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Carolina Sanches Autor(a)

Memoriais da Segunda Guerra na Europa que me fizeram refletir

Conteúdo criado por humano
8 min de leitura
Autor 43518 Carolina Sanches

Se tem algo que sempre gostei na escola, eram as aulas de História. E alguns temas específicos me atraíram, seja nas aulas, seja em livros. A Segunda Guerra é um deles, que mantenho interesse ainda hoje, ao ponto de estudar, ler livros de relatos sobre o período e até viajar para conhecer e entender de perto o tema.

Auschwitz é um dos principais memoriais da Segunda Guerra na Europa

Visitar alguns destinos que estudei nos livros mexeu muito comigo, especialmente os memoriais da Segunda Guerra. Se você, assim como eu, gosta de estudar e aprofundar na história do período, separei alguns lugares que visitei envolvidos, direta ou indiretamente, no conflito, que também vão te interessar.

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Recordar e refletir

Segundo o Dicionário Michaelis, o termo memorial significa:

Monumento erigido em comemoração a pessoa ou coisa digna de ser lembrada.

A Segunda Guerra, mais que a primeira, estimulou a criação de algumas dezenas de memoriais, não só na Europa, mas em outros países que sofreram com o conflito. Esses locais recordam momentos duros da nossa existência como humanidade — onde beiramos a falta dela.

Um traço comum entre os locais para relembrar e refletir sobre a Segunda Guerra na Europa é que todos eles proporcionam uma reflexão sobre a história. Nos fazem parar e pensar que, há algumas décadas, milhões de pessoas foram mortas por ideologias que precisam ser combatidas até hoje.

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Berlim e seus memoriais

Um dos mais impactantes memorias em Berlim está bem próximo ao Portão de Brandemburgo, um dos principais símbolos da cidade. Menos de 10 minutos de caminhada separam esse símbolo local de um dos principais memoriais aos judeus mortos durante o Holocausto.

O Memorial do Holocausto, visualmente, causa um impacto devastador, são centenas de blocos de concreto que remetem a túmulos. De diferentes tamanhos e alturas, o enorme memorial causa desconforto de longe, mas ainda mais inquietude de perto. Me lembro de andar entre os blocos e sentir um vazio, um nó na garganta.

Memorial aos Judeus Mortos da Europa é um dos mais tocantes. Foto: Carolina Sanches

No subsolo está uma importante parte do memorial, que nem todos os viajantes visitam. Nesse ambiente, as vítimas são lembradas pelos seus nomes, a partir do levantamento do museu israelense Yad Vashem.

Mas este não é o único memorial de Berlim para relembrar as vítimas do regime nazista. No parque Tiergarten, está o Memorial aos Homossexuais Perseguidos pelo nazismo, que lembra as mais de 50 mil vítimas que sofreram com o regime.

No mesmo parque está o Memorial aos Sinti e Roma da Europa, assassinados sob o regime nazista. O memorial relembra as cerca de 500 mil vítimas da etnia cigana perseguidas e mortas no período.

Casa da Anne Frank

Quem não chorou e se viu no lugar de Anne Frank ao ler sua história relatada através do diário? Me lembro nitidamente dessa leitura, ainda na adolescência, e de pensar em como ela poderia ser uma amiga passando pela mesma situação.

O diário de Anne Frank é um livro marcante. Um relato em primeira pessoa de uma história trágica que aconteceu a tantas outras jovens no período. E visitar a Casa de Anne Frank em Amsterdam é tocante, é dar imagem a todos os relatos contados no livro, mas desta vez em um lugar real.

Essa é uma experiência tocante, confesso que relutei em fazer a visita, foi uma história muito marcante na minha adolescência, mas não poderia deixar de fazer. E vivenciar aquele espaço, conhecer ainda mais detalhes sobre a história é uma experiência única.

Se a leitura já se perdeu na sua memória, vale a pena reler o livro ou explorar a vizinhança a partir de uma visita guiada pelo bairro judeu que termina bem em frente à casa de Anne Frank.

Auschwitz e horror sem filtro

Visitar Auschwitz não é para quem tem estômago fraco, mas deveria ser obrigatório para todo mundo. A visita aos campos de concentração e extermínio de Auschwitz e Birkenau não é uma experiência fácil. Li muitos livros que se passavam nesse local, relatos de sobreviventes que compartilhavam um pouco do horror vivido no local.

Mas quando você pisa em Auschwitz, é ainda pior. No frio dos primeiros dias de inverno, com a temperatura não ultrapassando o 0 °C, eu jamais poderia imaginar como alguém conseguiria sobreviver ao frio, a fome e a todas as torturas infligidas em judeus e prisioneiros políticos.

Há momentos da visita difíceis de aguentar, inclusive, como comentou minha guia — Beata, que falava um português impecável e nos acompanhou no tour privado pelo campo — aquele não é um lugar para crianças. Ainda que não entendam, é uma visita pesada. E fica ainda mais pesada em alguns pontos, como no prédio da prisão ou nos prédios que guardam pertences dos prisioneiros. Esteja preparado para ver até que ponto o horror pode chegar.

Os galpões onde estão os pertences recolhidos dos prisioneiros em Auschwitz são muito tocantes. Foto: Carolina Sanches

Se em Auschwitz é difícil conceber que alguém tenha conseguido sobreviver, em Birkenau é ainda pior. Os alojamentos extremamente precários e degradantes nos quais os prisioneiros eram alocados são chocantes. Impossível imaginar como foi viver ali, mas só de ouvir os relatos e ver o que sobrou dá um frio na espinha.

Existem outros campos de concentração na Alemanha e na Polônia que permitem visitação e promovem a reflexão sobre o Holocausto. Auschwitz-Birkenau é referência por serem o maior campo de concentração do período, onde cerca de um milhão de judeus, presos políticos e outras minorias perderam a vida seja nas câmaras de extermínio ou nos campos de trabalho forçado.

Sapatos em Budapeste

O que poderia ser mais simbólico do que alguns sapatos deixados para trás à beira do Rio Danúbio? As esculturas em ferro fundido são um importante memorial na capital húngara, onde a população judia sofreu concentrada em gueto.

A simbologia do Memorial Sapatos às margens do Rio Danúbio é triste. Relembra as vítimas que antes de serem fuzilados à beira do rio, eram obrigadas a retirar os sapatos. Posteriormente, esses mesmos sapatos eram reaproveitados dada a escassez de produtos durante a Guerra.

Aliás, em Budapeste, fiz um tour muito interessante pelo bairro judeu, que conta um pouco da história da população local e seu sofrimento durante a Segunda Guerra Mundial. O tour a pé que percorre o antigo bairro judeu termina na Sinagoga, onde está o cemitério judeu e a Árvore da Vida, escultura que apresenta em cada folha o nome de um judeu assassinado no período.

Destruição em Varsóvia

Um dos mais lembrados locais de confinamento da população judia na Europa durante a Segunda Guerra, o gueto de Varsóvia, é bastante emblemático. O local foi o maior gueto que confinou judeus durante a Segunda Guerra e também foi um local de resistência.

Durante o conflito, a cidade foi quase completamente destruída pelos nazistas. Em 1943, os presos no gueto, cientes do destino de milhares de judeus que haviam sido deportados, deram início a uma revolta. O levante do gueto de Varsóvia é um dos mais emblemáticos movimentos de resistência. Ao final, o local foi completamente destruído com bombardeiros e fogo atados pelos nazistas em retaliação.

Pouco, ou quase nada, sobrou do local. Apenas alguns poucos marcos relembram o que um dia foi um local de confinamento. Tudo que se vê na região é resultado da reconstrução. O free tour pela Varsóvia judaica percorre o antigo gueto e apresenta vários pontos importantes do local.

O Gueto de Varsóvia foi um dos mais emblemáticos da guerra, atualmente há apenas alguns poucos pontos que remontam ao que foi o muro. Foto: Carolina Sanches

Inclusive, no antigo gueto é possível visitar o POLIN, museu que conta a história da população judia da Polônia, desde os primeiros anos de expansão da etnia pela Europa. Um dos museus mais imersivos que já visitei, ele apresenta um panorama histórico bastante detalhado.

Você pode começar desde os primórdios da história do povo judeu e sua migração para a Europa. Ou pode avançar na história para o período da guerra. O museu tem uma dinâmica bastante complexa, é um verdadeira labirinto que reconstrói muitos trechos do antigo Gueto, apresenta relatos e a história personificada de quem ali foi aprisionado durante o Holocausto.

A visita é intensa, então, vá preparado e com tempo para andar, ler documentos, assistir aos vários documentários disponíveis ao longo do percurso. A visita foi muito interessante, mas confesso que dado momento se tornou claustrofóbico, pelo labirinto sem fim.

Nuremberg, onde tudo terminou

A bela cidade de Nuremberg, no norte da Baviera, foi uma das que mais sofreu com a destruição dos bombardeios dos Aliados durante a Segunda Guerra. A cidade foi quase completamente destruída. Mas não foi ao acaso.

A Baviera, em especial Nuremberg, é considerada o berço do partido nazista alemão. Mas onde tudo começou foi simbolicamente onde tudo terminou. A visita ao Tribunal de Nuremberg, onde 24 membros do partido nazista foram julgados após a Guerra, é um importante marco da história.

A visita é longa, então vá com tempo. São milhares de registros sobre muitos dos julgamentos que ocorreram no local, com documentos históricos e registros. Vale também fazer o tour do Terceiro Reich, que conta os fatos ocorridos na cidade durante o regime.

Além dos registros dos julgamentos ocorridos no local, também há documentos sobre outros julgamentos, entre eles um dos mais famosos, contado no livro da renomada escritora judia Hannah Arendt, Eichmann em Jerusalém. Lembro que esta foi uma leitura que me marcou muito, com um importante olhar sobre os julgamentos.

Existem, ainda, outros locais pela Europa que são memoriais da Segunda Guerra, assim como locais marcantes sobre o período. Trouxe apenas um fragmento dos lugares que percorri e me tocaram de alguma forma.

Lembrando que todos esses memoriais são importantes para relembrar as atrocidades do período e promovem uma imersão na história. Portanto, se tiver a oportunidade, os tours guiados nesses locais ajudam a entender melhor a história e refletir a partir da perspectiva de quem vivenciou a história.

Autores

Carolina Sanches
Carolina é mineira e uma completa apaixonada por viajar. Ama organizar roteiros de viagens, escolher cada cidade por onde vai passar e programar nos mínimos detalhes. Compartilha um pouco das experiências de viagem no @ourvieworld. Está sempre pesquisando passagens e roteiros para definir a próxima viagem. Conhece 33 países, dos mais populares, como Espanha e Portugal, aos destinos ainda pouco explorados, como Albânia e Bósnia. Tem como meta chegar aos 40 países antes dos 40 anos.

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