Sabe aquela imagem de filme de Natal que combina luzes, enfeites, atmosfera festiva, inverno (mas nem sempre com neve) e comida que aquece o corpo e o coração? Essa é a sensação que tenho nos períodos dominados pela magia dos Mercados de Natal europeus.
Clima de Natal na Europa
Delícias de Natal
Outros mercados pela Europa
Devolver ou colecionar canecas?
Artesanato natalino
Tradição natalina secular
Quem já esteve em algumas regiões do Velho Continente no fim do ano sabe o quanto este momento é especial. Durante aproximadamente um mês, entre o final (ou meados) de novembro até o fim de dezembro, acontecem os Mercados de Natal, eventos mágicos que encantam não só as crianças, como os adultos.
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Para nós, brasileiros, é diferente de tudo o que conhecemos. A disposição pode até lembrar um pouco a festa junina, com dezenas ou centenas de barracas vendendo comida, bebida e artesanato. Ainda assim, é diferente. E apaixonante.
Há vários nas grandes cidades. Normalmente há um principal e outros espalhados pelos bairros. Em meados de novembro, a paisagem já começa a mudar e tomar forma. As principais praças ganham decoração natalina, com luzes, ornamentos e uma árvore de Natal gigante. E é onde são montados os estandes, muitas vezes em formato de casinhas de madeira.
Nesse período do ano, os mercados são a principal atração para moradores e turistas e se tornam ponto de encontro de casais e amigos. As barracas funcionam o dia todo, mas é ao escurecer, a partir das 16 horas (sim, o inverno tem bem poucas horas de luz), que ficam mais especiais, com o charme da iluminação.
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De longe, já dá para sentir o aroma de amêndoas caramelizadas torradas. É irresistível, assim como o vinho quente — Glühwein, em alemão — a principal bebida que esquenta o corpo nos dias gelados do inverno europeu. Também tem chocolate quente, puro ou com licor, ponche e outras bebidas.
Quanto às comidas, podem ser diferentes dependendo da região, mas todas são deliciosas. É uma verdadeira perdição, por isso esse é o momento para esquecer um pouco a dieta.
Em qualquer mercado daqui da Alemanha nunca vai faltar o Bratwurst, o típico cachorro-quente com a salsicha grelhada maior que o pão. Há ainda outras gostosuras como:
- Salmão grelhado;
- Bolinhos de batata;
- Lanches com carne de porco ou de pato;
- Massa preparada na hora dentro de um queijo gigante;
- Champignon com creme branco;
- Raclete;
- Flammkuchen;
- Crepes variados.
Além destas comidas, eu também adoro um pão chamado Handbrot ou Dresdner Handbrot (em português, Pão de Dresden). Servido bem quente, é assado na hora, com recheio de presunto e queijo ou champignon, e um molho branco por cima.
Depois de comer salgado, vai bem partir para a sobremesa. Há desde as deliciosas amêndoas caramelizadas até chocolate artesanal, lebkuchen (um pão de mel maravilhoso feito com especiarias), itens de padaria típicos da Alemanha e crepe com recheios doces. Ou seja, ninguém passa fome nos Mercados de Natal.
Sim, em geral as comidas são pesadas, já que no fim do ano a Europa está em pleno inverno. Outro detalhe é que os preços vêm subindo a cada ano, então é bom preparar a carteira. Apesar disso, os mercados estão sempre lotados, principalmente à noite e aos finais de semana.

Com raras exceções, os estandes não costumam ter mesas ou lugar para sentar, então, funciona assim: come-se em pé, ou no máximo em frente a uma mesa de apoio (há algumas distribuídas pelo local).
Outros mercados pela Europa
Além da Alemanha, onde os Mercados de Natal são famosos e sempre concorridos, outros países europeus também seguem a mesma tradição. Já fui a alguns e todos são fantásticos.
Áustria
Em Viena, o principal mercado acontece na Rathausplatz, a praça em frente à prefeitura. Entre árvores enfeitadas e iluminadas e uma pista de patinação no gelo, barracas vendem as delícias de Natal.

Por lá, fazem sucesso o bolinho de massa cozido, macarrão feito com batata, salsicha no pão (Bratwurst) e batata salteada. De doce, não pode faltar o tradicional apfelstrudel, a conhecida torta de maçã. Para beber, as mesmas bebidas da Alemanha, e o destaque é sempre o vinho quente.
Hungria
Em Budapeste, um dos mercados mais bonitos acontece na praça em frente à Basílica de Santo Estêvão. Uma pista de patinação no gelo e espetáculos de luzes 3D projetadas na fachada da igreja encantam o público.
Quanto à alimentação, achei muito diferente, pois não são apenas lanches ou pequenas porções, mas sim pratos de comida, com vários acompanhamentos. É uma refeição completa.
Tem salsicha, frango com páprica, schnitzel, goulash e infinitos acompanhamentos como purê de batata, chucrute, batata frita. De doce, faz sucesso o apfelstrudel, além de outros tradicionais húngaros.

Adorei os mercados da cidade, mas, para ser sincera, me assustei com os preços. Encontrei tudo mais caro do que na Alemanha (inclusive o vinho quente) e, às vezes, o preço é equivalente ou até mais caro do que um jantar em restaurante típico na cidade de Hamburgo, por exemplo.
França
Outro país que mantém o costume de Mercado de Natal é a França. Já conheci os de Paris e de algumas cidades do interior e, no ano passado, 2024, estive na região da Alsácia, que faz fronteira com a Alemanha. Com centenas de anos de tradição, os mercados de Estrasburgo e Colmar são realmente imperdíveis e fazem jus à fama. Por isso mesmo, são completamente lotados.
Repletos de luzes e decoração natalina, os estandes vendem delícias típicas. Crepe de vários sabores, raclete e, claro, não poderia faltar o flammkuchen, uma espécie de pizza com massa bem fininha, tradicional desta região francesa. E muito vinho quente.

Estrasburgo tem um mercado grande e muito popular, principalmente entre os europeus, atraindo cerca de 2 milhões de visitantes por ano. Um deles acontece na praça em frente à catedral gótica.
Na vizinha Colmar, os mercados são montados em vários pontos do centro histórico. A cidade, que já é deslumbrante o ano inteiro, com sua arquitetura medieval e casas de enxaimel, na época do Natal é um espetáculo à parte. Luzes coloridas em prédios históricos fazem brilhar os olhos dos turistas.
Devolver ou colecionar canecas?
Em todos estes lugares o costume é o mesmo da Alemanha: pagar pelo uso da caneca ou copo de bebida. O pfand, nome em alemão para depósito ou garantia, faz parte do dia a dia na Alemanha com garrafas pet ou de vidro.
Já nos Mercados de Natal compra-se a bebida e paga-se junto um valor pelo uso da caneca, por volta de 3 euros, dependendo do mercado.

Quem quiser ficar com a caneca de lembrança, já está pago, mas, se não quiser, basta devolvê-la no mesmo estande e receberá o dinheiro do depósito de volta. A cada ano e em cada mercado, há modelos e cores diferentes. Tenho algumas canecas e são muito bonitas: de cerâmica, decoradas e com o nome da cidade.
Artesanato natalino
Muito além de comida e bebida, os mercados de Natal são repletos de estandes de artesanato. Velas de todas as cores e formatos, castiçais, bonecos quebra-nozes, bolas de árvore de Natal, artigos esculpidos em madeira, produtos de decoração alusivos à data, acessórios para suportar o frio como meias grossas, gorros, cachecóis, enfim, uma infinidade de itens.
Nem preciso dizer que é necessário preparar o bolso, pois tudo é feito à mão e, portanto, os preços não são muito amigáveis.
Tradição natalina secular
Os Mercados de Natal são mais comuns e acontecem principalmente nos países do norte e do centro da Europa, especialmente Alemanha, Áustria, Suíça, França, Hungria, República Tcheca, Bélgica e Polônia.
A tradição surgiu na época medieval, quando aconteciam feiras de rua antes do Natal para que as pessoas adquirissem alimentos e suprimentos para o rigoroso inverno. Até então, eram chamados de Mercados de Inverno.
Ao longo do tempo, passaram a oferecer não só comida, mas produtos artesanais e decorações. E começaram a se espalhar pela Europa.
Um dos precursores é o mercado de Viena, na Áustria, de 1294. O de Munique, tem registro de 1310 e o de Frankfurt, de 1393, ambos na Alemanha.
Na Alemanha, os mais famosos Weihnachtsmärkte (Mercados de Natal em alemão) são principalmente o de Dresden (Striezelmarkt), iniciado em 1434, e o de Nuremberg, conhecido como Christkindlesmarkt, com origem em 1628.
Estrasburgo, na França, é considerada a Capital do Natal e seu mercado existe desde 1570.
Tradição e magia se unem nestes eventos de fim de ano, criando momentos de alegria e aconchego. Não é à toa que os Mercados de Natal na Europa atraem anualmente milhões de visitantes em busca deste encanto.
E você, já conhece algum Mercado de Natal?