A Europa é muito mais do que uma viagem de lazer. É um mergulho na história da humanidade. Por mais moderna que alguma cidade seja, sempre haverá resquício de algo histórico. E esse é o grande diferencial do continente.
Era uma vez...
O que tem de especial em uma cidade da Idade Média?
De volta ao passado
A magia dos castelos
Festas medievais
Para quem quer conhecer mais sobre a riqueza cultural e histórica, os destinos medievais na Europa permitem uma imersão no passado. Essa é a hora de colocarmos em prática o que estudamos na escola, vivenciando o que vimos nos livros. E acho gratificante poder acumular cada vez mais conhecimento por meio de uma viagem.
Mas por que os destinos medievais encantam tanto os brasileiros? A resposta é simples: somos de um país novo, de um continente relativamente recente e não temos tantos anos de história assim como a Europa.
Para nós, castelos, muralhas medievais, fortificações, igrejas que dominam a paisagem e pontes construídas com pedras fazem parte do imaginário e não do dia a dia.
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Muito além de paisagens naturais, a Europa tem história. Muita história. Afinal, foi no continente que surgiram as primeiras civilizações, como a minoica e micênica.
Tempos depois, na Antiguidade, veio o período da Grécia Antiga e, com ela, a democracia, filosofia, política, matemática, medicina, arquitetura e jogos olímpicos. Em seguida, a dominação do Império Romano e, como herança, a arquitetura, engenharia, o direito civil, o latim e muito mais.
Período que vai entre os anos 476 d.C. e 1453 d.C. (séculos V a XV), a Idade Média, que sucedeu a queda do Império Romano, foi um momento de grandes transformações e deixou seu legado tanto na vida cotidiana como na arquitetura das cidades.
Com uma trajetória de milhares de anos, não é à toa que a Europa é conhecida como Velho Continente. O tempo passou, veio a modernidade, mas o continente não perdeu seus traços do passado.
Nem mesmo as duas guerras mundiais, que devastaram regiões inteiras, foram capazes de findar o continente. Com intensas campanhas de reconstrução que aconteceram após as batalhas, muitas cidades foram reerguidas, mantendo fielmente o estilo original. O resultado podemos ver — e admirar — até hoje.
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Sejam cidades maiores ou vilarejos, visitar destinos medievais é uma experiência única. Passear por ruas estreitas com chão de paralelepípedo, cercadas por casas ou prédios baixos de arquitetura característica é como fazer uma viagem no tempo.
Você está andando e, de repente, depara-se com uma praça pitoresca com casinhas típicas e uma imensa igreja. Por vezes, do estilo românico, de pedra e com estreitas janelas, ou gótico, com esculturas na parte externa e, por dentro, vitrais coloridos e uma estrutura de arcos no teto. Não é um sonho, faz parte do cenário.
Serpenteadas por rios, as cidades medievais têm ainda belas pontes de pedra em formato de arco. E uma arquitetura de casas que varia conforme a região.
Também é normal encontrar muralhas medievais, portões de pedra (antigas entradas da cidade), fortificações e castelos.
De volta ao passado
Um dos meus destinos de viagem prediletos são as cidades medievais. E a Europa é o lugar certo para este tipo de turismo. Muito bem preservadas, inúmeras delas são Patrimônio Mundial da Unesco.
Já estive em várias e estou sempre em busca da próxima. Uma das que mais gosto é Bruges, na Bélgica, uma perfeição medieval, mas nas proximidades também tem Ghent e seu castelo.
Perto de Paris tem Provins, pequena cidade no interior, com portão da Idade Média, muralha e torre de defesa. Foi um destino inesquecível, pois lá participei de um autêntico banquete medieval, vestida como as mulheres da época. Uma verdadeira viagem no tempo!

Outro lugar que fiquei apaixonada foi Carcassone, também na França, uma das cidades medievais mais bem preservadas da Europa. Avignon é igualmente linda e ainda hoje mantém intacto o Palácio dos Papas, sede do papado durante o período medieval.
Na Espanha, entre outros destinos, estive em Toledo, cidade medieval fortificada e conhecida como “cidade das espadas”, por causa da produção de espadas e armaduras no período.
Tem ainda Óbidos, em Portugal, pequena e aconchegante; Dubrovnik, na Croácia, com sua imponente muralha à beira do mar Mediterrâneo e Granada, no sul da Espanha, onde está a Alhambra, maravilhoso complexo de palácio e fortaleza.
Na Itália, entre tantas, há Siena e Bolonha, sendo que a Universidade de Bolonha, de 1088, é a mais antiga do mundo que continua em funcionamento. Outra pérola é Praga, com o complexo de castelos e sua icônica Ponte Carlos, arqueada e feita com pedras, que atravessa o rio Moldava.
A Alemanha é outro país com uma infinidade de cidades medievais. Talvez uma das mais conhecidas seja Rothenburg ob der Tauber, no sul, que virou uma espécie de cartão-postal quando se fala em cidade medieval alemã por ser uma das mais antigas. Mas há muitas outras.

No norte, uma cidade adorável é Lüneburg, com ruas de paralelepípedos e um centro histórico completamente preservado, parece saída de um conto de fadas. Principalmente aos sábados, moradores e turistas aproveitam lojas, restaurantes e cafeterias que ocupam casas medievais.
Na mesma região, Celle é famosa pelo seu conjunto de mais de 400 casas de enxaimel, estilo de arquitetura que une madeira com vigas. Por sinal, estas construções também podem ser encontradas em cidades francesas como Estrasburgo, Colmar e Riquewirh, situadas na região da Alsácia, fronteira com a Alemanha.
Estas são só algumas das que eu já conheci na Europa. Em comum, têm a beleza e preservação, já que parecem cenário de filme.
A magia dos castelos
Quer visitar castelos? Vá para a Europa. Embora nem todo castelo seja da Idade Média, esse é um programa que atrai quase muitos viajantes. Na Alemanha, há muitos deles, embora o mais famoso (que não é medieval) seja o Neuschwanstein, pois serviu de inspiração para o castelo da Bela Adormecida, da Disney.
Há ainda vários outros: Heidelberg, que está em ruínas, é belíssimo. Outro exemplar medieval é o Eltz, que pertence à mesma família desde a época de sua construção. Hohenzollern e Cochem têm origem medieval, mas foram reconstruídos. Cochem, aliás, é fantástico! Fica no alto de uma colina, às margens do rio Mosela. Fiquei apaixonada!

Muitos países europeus mantêm seus castelos medievais. A França é um exemplo. Nas proximidades de Paris, há alguns no Vale do Loire, como Chinon, Loches e Langeais. Outros como Château de Blois e d’Amboise têm origem medieval, mas foram reconstruídos com estilo mais moderno.
A cada visita a um castelo, não consigo deixar de imaginar como era a rotina de quem viveu ali: os costumes e o cotidiano em um lugar gigantesco, cercado por grossas paredes de pedra. Já conheci vários, em diferentes países, e me fascina descobrir mais sobre a história, a arquitetura e as famílias que os habitaram ao longo dos séculos.
Além de servirem como residência da nobreza, os castelos medievais também eram centros de poder militar e político, desta forma eram protegidos por fortificações que ainda hoje exibem armas como canhões ou catapultas. Já experimentou olhar pelas aberturas verticais das muralhas que serviam para tirar flechas e lanças? É a visão que se tinha dos inimigos na Idade Média.
Festas medievais
Muitas regiões europeias mantêm suas tradições e promovem festas medievais. Na Alemanha, por exemplo, há um calendário anual, com festas em pequenas cidades do interior.
Com música ao vivo, dança, trajes da época, torneios de cavaleiros, comidas e bebidas, os festivais reúnem, ao ar livre, moradores e turistas. Além das apresentações, há feiras com barracas que vendem artesanato e objetos inspirados no período da Idade Média.
Já fui em algumas e adorei a experiência. É um programa diferente, em que a gente pode, de uma forma divertida, se sentir como se fizesse parte deste momento da história.
E você, tem curiosidade de conhecer uma festa medieval?