de turismo gastronômico, gosto bastante de me inserir na cultura, provando temperos e pratos diferentes. Entre um museu e outro, uma caminhada e outra, experimento itens típicos e característicos do local em que estou, sejam de padaria, comidas de rua (os fast food típicos) e pratos tradicionais em restaurantes.
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Entre os lugares em que já estive, a Itália continua a ser meu top 10, o país com a melhor comida do mundo. Sim, assim como muitos, eu simplesmente amo uma pasta!
E lá a variedade é imensa. Em Cinque Terre, por exemplo, provei uma pasta que ainda não conhecia: trofie com molho pesto, um molho verde que leva manjericão, alho, azeite e queijo. Perfeito!

Porém, um parêntese polêmico aqui: embora a clássica pizza margherita de Nápoles seja excelente, a pizza brasileira é simplesmente imbatível e, para mim, nem a Itália supera. Mas, óbvio, nunca deixe de experimentar a pizza italiana. Mesmo porque, é bom salientar que a gastronomia de cada país tem características próprias e uma não tira o mérito da outra.
Voltando ao ranking, logo em seguida vem a Grécia e sua culinária mediterrânea. Saudáveis e de dar água na boca, pratos como moussaka, gyros, spanakopita ou salada grega viraram meus preferidos.
Muitos levam ingredientes como carne de cordeiro, queijo feta, temperos frescos como orégano e são regados com azeite de oliva. E tem ainda os doces super doces e de aparência chamativa, que lembram os brasileiros. Eu adoro!

A Turquia não fica atrás. Graças à proximidade geográfica e influência da gastronomia mediterrânea, sua culinária é parecida com a grega. Legumes, carnes de cordeiro e frango, iogurte, massa folhada e especiarias estão entre os principais ingredientes. E o aroma é único.
Meus preferidos são pide, kebab e börek, só para citar alguns. De sobremesa, o tradicional doce baklava, que aliás é encontrado na Grécia também.

E o que dizer da requintada culinária francesa com magret de canard e bouf bourguignon, o tradicional crepe, vendido praticamente a cada esquina, e os doces e pães. Afinal, quem é que não gosta de um croissant?
Na região da Alsácia, na França, fronteira com a Alemanha, há o típico flammkuchen, uma espécie de pizza, retangular ou oval, com massa bem fina. Uma delícia! E sorte minha que também tem muito aqui na Alemanha.
Já a Suíça, no inverno, é uma verdadeira perdição calórica, com fondue e raclette, ou seja, muito queijo e batata.
Na Áustria, assim como na Alemanha, tem o delicioso schnitzel com batatas. De sobremesa, sachertorte, uma torta de chocolate com damasco, inesquecível. Na Polônia, conheci o pierogi, um pastel recheado e cozido e, por sinal, muito bom!

Na Hungria, além do goulash, provei o famoso lángos, uma massa frita com cobertura.
E foi lá, aliás, que descobri que o doce trdelník, vendido em vários lugares na República Tcheca, tem origem húngara e até outro nome: kürtöskalács. Por ser servido bem quente, é conhecido como bolo de chaminé em português (chimney cake em inglês). Depois de pronto, é coberto com açúcar e pode ainda ter recheio.

Conheci ainda paella de frango e vegetais na Espanha e comi arancino na Sicília, aquele famoso bolinho de risoto que parece uma coxinha.
Pratos exóticos, provar ou não?
Apesar da minha incursão gastronômica, nem tudo consegui experimentar. Por causa do clima frio, a culinária da Escócia é bem pesada e muito diferente do que estamos acostumados. Em Edimburgo, por exemplo, não tive coragem de provar o café da manhã escocês, conhecido como full Scottish Breakfast.
É composto por feijão cozido e itens exóticos como haggis, feito com miúdos de ovelha cozidos dentro do estômago do animal (que também pode ser servido nas refeições, como prato principal) e morcela, uma linguiça feita de sangue de porco. Esse não deu…
E os escargots da França e frutos do mar de outros lugares também ficaram de fora do meu cardápio.
Por outro lado, mesmo não sendo fã de comida muito gordurosa, provei o fish and chips, prato mais famoso da Inglaterra.
Sim, já aconteceu de eu não gostar de algo, mas o inverso é muito mais frequente e o saldo sempre foi positivo. Em muitas viagens, conheci comidas e temperos diferentes e, aos poucos, fui ampliando meu paladar.
Na rua, como um local
Não é preciso ir a restaurantes sofisticados para experimentar a gastronomia local. Longe disso. Toda cidade normalmente tem uma feira de rua ou mercado fechado, em que se encontram não só produtos e ingredientes frescos como pratos feitos na hora a preços bem acessíveis. Basta descobrir quando as feiras acontecem e o horário de funcionamento.
Gosto bastante de visitar estes lugares e conhecer os alimentos da região. Até hoje me lembro do gosto dos morangos que comi em uma feira livre na região da Provence, na França. Deliciosos, docinhos e super vermelhos!
Nesta mesma feira, também havia pratos franceses e espanhóis (por causa da proximidade da região com o país) feitos na hora, assim como pães e queijos, tudo fresquinho. Por falar em Provence, foi lá que experimentei um sorvete delicioso de lavanda. Mais típico, impossível!

Aqui na Alemanha, sábado é dia de feira nas cidades, sejam elas grandes ou pequenas e até nas medievais. É uma ótima oportunidade para comer algo local, fresco, e, muitas vezes, com uma taça de vinho ou um copo de cerveja na mão, já que também há barracas que vendem bebidas.
Há ainda os famosos mercados gastronômicos, ótimos para conhecer a comida local, que estão presentes em muitas cidades: Madrid, Barcelona, Londres, Lisboa ou Budapeste, só para citar alguns que eu já fui. Nem sempre os valores são os mais baixos, mas vale muito a pena ter esta experiência.
Restaurantes: a busca pelos mais autênticos
Quanto aos restaurantes, costumo fugir de alguns específicos. Sabe aqueles que ficam bem em frente a algum ponto turístico, com garçons na porta, chamando cada pessoa que passa na rua? Esqueça, pois são os famosos pega-turistas. Certamente os pratos não terão a mesma qualidade e os preços serão bem acima do normal.
Mas como saber onde comer? Para procurar um bom restaurante, me rendi ao Google e é lá que faço a pesquisa, buscando aqueles com notas altas nas proximidades de onde estou. E fora das áreas turísticas. Sempre dá certo!
Acontece também de eu estar andando em alguma ruazinha e encontrar algum restaurante charmoso e aconchegante. Vejo no Google e, se tiver muitas avaliações positivas, eu entro. Esse também é um jeito de arriscar sem errar.
Adoro ir em locais típicos, aqueles frequentados pelos moradores. Quando visitei Bolonha, por exemplo, fui conhecer a famosa Universidade de Bolonha, a mais antiga do mundo, e decidi jantar por perto.
Encontrei um restaurante com notas altíssimas, aconchegante e frequentado por estudantes. A massa à bolonhesa, prato mais típico da cidade, estava simplesmente divina!
Turismo de supermercado
Confesso: gosto de ir em supermercados, não só na minha cidade, mas quando estou viajando. E isso mesmo se eu estiver hospedada em hotel.
Acho que é um passeio bem interessante — quando há tempo disponível — que possibilita conhecer os hábitos de consumo dos habitantes de uma cidade. E, aproveitando, vez ou outra, me aventuro a comprar algo para levar para casa.
Por exemplo, quando estive em Bari, no sul da Itália, conheci uma massa chamada orecchiette, em formato de orelhinha, e gostei. Vi as senhoras italianas sentadas em frente às suas casas, nas estreitas ruazinhas, fazendo-a e modelando-a com as mãos.
Então, sempre que vou para a Itália, procuro nos supermercados este macarrão, mas integral, já que não consigo encontrar na minha cidade.
Ainda sobre a Itália, é muito curioso ver a quantidade de prateleiras com macarrão e molho de tomate. É uma variedade que não tem fim! E no fim do ano, muito panetone.
Além disso, quando fico hospedada em apartamento, adoro comprar itens típicos do país para comer no café da manhã. Baguetes, croissants e queijos na França, queijo feta na Grécia. Sem contar os vinhos, para degustar à noite.
É isso, comida faz parte da vida e também da cultura!
Sei que cada pessoa tem um tipo de viagem, mas não é preciso se alimentar apenas de pizza, lanches de supermercado ou fazer as refeições em rede de fast food quando se vai para a Europa.
A culinária de cada país é riquíssima, com infinitas opções de lugares e pratos para comer e com todos os tipos de preços. Basta pesquisar e aproveitar o destino. Afinal, viajar também é se abrir para o mundo, é sair da rotina e se deparar com o novo. E voltar para casa com um repertório cada vez maior de sabores, aromas… e culturas.
E você, também embarca em aventuras gastronômicas mundo afora?