Se você vai visitar amigos ou familiares na Europa e não tem reserva em hospedagem, você precisa ter uma carta convite que explica às autoridades onde você ficará e quem se responsabilizará pela sua estadia.
O que é uma carta convite?
Como deve ser a carta convite?
Regras para carta convite nos principais países da Europa
Exemplo de modelo de carta convite
A carta convite garante a entrada na Europa?
Documentos que devem complementar a carta convite
Dicas para evitar problemas na imigração
Neste artigo, você vai entender o que é a carta convite, quando ela substitui uma reserva de hotel, o que precisa constar, regras em diferentes países, documentos complementares para levar e como reduzir riscos na imigração. Acompanhe!
O que é uma carta convite?
A carta convite é um documento utilizado quando o viajante vai se hospedar na casa de amigos, familiares ou conhecidos no exterior.
Basicamente, ela funciona como uma declaração formal do anfitrião, informando às autoridades de imigração onde o visitante ficará hospedado, por quanto tempo e qual é a relação entre as partes. Na prática, esse documento substitui a reserva de hotel como comprovação de hospedagem.
Ao emitir a carta convite, o anfitrião assume responsabilidades durante o período indicado, como garantir o alojamento do visitante e, em alguns países, responder por eventuais custos relacionados à permanência ou ao retorno do convidado, caso seja exigido.
Também é essencial que o anfitrião tenha residência legal no país, já que isso pode ser verificado pelas autoridades de imigração no momento da entrada.
Na Europa, cada país estabelece regras próprias para esse tipo de documento. Por exemplo:
- Em Portugal, o documento oficial passou a ser tratado pela AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo);
- Na França, deve ser solicitado na prefeitura;
- Na Espanha, é emitido via Polícia Nacional mediante procedimento específico.
Agora, vamos entender melhor como a carta convite funciona e já riscar mais esse item do seu checklist de viagem!
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Agendar minha conversa →Situações em que ela pode substituir reserva de hotel
Quando você vai ficar na casa de amigos ou familiares durante a viagem. Nesses casos, a carta convite pode substituir a reserva de hotel como comprovação de hospedagem no momento da imigração, desde que mostre de forma clara onde você ficará e quem está te recebendo.
Mas atenção: nem todos os países tratam esse documento da mesma forma. Como adiantamos, cada destino tem suas próprias exigências, como modelo específico, documentos anexos ou validação da assinatura do anfitrião.
Por isso, sempre que existir um formulário oficial, vale a pena utilizá-lo. Isso evita questionamentos desnecessários e deixa sua entrada no país muito mais tranquila.
Como deve ser a carta convite?
Uma boa carta convite não precisa ser complicada, mas precisa ser bem feita. E, sobretudo, precisa ser clara, completa e verdadeira. Ela precisa ter:
- Identificação completa do anfitrião: nome, data de nascimento, nacionalidade, número do documento (cartão de cidadão, NIE, DNI ou título de residência), endereço completo e contato;
- Identificação do convidado: nome completo, data de nascimento, número do passaporte, nacionalidade e período da estadia;
- Endereço exato da hospedagem e as datas previstas de entrada e saída;
- Declaração explícita de responsabilidade, informando que o anfitrião irá receber o visitante durante aquele período e, quando aplicável, assumir despesas relacionadas à estadia;
- Assinatura do anfitrião, com local e data;
- Indicação dos documentos anexos, como cópia do documento de identificação do anfitrião e comprovante de residência.
Independentemente da forma, a veracidade das informações é crucial: declarações falsas podem levar à recusa do viajante na fronteira e a sanções para o anfitrião.
A carta convite precisa ser preenchida à mão?
Aqui entra um ponto importante que costuma gerar dúvidas. Não existe uma regra geral dizendo que a carta convite precisa ser preenchida à mão. Ela pode ser preenchida digitada ou manualmente. O que realmente faz diferença é a assinatura válida e a apresentação do documento original.
Em países como Portugal, por exemplo, as autoridades exigem o reconhecimento da assinatura em cartório quando o documento não é assinado presencialmente.
Na prática, versões impressas com assinatura original (não escaneada) e reconhecimento de firma costumam ser melhor aceitas na imigração do que cópias digitais ou documentos apenas assinados eletronicamente.
Também é importante saber que, em situações pontuais, o agente de imigração pode:
- Entrar em contato com o anfitrião para confirmar as informações;
- Solicitar esclarecimentos adicionais sobre a hospedagem.
Por isso, sempre que existir um modelo oficial do país, a melhor escolha é utilizá-lo exatamente como orientado pela autoridade local. Isso reduz interpretações diferentes e evita constrangimentos.
Duração da estadia e responsabilidades do anfitrião
A carta deve indicar o período exato (ou estimado) da visita.
Ao assinar, o anfitrião pode estar se responsabilizando por: garantir alojamento, cobrir despesas de afastamento (retorno forçado) e, eventualmente, responder por eventuais custos ligados ao visitante.
Em Portugal, o “Termo de Responsabilidade” tem força legal. Na França e Espanha, a documentação oficial também prevê obrigações para o anfitrião.
A carta convite precisa de Apostila de Haia?
Na maioria dos casos, não. A Apostila de Haia autentica documentos públicos, como certidões e atos emitidos por autoridades oficiais, garantindo sua validade internacional.
Como a carta convite geralmente é um documento privado, redigido e assinado pelo próprio anfitrião, ela não costuma exigir Apostila de Haia. Dependendo do país, as autoridades podem solicitar que o anfitrião reconheça a assinatura em cartório ou utilize um formulário oficial, que já atende aos padrões exigidos localmente.
Para cumprir esse papel, o anfitrião deve redigir a carta no idioma oficial do país de destino ou incluir uma tradução, quando exigido, e apresentar o documento original com assinatura válida.
A Apostila de Haia só entra em cena em situações específicas. Por exemplo, quando o anfitrião valida a carta convite em cartório, quando se solicita tradução juramentada ou quando o documento faz parte de um processo oficial, como o pedido de visto.
Sempre confirme as exigências junto à autoridade do país de destino. E, se o seu caso envolver tradução juramentada ou apostilamento, a eTraduções é uma opção confiável para realizar esses serviços de forma 100% online, com documentos certificados e aceitos oficialmente.
Regras para carta convite nos principais países da Europa
Nem todas as “cartas convite” são iguais, por isso, te mostramos como são utilizadas em Portugal, França e Espanha — países que geram muita curiosidade entre os viajantes brasileiros.

Use como orientação inicial e confirme sempre nos sites oficiais antes de viajar. Leve o original do documento e cópias digitalizadas.
Carta convite Portugal
Em Portugal, a carta convite é oficialmente chamada de Termo de Responsabilidade e é disponibilizada pela AIMA, órgão que substituiu o antigo SEF. Atualmente, o Modelo 4 é o formato recomendado para esse tipo de declaração.
Desde o final de 2024, a AIMA orienta que o anfitrião reconheça a assinatura em cartório, por advogado ou solicitador, caso o termo não seja assinado presencialmente perante um representante do órgão.
Também é indicado anexar a cópia do documento de identificação do anfitrião e um comprovante de residência em Portugal, o que ajuda a evitar questionamentos na imigração.
Para ilustrar como esse cuidado faz diferença, vale compartilhar uma experiência pessoal: em 2017, eu, Ane, ao entrar em Portugal, precisei fazer uma videochamada com meu irmão diretamente no balcão da imigração, com o oficial presente.
Meu irmão teve que mostrar que estava em Lisboa e que realmente iria me hospedar. Na época, ainda não existiam orientações tão padronizadas sobre o Termo de Responsabilidade, e por isso o agente chegou a considerar exigir a presença física dele no aeroporto. Felizmente, a chamada foi aceita como prova.
Hoje, com regras mais claras e modelos oficiais disponíveis, seguir exatamente as orientações da AIMA reduz bastante o risco de situações como essa.
Carta convite França
Na França, o anfitrião deve solicitar o documento oficial, chamado attestation d’accueil, na prefeitura (mairie) de seu local de residência. Para isto, é necessário usar o formulário oficial (CERFA) e seguir as instruções.
A prefeitura só emite o documento após verificar as condições do alojamento e a identidade do anfitrião.
No caso da França, as autoridades costumam exigir o documento original no momento do pedido de visto ou, quando aplicável, na entrada no país.
Carta convite Espanha
Na Espanha, a carta de invitación é formalizada via Polícia Nacional: existe um formulário oficial e um procedimento que inclui agendamento, apresentação de documentos do anfitrião (identidade, comprovante de residência, pagamento de taxa) e emissão do documento com número de expediente.
A Polícia Nacional disponibiliza o PDF do modelo, além de informações adicionais para consulta no site oficial.
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Abaixo simulamos um modelo genérico para você se familiarizar. Veja como um exemplo base e acrescente os anexos solicitados pelo país de destino. No entanto, quando houver um modelo oficial, use-o obrigatoriamente.
Eu, [NOME COMPLETO DO ANFITRIÃO], nascido(a) em [dd/mm/aaaa], portador(a) do documento [tipo e nº], residente à [ENDEREÇO COMPLETO], telefone [xxxx], declaro que receberei em minha residência o(a) Sr.(a) [NOME COMPLETO DO CONVIDADO], portador(a) do passaporte nº [XXXXX], nascido(a) em [dd/mm/aaaa], nacionalidade, durante o período de [data de entrada] a [data de saída aproximada]. Declaro ainda que assegurarei alojamento e condições básicas de subsistência durante a estadia, e que assumirei as despesas de afastamento, se necessário. Anexo: cópia do documento de identificação do anfitrião, comprovante de residência e [outros documentos exigidos pelo país]. Local e data: [cidade], [dd/mm/aaaa] Assinatura: _____________
(Reconhecimento de firma em cartório / Notário, se exigido).
Salve o arquivo em Word/PDF, imprima, preencha e assine.
Muitos agentes de imigração (especialmente em Portugal) preferem ver o documento original, com:
- Assinatura original (não escaneada);
- Reconhecimento de firma visível;
- E, em alguns casos, o formulário impresso e preenchido à mão acaba sendo mais facilmente aceito, justamente por transmitir mais “autenticidade”.
Por isso surgem relatos de viajantes questionados quando apresentam:
- Cópia digital impressa;
- Documento assinado e escaneado;
- Ou formulário sem reconhecimento de assinatura.
Não é que o preenchimento à mão seja obrigatório por lei, mas o original físico com assinatura válida costuma ser melhor aceito.
Em países como França e Espanha, a discussão é diferente porque o viajante recebe um documento oficial já validado pela autoridade (prefeitura ou polícia). Por isso, não há dúvida sobre a veracidade da carta convite.
A carta convite garante a entrada na Europa?
Não necessariamente. A carta convite é uma das provas que você pode apresentar, mas a decisão final cabe ao oficial de fronteira. Tudo o que é solicitado no controle tem o objetivo de garantir que a entrada seja legítima e evitar permanência irregular no país.
Por isso, a carta convite funciona quando vem acompanhada de outros documentos que provem a veracidade e a preparação de uma viagem para um breve período, ou até 90 dias.
Então, se você está planejando todos os detalhes, desde a compra da passagem até a escolha da mochila para a viagem de avião, saiba que, para brasileiros que viajam à Europa, especialmente aos países que fazem parte do Tratado de Schengen, a carta convite sozinha não é suficiente.
Outros comprovantes continuam a ser exigidos e podem ser solicitados pelo oficial no momento da entrada.
Documentos que devem complementar a carta convite
Além da carta, os documentos para viajar para Europa são:
- Seguro viagem válido. Faça a cotação aqui e encontre o seguro viagem ideal para você entrar na Europa;
- Passagem de volta;
- Comprovantes de recursos financeiros;
- Documentos que demonstrem vínculos com o país de origem;
- No caso de visto, a confirmação do processo consular.
A carta convite ajuda, mas não garante a entrada por si só. A seguir, detalhamos o que os demais documentos precisam abranger.
Seguro viagem obrigatório
O seguro viagem não é apenas uma recomendação: ele é obrigatório para entrar nos países do Espaço Schengen. O Tratado exige uma cobertura mínima de 30 mil euros para despesas médicas, hospitalares e repatriação, válida durante todo o período da viagem e em todos os países que você pretende visitar.
Na hora da imigração, o agente pode pedir a apólice, então vale levar o documento impresso ou salvo no celular e conferir se as datas e destinos estão corretos.
Para comparar planos, entender as coberturas e escolher um seguro adequado ao seu perfil de viagem, o Seguros Promo é uma opção prática e confiável tanto para fazer essa pesquisa sem complicação quanto para comprar o seguro com um ótimo custo-benefício.
Passagem de volta e comprovação de recursos financeiros
Se você é brasileiro e não tem cidadania europeia, viajar com a passagem de volta ou de continuação da viagem é essencial. Muitas companhias aéreas e agentes de imigração pedem essa comprovação para confirmar que você pretende deixar o país dentro do prazo permitido. Leve o bilhete impresso ou em PDF, fácil de acessar no celular.
Já a comprovação de recursos financeiros mostra que você consegue se manter durante a viagem. Em geral, extratos bancários dos últimos três meses são aceitos, inclusive de contas digitais, desde que tragam claramente o nome do titular, saldo disponível e movimentações recentes.
A Wise facilita esse processo porque permite gerar extratos em PDF diretamente no app, prontos para impressão ou envio digital. Além disso, o cartão Wise é aceito em mais de 160 países e territórios. Já a conta multimoeda permite manter e operar em cerca de 40 moedas. Ou seja, ajuda tanto para pagamentos quanto para câmbio durante a viagem.
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Cópia do documento do anfitrião e comprovante de residência
Peça ao anfitrião para enviar cópia do documento (cartão de cidadão, DNI, NIE, título de residência) e comprovante de endereço (contrato de aluguel, fatura de serviço, ou certificado da câmara) — muitas prefeituras e repartições pedem esses anexos.
Esses documentos dão robustez à carta convite e facilitam a aceitação no controle de fronteira.
Comprovação de vínculo no Brasil
Embora não seja obrigatório, apresentar documentos que demonstrem vínculos com o Brasil — carteira de trabalho, declaração de matrícula, comprovante de renda, propriedades — fortalece a ideia de retorno ao país de origem e reduz a chance de questionamentos na imigração. Leve originais e cópias, especialmente se for solicitante de visto.
Na situação que contei há pouco, eu, Ane, não consegui comprovar vínculos com o Brasil. Tinha acabado de ser demitida, mas já tinha planejado a viagem a Portugal há meses. Tinha passagem de ida e volta, seguro, tudo, menos esse item. Além disso, meu irmão preencheu a carta convite no computador, assinou à mão e depois a digitalizou de forma simples para impressão.
Imagino que esses detalhes provavelmente chamaram um pouco a atenção do oficial na imigração. Ainda assim, contornamos a situação com paciência e orientação, e o oficial liberou a entrada.
Dicas para evitar problemas na imigração
Mesmo com a carta convite correta e todos os documentos em mãos, o momento da imigração costuma gerar ansiedade em muitos viajantes. Isso acontece porque o oficial de fronteira pode fazer perguntas, solicitar comprovantes adicionais ou pedir esclarecimentos sobre a viagem.
A boa notícia é que, com organização, preparo e uma postura adequada, é possível passar por esse processo de forma tranquila.

A seguir, reunimos dicas práticas e realistas para minimizar riscos, responder com segurança e evitar contratempos na imigração europeia.
Leve tudo impresso e organizado
Tenha uma pasta com originais e cópias: passagem de volta, apólice do seguro viagem, extratos bancários, comprovante de hospedagem ou carta convite original.
Nesse último caso, peça também uma cópia do documento de identificação do anfitrião e o comprovante de residência. Lembre-se ainda de que a carta convite deve estar no idioma do país onde ficará hospedado pelo anfitrião.
Documentos digitais ajudam, mas o original impresso costuma facilitar a leitura do agente.
Responda com calma e segurança ao oficial da imigração
O oficial de imigração fará perguntas comuns, como o motivo da viagem, onde você ficará, o tempo de permanência e a fonte de recursos.
Responda tudo objetivamente, com os documentos à mão. Evite respostas confusas. A clareza diminui suspeitas.
Ter um plano alternativo de estadia
É recomendável ter um plano B: reserva flexível de hotel ou hospedagem alternativa (pode ser uma pré-reserva cancelável).
Caso as autoridades queiram confirmar onde você ficará, ter uma reserva em hotel reduz o estresse. Indicamos o Booking porque sabemos que é uma ótima alternativa para reservas com cancelamento.
Por fim, a carta convite serve como uma grande aliada para quem quer economizar e se hospedar na casa de amigos ou familiares na Europa, desde que o viajante a prepare corretamente, acompanhada de toda a documentação exigida.
Entender as regras específicas de cada país, manter as informações sempre verdadeiras e organizar bem os comprovantes de viagem faz toda a diferença no momento da sua chegada.
Com planejamento e atenção aos detalhes, você aproveita a experiência de visitar a Europa com mais segurança e ainda aproveita para matar as saudades de quem te espera no destino. Boa viagem e aproveite!
Ane Pacola