Como uma grande apaixonada por viagens e voluntariados pelo mundo, me surpreendi com encontros significativos, experiências e o frio acompanhado de chuva e vento que não pode faltar na terra do rei. A Escócia foi uma viagem inesperada que mudou completamente o rumo das minhas futuras viagens. Voluntariei em um dos maiores hostels do país, o que me proporcionou a oportunidade de explorar toda a Escócia além de sua capital, Edimburgo.

Vem comigo que vou te contar como foi viver nesse conto de fadas, com direito a castelos, cidades medievais, uísque, kilt e romance, na minha experiência de voluntário conhecendo Edimburgo.

A busca pelo próximo destino como voluntária

Outubro de 2022, estava eu no final do meu voluntariado na Irlanda, pensando para onde seria minha próxima viagem. Não poderia ir para a área de Schengen porque tinha passado o verão na Espanha e meu tempo de visto ainda não havia acabado.

Então minhas opções não eram muitas dentro da Europa. Um amigo que também estava como voluntário me indicou a cidade de Edimburgo. Ele tinha acabado de voltar de lá e não conseguia esquecer como a cidade era encantadoramente incrível.

Eu, no meu patamar de viajante experiente, não dei muita bola, mas pesquisei sobre a capital e fiquei apaixonada pelas fotos de Natal. Tenho que confessar que tenho uma queda por luzinhas natalinas. Então estava decidido, eu iria para Edimburgo, agora é insistir com um voluntariado na cidade para ficar nos próximos 6 meses.

A busca de um hostel para ser voluntária

Enviei muitas mensagens e recebi muitos “nãos”. Poderia me candidatar para cidades na região, mas isso não era suficiente para mim. Eu queria ficar na capital escocesa e não nas redondezas.

Até que recebi um convite para ser voluntária, mas a oferta era em um barco na Inglaterra. Não era o que eu sonhava, porém parecia que era o que eu iria conseguir. Fiz a entrevista, fui aprovada e estava prestes a comprar a passagem até que fui confirmada em um dos maiores hostels da Escócia, de frente para o castelo de Edimburgo e com filiais por todo o país.

Dei pulos de alegria. Estava acontecendo! Enviei uma mensagem para o barco inglês pedindo mil desculpas, mas eu sentia que precisava ir para outro lugar. Eles não me responderam, provavelmente ficaram chateados, mas eu tinha o pressentimento de que essa era a decisão correta.

A chegada em Edimburgo

Quando desci do trem no centro de Edimburgo e me deparei com aquela cidade que parecia ter saído de um livro medieval, tive a certeza de que fiz a escolha certa. Fiquei um tempo com a mochila nas costas, processando a informação do que estava acontecendo e de onde eu estava. Era tudo muito lindo e não importava para onde eu olhasse, tudo chamava a atenção.

Podia passar horas ali e começar a explorar a cidade com as malas junto naquele momento. Comecei a subir o morro em direção ao castelo e comecei a me sentir como em Harry Potter, o que faz todo sentido já que J.K. Rowling escreveu e se inspirou na cidade.

Quando cheguei ao hostel, os recepcionistas me receberam super bem e fizeram um tour pelo castelo. O nome era Castle Rock Hostel, e eu pensava que isso era porque ficava ao lado do castelo de Edimburgo, mas mais do que isso, ele era um castelo de 7 andares! Tinha sala de música, um lounge com dois pianos, sala de informática com dois computadores, um lounge principal de dois andares, uma sala de cinema e uma cozinha com dois ambientes.

Rua em Edimburgo com pessoas caminhando
A primeira e todas as outras impressões de Edimburgo foram positivas

Os voluntários tinham direito a usar todos os lugares do hostel sem nenhum impedimento. Tínhamos direito a uma caixa e um espaço na estante para guardar a comida separada dos hóspedes. A sala de cinema, fora dos horários de filme, também podia ser agendada pelos voluntários para uso pessoal.

O piso -2 era onde ficavam os 5 quartos de voluntários, 3 femininos e 2 masculinos, além dos banheiros, o pátio e o jardim, tudo livre para uso. Meu quarto era o 13, conhecido como o pior quarto feminino no estilo clássico de hostel. Em um primeiro momento, confesso que me assustei, mas depois tive a oportunidade de mudar de quarto e não o fiz. Ali era parte da minha casa e estava confortável demais.

A rotina de voluntariado

No dia seguinte, era folga para mim, pois acabara de chegar, mas me apresentaram o sistema do hostel com meu login e senha. Basicamente, era onde ficava registrado tudo o que cada um dos 60 voluntários tinha que fazer e a hora.

Tínhamos que trabalhar 14 horas por semana. Caso trabalhássemos mais, essas horas poderiam ser usadas para outros dias. Por exemplo, se eu trabalhei 20 horas, 6 horas poderiam ser usadas para eu ter mais folgas em outra semana, ou eu poderia usá-las para me hospedar em outra filial do hostel em toda a Escócia.

Parecia um sonho, eu ia poder conhecer o país inteiro voluntariando. As 14 horas eram pensadas como se fosse um pagamento de um trabalhador normal. O salário é mais ou menos 10 libras por hora, e uma cama no hostel custava em média 20 libras, então eles pediam 2 horas por dia como um “pagamento” pela hospedagem.

As atividades eram diversas, desde limpeza até recepção e administração de eventos e fotografia. Todo final de semana, o sistema abria para podermos escolher o que íamos fazer na semana e quantas horas. Eu, por exemplo, gostava de fazer turnos durante a manhã para ficar livre o resto do dia, ou algum evento à noite como fotógrafa, porque assim podia conhecer pessoas novas além de ganhar bebidas grátis.

Explorando Edimburgo nas muitas horas vagas

Como eu tinha total liberdade para administrar meus horários no hostel, tinha muito tempo livre para explorar a cidade.

Fui praticamente em todos os lugares, menos o Castelo de Edimburgo. Sim, eu sei! Como eu não conheci o castelo morando literalmente ao lado dele? Acho que foi justamente por isso, eu via esse castelo literalmente todos os dias, então acabei deixando para ser uma das últimas coisas que iria fazer, até que não fiz. Acontece, mas em compensação, segue a lista de lugares que visitei.

Fui ao Museu Nacional da Escócia, que é gratuito, e recomendo muito. Tem várias coisas interativas e é bem interessante. Existem várias galerias pela cidade, e a maioria é gratuita, vale muito a pena. As obras te surpreendem e há artistas que você desconheceria se não fosse ali.

A famosíssima rua Royal Mile, onde um dos hostels que fazem parte do Castle Rock Hostel ficava bem ali. O Monumento de Scott no centro da cidade, passei por ele incontáveis vezes e sempre ficava encantada. Por fora é grátis, mas se você quiser subir e ver a cidade lá do alto, é preciso pagar.

Princes Street Gardens com jardim florido e colorido e bancos ao longo do caminho

Os Princes Street Gardens eram um lugar que eu adorava ir com um café e caminhar admirando a beleza da cidade. É um parque no centro de Edimburgo que faz você se esquecer que está em uma cidade, e é lá que fica a famosa fonte com o castelo ao fundo.

A Catedral de Santo Egídio fica em direção ao hostel em que morava, também é gratuita e vale a visita se você for ficar muito tempo na cidade, como eu fiquei.

Acrescente também o Real Jardim Botânico de Edimburgo, um dos jardins mais bonitos da Europa, que é totalmente gratuito. A Dean Village é um bairro muito charmoso e um ponto turístico muito comum. Você é transportado para um conto de fadas ao andar pelas ruazinhas e olhar as casinhas da região. Perdi a conta de quantas vezes fui ao Arthur’s Seat e fiz piquenique no Calton Hill.

Um pulo pelas Terras Altas

Lembra que eu falei que podíamos acumular horas e usar em outra filial do hostel? Além disso, tínhamos também descontos nos tours para as Terras Altas. Agendei um tour com as amigas que fiz no hostel e pagamos nossa hospedagem com horas extras. Foram 3 dias com o guia apresentando cada lugarzinho onde parávamos. Conheci a famosa vaquinha escocesa, o campo de batalha Culloden Battlefield, procurei o monstro do Lago Ness e fui na montanha The Old Man of Storr.

Festas, namoro, amizades e trocas culturais no hostel

A melhor parte de se viver em um hostel são as pessoas que você pode acabar conhecendo. O Castle Rock Hostel tem muitos voluntários, o mínimo são 60, mas pode chegar a 80, se não me engano, cada um de uma parte do mundo. Além disso, tem eventos todas as noites: Pub Crawl, Noite de dança escocesa, noite do Whisky, filmes e jogos.

Sua rede de contatos aumenta de uma forma que você nem imaginava que era possível. Com várias culturas reunidas, você acaba aprendendo um pouco do idioma e prova comidas de países que ainda nem visitou.

Faz muitas amizades, aprende a dizer adeus porque sempre tem alguém chegando e vários partindo para novas histórias. Suas redes sociais ficam repletas de pessoas que te ofereceram casa quando você for para determinado lugar.

Com a minha experiência no meio de tudo isso, sempre haverá alguém do Brasil, porque estamos espalhados por todo o mundo, é um fato. No meu caso, uma dessas pessoas é o Luiz, meu atual namorado. Nós nos conhecemos no hostel em Edimburgo há pouco mais de um ano, e agora viajamos o mundo juntos.

Por isso, fico chocada quando alguém me diz que tem medo de ficar sozinho. Acredite, você vai ficar frustrado às vezes porque não consegue ficar sozinho.

Lições aprendidas e impacto do voluntariado em Edimburgo

É incrível como seis meses podem proporcionar tantas experiências inesquecíveis em uma cidade. Se eu ficasse aqui falando sobre cada cantinho que visitei durante esse tempo em Edimburgo, acho que não conseguiria transmitir tudo o que vivi. Por isso, meu conselho é: vá, mesmo que sozinha. Não espere por ninguém, apenas viva o que sente que te fará bem.

Para mim, seria impossível pagar por uma hospedagem na capital da Escócia por tanto tempo. Mas não aceitei simplesmente que isso não poderia acontecer. Insisti em encontrar formas de fazer acontecer, porque era o que eu queria e sentia que me faria bem. Estava certa. Foi um dos melhores voluntariados que já fiz.

O que é o programa de voluntariado?

Ficou curioso para entender o que é um programa de voluntariado? Muitos viajantes utilizam o voluntariado para economizar em hospedagem e, às vezes, até mesmo em comida. Duas das plataformas mais conhecidas são a Worldpackers e o Workaway, onde você encontra diversos lugares pelo mundo que oferecem hospedagem em troca de algumas horas de trabalho.

Particularmente recomendo a Worldpackers, por ser brasileira e por oferecer um seguro que te dá todo o suporte caso a viagem não saia como planejado, incluindo o reembolso completo em algumas situações. Já passei por isso e fui auxiliada em tudo, então recomendo porque é realmente bom.

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