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Autor 45194

Larissa Wittig Autor(a)

Viajar com cachorro na Europa: doces memórias

Conteúdo criado por humano
10 min de leitura
Autor 45194 Larissa Wittig

Era uma linda sexta-feira de verão, no Lago de Garda, na Itália e o início da nossa primeira experiência de viajar com cachorro na Europa. Eu e meu marido, cansados depois de uma viagem de carro para chegar lá e muita caminhada pela cidade, tentávamos descansar no nosso quarto de hotel, já tarde da noite. Porém, nosso beagle, chamado Oscar, tinha outros planos e eles não eram nada bons.

Beagle de perfil olhando com curiosidade a paisagem marítima em Sagres e uma das nossas melhores lembranças de viagem com cachorro na Europa

Agosto na Europa significa encarar cidades turísticas lotadas e outros hóspedes estavam se deslocando pelas escadas do hotel o tempo todo. Pois bem, o Oscar, não gostou disso e começou a se achar o dono do prédio.

Toda vez que alguém passava perto da nossa porta, ele tentava correr para lá e latir. Foi uma noite em que dormimos pouco e já um mini treino para a futura privação de sono da maternidade.

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A chegada na Itália

Na noite em que chegamos, caminhamos bastante pelo centro histórico e pelas margens do lago em Bardolino, a cidade onde nos hospedamos. Praticamente todos os restaurantes permitiam cachorros, se sentássemos na área externa, o que era de qualquer forma bem mais agradável no verão.

Assim, conseguimos comer alguns deliciosos pratos típicos italianos e desfrutar um maravilhoso vinho local, sentindo o vento das montanhas que circundam um dos lagos mais bonitos da Europa, com o Oscar deitado nos meus pés.

Também foi uma noite em que tivemos que interagir bastante, em português ou espanhol, já que não falamos italiano porque sempre vinha outro cachorro brincar.

O maior desafio era explicar para crianças que se aproximavam que tinham que tomar um pouco de cuidado com ele porque, apesar de ser no geral dócil, ele não era muito paciente com os pequenos. Estávamos achando bem divertido e diferente de outras vezes que fizemos roteiros pela Itália apenas nós dois.

Quando você viaja com crianças ou com cachorros, inevitavelmente, vai interagir mais com os moradores locais e com outros turistas e isso, de certa forma, torna a experiência mais humana e relaxada.

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Escolha de hotel e passeios em viagem com cachorro na Europa

Vimos esse hotel online, mas ligamos para confirmar que cachorros realmente eram aceitos. Eles cobravam uma taxa extra para acomodar os bichinhos, mas permitiam.

A questão é que animais não eram permitidos no salão onde era servido o café da manhã, então, no dia seguinte, tivemos que nos revezar para comer e depois fomos dar uma volta pelos arredores para ele fazer suas necessidades.

Pesquisamos e encontramos uma praia no lago especialmente para cachorros, em Peschiera del Garda e lá fomos nós. E essa foi a melhor ideia que podíamos ter.

Mulher com seu beagle na praia do Lago de Garda durante uma viagem com cachorro na Europa
A praia para cachorros Braccobaldo em Peschiera del Garda é uma opção confortável e segura para passar o dia. Foto: Larissa Wittig

Pagamos pelas espreguiçadeiras e guarda-sóis, mas foi um preço bem razoável e o lugar era tranquilo para nadar. Surpreendentemente, apesar de ter muitos cachorros e de todos os tipos e tamanhos, todos se portavam bem.

Havia um mercadinho ao lado, onde compramos bebidas e comidas para um piquenique e assim ficamos por horas, indo algumas vezes nadar para nos refrescar.

O Oscar não era grande fã de água, mas nem ele conseguiu resistir. Não são todos os locais no lago que permitem que cães entrem na água, então uma praia específica ajuda muito.

O fim de semana  no Lago de Garda estava indo muito bem para o Oscar e, depois da praia, decidimos passar em um pet shop perto do hotel para comprar algum petisco diferente para ele, no entanto, a visita saiu um pouco diferente do planejado.

De trás de um monte de sacos de ração, pulou um gato raivoso e o atacou até colocar o pobre cachorro e meu marido para fora da loja. Ele acabou voltando para o hotel um pouco traumatizado e sem comida nova, mas pronto para mais uma noite trabalhando como segurança do lugar.

Muitas pessoas optam por viagem com cachorro na Europa

Todos os países que já visitei no velho continente são bastante flexíveis com relação aos lugares que os bichos de estimação podem frequentar e muita gente realmente os leva, até porque não tem com quem deixá-los quando saem de férias.

Alternativas como petsitters ou hotéis para animais podem ter custos muito elevados, especialmente se for por muitos dias, e vários tutores também não gostam de se separar do animal por tempo prolongado para evitar ansiedade do bichinho.

Temos a sorte de ter a família do meu marido por perto, que cuidou dele muitas vezes, mas também gostávamos de levá-lo. Acho que o estilo de vida com muitos parques e locais ao ar livre para caminhar também ajudam bastante em uma viagem com cachorro na Europa.

Viagens de carro com o Oscar sempre foram muito tranquilas. Ele ia na gaiola apropriada para carros e fazíamos algumas paradas para ele dar uma volta, fazer suas necessidades e beber água.

Foi assim que fizemos também muitos bate e voltas na Alemanha e na Áustria e passamos os dois primeiros anos aqui explorando de forma leve e bem flexível, antes de ter filhos.

Viajar com cachorro nesses dois países é uma experiência muito boa porque eles são aceitos no transporte público da maioria das cidades e em muitos hotéis e restaurantes, mesmo na parte interna.

No geral, as pessoas são bem receptivas, mas, claro, é esperado que o cão se porte bem e que você deixe tudo limpo. O Oscar nem sempre se comportava bem, mas ao menos deixávamos tudo bem limpinho.

Voos intercontinentais com animais

O nosso peludo não viajou apenas de carro, mas também de avião. Seu primeiro voo foi intercontinental, já que ele foi de São Paulo para Frankfurt para nos encontrar aqui na Alemanha.

Infelizmente, ele não conseguiu vir imediatamente com a gente quando nos mudamos porque o processo para trazer cachorro para a Europa atrasou, pois não havia laboratório no Brasil, na época, para fazer os exames solicitados e a amostra de sangue precisou ser testada na Inglaterra.

Por isso, o ideal ao planejar uma viagem com cachorro para a Europa é começar com pelo menos cinco meses de antecedência para realizar todos os procedimentos exigidos.

Cachorro de perfil contemplando a paisagem montanhosa da Baviera, parte das memórias de viagem com cachorro na Europa
Oscar amava explorar novos lugares com a gente, seja lago, praia, montanha ou cidade. Foto: Larissa Wittig

Ele passou dois meses com os meus pais em São Paulo enquanto aguardávamos o processo ser concluído e aí todos os trâmites foram feitos com uma empresa especializada e ele voou sozinho para a Europa.

Eu quase morri de ansiedade aguardando o meu bebê chegar em Frankfurt, mas deu tudo certo e ele apareceu distribuindo lambidas e sacudindo suas orelhas enormes.

Viagem aérea com cachorro na Europa

O segundo voo do Oscar foi alguns anos depois e bem mais curto, de Munique até o Faro, em Portugal e ele viajou no mesmo avião que o meu marido e sem a necessidade de grandes procedimentos burocráticos.

Depois que o animal já tem o passaporte pet, que fizemos na primeira consulta dele com a veterinária alemã, é muito fácil se deslocar internamente no espaço Schengen.

Ele foi para lá com a gente porque íamos passar a licença paternidade do meu marido em Lagos, na região do Algarve. Era inverno na Europa, então aproveitamos a oportunidade para fugir do frio alemão e alugamos uma casa em Portugal, próxima à praia.

Fui duas semanas antes com nosso primeiro filho, que estava com cinco meses, e a minha mãe.

Estadia no Algarve

O Oscar, que não era nada bobo, adorou trocar sua vida de cachorro interiorano em um vilarejo na Baviera pela de cão praiano em uma cidade vibrante, onde podia desfrutar do vento salgado no seu focinho.

Ele se adaptou ainda mais rápido do que nós e “fez amizades” com cachorros locais, do bairro onde estávamos hospedados. Todo dia caminhávamos muito com ele e nosso filho pelas trilhas com aquelas paisagens lindíssimas de rochas no mar ou próximo a praia, em tardes que demoravam a passar e que até hoje parecem para mim que aconteceram em um sonho.

Na verdade, ele ia com a gente para todo lugar, se saíssemos todos, já que meu marido tinha medo de deixá-lo sozinho porque ele poderia danificar algo na casa alugada.

Na região do Algarve, de forma geral, os cães eram bem aceitos e muitos estrangeiros também viajavam com eles, então não tivemos nenhum problema ao sentar na parte externa dos restaurantes e cafés e caminhar nas praias.

beagle deitado em cadeira de praia
No verão algumas praias proíbem a entrada de cães, por isso, verifique antes de se planejar. Foto: Larissa Wittig

No verão, muitas praias concessionadas não permitem o acesso de cachorros. E embora isso possa ser um pouco desafiador, por outro lado, é uma oportunidade de talvez explorar lugares menos óbvios.

Com o Oscar, acabamos andando tanto por Lagos que descobrimos locais que com certeza nunca teríamos visto se não fosse uma viagem com cachorro na Europa.

Duas coisas foram diferentes em Portugal quando comparamos com as nossa experiências na Itália, Alemanha e Áustria (claro que estou falando de regiões específicas de cada um desses países).

A primeira é que há cachorros vivendo na rua, então além de ser uma situação triste, ainda houve o problema que frequentemente eles se aproximavam do Oscar em Lagos e alguns eram um pouco agressivos. A segunda é que, apesar de ter uma lei para isso, infelizmente, muitas pessoas não coletam as fezes dos seus animais nas ruas.

A volta de Portugal para a Alemanha

Tudo foi bem lindo em Lagos até o momento de voltar para casa, daí começou o caos. Podem imaginar tudo o que tivemos que colocar no carro alugado, que iriamos devolver no aeroporto do Faro? Pois bem, o Oscar em sua gaiola grande para o avião, o bebê, que estava com 8 meses, carrinho de bebê e uma quantidade infinita de malas e coisas.

Passamos três meses lá, no inverno com um bebê pequeno e éramos pais de primeira viagem, que geralmente levam muito mais do que realmente vão necessitar.

E, para piorar, meu marido é o tipo de pessoa que não quer nunca deixar nada para trás, ele trouxe para a Alemanha, inclusive, a árvore de Natal de plástico que ele comprou em Lagos (e que obviamente nunca usamos aqui). Ainda penso como conseguimos operar esse milagre.

O Oscar teve que ser embarcado primeiro, então levamos ele na gaiola até o lugar onde recebiam os animais. Como ele tinha mais de 10 quilos, só podia viajar dessa forma.

De novo, senti um aperto no coração ao me despedir porque ouvi algumas histórias negativas sobre transporte de animais em avião e confesso que tinha medo.

Todos sobrevivemos as 3 horas de voo de alguma forma e quando desembarcamos em Munique eu precisava procurar um trocador para o meu filho, mas ao caminharmos um pouco pelo aeroporto ouvimos um latido alto e estridente, que conhecíamos muito bem.

A gaiola foi colocada na esteira, o que assustou o Oscar (fico imaginando por que acham que um cachorro vai se sentir bem com algo assim, né?) e aí apesar de tirarmos ele da gaiola e tentarmos de tudo para acalmar o bichinho, ele estava bem nervoso.

Foi uma tortura para nós e para os outros viajantes esperar pelas malas com ele latindo. A próxima parte desafiadora foi meu marido tentando caminhar com o carrinho levando todas as bagagens e eu com o cachorro agitado na coleira e ao mesmo tempo empurrando o carrinho de bebê, com meu filho bravo também. Para piorar, lá fora, até chegar no carro, neve caindo e uma boa quantidade no piso também.

Chegamos em casa precisando de novas férias e completamente acabados, mas valeu a pena por todas as memórias mágicas que temos desses meses que passamos juntos em Portugal.

Lembranças lindas de viajar com cachorro na Europa

Infelizmente, em maio de 2025, o Oscar também virou uma memória muito especial para nós e foi para o céu dos cachorrinhos. Porém, como disse a veterinária dele, as pegadas dos cachorros na areia somem, mas as pegadas deles nos nossos corações ficam para sempre.

Foram tantos momentos especiais que ele viveu com a gente: nosso casamento, mudança para a Alemanha, nascimento dos nossos dois filhos. Ele foi o meu grande companheiro enquanto eu tentava me adaptar em um país novo e uma realidade totalmente diferente.

cachorro no colo de homem em foto com mulher grávida
Oscar foi um companheiro nos momentos mais especiais da vida. Foto: Larissa Wittig

O Oscar se foi levando um pedaço do que fomos, mas deixando a certeza de um amor verdadeiro e uma vidinha bem aproveitada.

Fico grata que compartilhamos tantas coisas e que ele esteve ao nosso lado explorando um pouco do mundo, cheirando novos lugares e conhecendo amigos estrangeiros.

Por isso, digo que mesmo que uma viagem com cachorro na Europa exija adaptações e flexibilidade, é totalmente possível e garante uma perspectiva diferente, experiências novas e inesquecíveis.

Autores

Larissa Wittig
Larissa Wittig
Larissa é jornalista com mestrado em gerenciamento de comunicação e mídia. Em 2018, a paulistana deixou para trás a agitação da maior cidade brasileira para viver em um vilarejo na Baviera, no Sul da Alemanha. A paixão por explorar o mundo já a levou a 38 países, sendo 21 deles na Europa, além de temporadas de estudo na França e na Espanha. Agora tem amado revisitar seus lugares favoritos com seus dois meninos e seu marido e ter uma perspectiva nova ou conhecer destinos inéditos juntos. O seu objetivo é unir aqui sua formação em comunicação com seu amor por viagens para inspirar os leitores a realizarem seus sonhos.

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