A rodovia completamente parada com os carros desligados nos arredores de Salzburg, na Áustria, o calor começando a se intensificar e batendo um certo nervosismo ao pensar no que será que teria acontecido no início da nossa roadtrip com crianças na Europa. Assim começou nossa viagem.
Nem tudo sai como esperado em roadtrip com crianças na Europa
Por que fazer uma roadtrip com crianças na Europa?
Como planejei uma viagem de carro com crianças na Europa
Primeira parada: Liubliana
Segunda parada: Zadar
Chegamos ao destino!
No caminho de volta: Split e Zagreb
Valeu a pena fazer uma roadrip com crianças na Europa?
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Em meio ao congestionamento, logo as pessoas começaram a deixar os carros parecendo entediadas e meus filhos queriam sair também, e eu dizendo que só os adultos podiam até que crianças de outros veículos começaram a abrir as portas delas e eu não tive mais desculpas.
A família do carro da frente tirou uma bola do porta-malas e foram jogar vôlei em plena estrada.
Diria que não foi um começo muito animador e ficamos nessa situação por cerca de duas horas, já que uma pista fechada no túnel causou o grande transtorno. Uma viagem, especialmente de carro, é assim sujeita a diversos imprevistos, por mais que planejemos tudo nos mínimos detalhes.
Mas a boa notícia é que meus meninos não se abalaram muito, pelo contrário, se divertiram e essa é provavelmente a mágica de ter crianças na sua vida e nas suas viagens, tudo ganha uma perspectiva e um olhar diferente.
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Explorar destinos diferentes com filhos pequenos pode parecer uma missão difícil, especialmente se for uma longa viagem de carro, já que eles não são especialmente dotados de paciência.
Já passei por alguns perrengues anteriormente porque meus dois meninos não gostavam de se sentar nas cadeirinhas para transporte. Mas, apaixonada que sou por conhecer o mundo, continuei tentando.
Para mim, viajar com crianças é uma oportunidade incrível de se conectar como família e quebrar um pouco a rotina, de compartilhar experiências (sejam elas positivas ou alguns desafios que surgem no caminho) e especialmente de criar memórias que durarão a vida toda.
Além disso, os pequenos aprendem muito ao ver lugares e pessoas diferentes, novas comidas e cheiros, línguas estrangeiras e eu acredito que isso estimula o desenvolvimento e vai ajudá-los a se tornarem adultos mais curiosos, flexíveis e tolerantes. Bem, eu também aprendo infinitamente a cada viagem com eles.
E trago boas notícias: a cada experiência fica mais fácil e se você tiver paciência para ouvir por horas e horas as mesmas histórias tocando em audiolivros ou para responder mil vezes se já estamos chegando, vai dar tudo certo! Diria que é uma boa situação para todos da família desenvolverem sua paciência.
Como planejei uma viagem de carro com crianças na Europa
Depois de tanto discursar para convencer os leitores a explorarem o mundo com seus pequenos, acho que está na hora de voltar a nossa última roadtrip, no começo do verão europeu. Digamos que elaborei um plano audacioso.
Iriamos do interior da Baviera, na Alemanha (onde moramos) até a ilha de Hvar, na Croácia, em um percurso de cerca de 1500 km, passando por Alemanha, Áustria, Eslovênia e Croácia, e incluindo ainda uma travessia de balsa de Split para a ilha.
Eu seria a única motorista, mas meus pais também viajariam com a gente e faríamos algumas paradas no caminho de ida e de volta. Bom, muitos amigos por aqui e a família do meu marido disseram que eu era muito corajosa (e eu não tenho certeza se esse tipo de comentário me motivava ou me assustava).
Os meus meninos, que têm 5 e 3 anos, amaram a ideia e não viam a hora de começar a aventura. Mas claro que uma viagem assim precisa de um bom planejamento, então começamos meses antes definindo o itinerário e tentando não ter trechos muito longos de estrada em um mesmo dia.
No caminho de ida, nossas paradas foram planejadas para Liubliana, na Eslovênia e Zadar, na Croácia, e na volta em Split e Zagreb.

Reservamos todas as acomodações, quase sempre optando por apartamentos de temporada porque acho mais fácil com crianças pequenas por garantir mais espaço e flexibilidade, e compramos também com antecedência os tickets para a balsa.
Poucos dias antes de partirmos, adquirimos pela internet os Vignettes da Áustria e da Eslovênia, que são uma cobrança eletrônica de pedágio, e pagamos a taxa para o túnel Karawanken, que separa os dois países.
Carro limpo, abastecido e equipado com os itens de segurança obrigatórios; malas prontas e acomodadas no veículo; lanches variados e bebidas em uma coolbox; muitos livros e também uma boa quantidade de músicas e audiolivros baixados, além de autorizações de viagens para menores assinadas pelo meu marido, já que elas viajariam apenas com um dos pais.
Ufa, depois de ver o meu checklist, parece que estávamos prontos para partir! Como em Liubliana e Zadar passaríamos apenas uma noite, procuramos fazer as malas de uma forma que não precisássemos descarregar o carro todo ao chegar na nossa acomodação.
Por ser uma viagem no verão, não foi preciso levar tantas roupas, porém, bichos de pelúcia, brinquedos para a praia e guarda-sol encheram o carro. Mas o mais legal de tudo para mim é a redescoberta da Europa pelo olhar dos meus filhos.
Primeira parada: Liubliana
Não chegamos muito longe, já que cerca de duas horas depois de começarmos a nossa viagem paramos naquele congestionamento mencionado. Confesso que nesse ponto já estava ansiosa, pensando que levaríamos uma semana para chegar em Hvar, mas em algum momento finalmente pudemos seguir nosso caminho.
Foram mais algumas horas até que chegamos a Liubliana no final da tarde e uma brisa fresca nos recebeu, a tempo de deixar nossas coisas na acomodação e ir passear um pouco pelo centro, ver a famosa Ponte do Dragão e o castelo à distância.
A cidade era vibrante com muita gente saindo do trabalho ou indo tomar um drink com os amigos. Paramos em um restaurante na beira do rio para jantar, mas aí foi o momento que a felicidade do meu filho de 5 anos acabou e o cansaço bateu forte!
Voltei com ele para a acomodação depois de comermos e o mais novo ainda cheio de vontade de conhecer a Eslovênia foi tomar sorvete com meus pais.
Segunda parada: Zadar
Mais algumas horas de estrada e novamente congestionamento por obras, mas no meio da tarde chegamos ao nosso primeiro destino croata.
Mal podíamos esperar para ir à praia e assim fizemos. Ficamos lá por um tempo e os meninos se divertiram brincando com as pedrinhas, ao invés da tradicional areia.
Fomos ainda ver o famoso pôr do sol, que é tido como um dos mais bonitos do mundo com o sol aparentemente “derretendo” sobre o mar Adriático e se despedindo devagar e ouvir o órgão do mar (instalação musical que produz sons de acordo com as ondas do mar), além de dar uma volta pelos arredores.

E então, adivinhem o que aconteceu depois de brincarem por um tempo em um parquinho local? O cansaço bateu novamente forte no meu filho mais velho (sim, o mais novo parece ser incansável).
Dessa vez voltamos para a acomodação e preparamos jantar, mas o mau humor do pequeno viajante era tanto que comeu pouco e já foi direto para a cama. Por sorte, esse padrão não se repetiu pelos próximos dias da nossa roadtrip com crianças na Europa.
Chegamos ao destino!
Na manhã seguinte, os dois pequenos aventureiros estavam animadíssimos com a perspectiva de andar de balsa (já tinham feito antes em Malta, mas eram muito pequenos para lembrar com detalhes) e assim seguimos para Split.
Eles acharam uma grande emoção (e eu também, confesso) entrar no porão da balsa dentro do carro e amaram sentar em mesinhas no restaurante perto da janela enquanto desfrutavam de um delicioso picolé.
Chegamos à ilha e fomos para uma parte que é bem tranquila e ótima para famílias, chamada Jelsa. Ali passamos uma semana bem pertinho da praia e indo todos os dias nadar com os peixinhos e comer melancia.

A água tinha uma visibilidade tão boa que eles conseguiram até pegar um camarão com a mão (mas devolveram o bichinho para o oceano, em seguida).
Exploramos também outras praias da ilha, o centro de Jelsa, que é compacto, ótimo para passear com os pequenos e bem bonito, e os campos de lavanda.
Dirigir ali envolveu um pouco de aventura, com estradas estreitas onde constantemente era necessário usar marcha ré para que o outro carro pudesse passar, penhascos e um túnel antigo e claustrofóbico, que quase matou minha mãe de medo.
No caminho de volta: Split e Zagreb
Meus filhos gostam muito de chegar em uma acomodação nova, decidir qual quarto irão dormir, explorar o que tem por ali e também fazer malas (desfazer odeiam, obviamente), então para deixar a partida de Jelsa menos triste disse que pegaríamos novamente aquela balsa divertida e teríamos uma nova casa por uma noite.
Em Split, já na nossa acomodação, fomos orientados a não ir para o centro de carro e sim de ônibus porque era muito difícil estacionar. Pensamos bem e chegamos a conclusão que só valeria a pena se pudéssemos passar o dia todo lá e não apenas duas horas.
Como no dia seguinte precisaríamos estar descansados, optamos por ir pela última vez a praia na Croácia (moramos longe do mar, não nos julguem). Ficou a desculpa para voltar à cidade e explorar com calma o centro.
Próxima e última parada era Zagreb e o sentimento de fim de férias já estava batendo. Como também chegamos no fim da tarde e os meninos encontraram na casa onde ficamos uma caixa lotada de brinquedos (parecia que tinham encontrado um tesouro milenar), deixei que brincassem um pouco enquanto bebíamos algo no jardim. E depois saímos para passear um pouco e jantar.
O último dia da viagem de Zagreb para casa foi sem dúvidas um longo dia! Dirigi quase 600 km, mas levou cerca de 12 horas porque, novamente nos arredores de Salzburg lá estava o congestionamento e passamos horas em meio a paisagens alpinas com montanhas e vaquinhas, mas dessa vez com o carro cheio de areia.

Além disso, anteriormente também tivemos que esperar um tempo na fila para pagar a taxa do túnel Karawanken (só é possível comprar pela internet se for para dirigir na direção Sul, ou seja, na ida).
Minha mãe teve que contar histórias de todos os membros da família (até os parentes mais distantes foram ressuscitados) para distraí-los e ouvimos ainda por um tempo que pareceu infinito a Patrulha Canina salvando o dia.
E eu não pude deixar de lembrar das roadtrips que fiz com meus pais quando era criança, nas mais longas fomos de São Paulo para o Nordeste e de São Paulo até o Uruguai. Trinta anos mais tarde, eu era a motorista e agora minha mãe estava sentada no banco de trás em países tão distantes tentando entreter os netos.
Sem dúvidas, essa parte de mantê-los ocupados no carro é uma das mais difíceis, especialmente porque eu não os deixo assistir desenhos no meu celular, apenas ouvir músicas e histórias.
Quando viajamos de avião, permito que assistam um pouco porque não é algo que fazemos todo o tempo e vão ver as outras pessoas assistindo e perguntar. Porém, não tenho a intenção de começar esse hábito ao viajar de carro, já que deslocamentos com automóveis fazemos todos os dias e roadtrips também são bem mais frequentes do que voos.
Então, eles têm que se distrair com brincadeiras, lanchinhos e histórias mesmo (e claro, também brigam um com o outro em boa parte do trajeto, como bons irmãos).
Leia também sobre a importância de viajar sozinha depois da maternidade.
Valeu a pena fazer uma roadrip com crianças na Europa?
Sim, e muito! Na verdade, já estamos nos preparando para as próximas viagens. Acabamos de comprar um camper porque assim poderemos explorar mais ainda as maravilhas da Europa e a segurança que viajar por aqui oferece. Amamos nossa casa, mas também adoramos estar na estrada e ver o mundo lá fora.
E, no fim das contas, filhos pequenos também significam muito trabalho em casa. Então dá para ter muito trabalho andando pela ponte do Dragão em Liubliana, ouvindo o órgão do mar em Zadar, flutuando no mar de Jelsa com uma boia gigante de tartaruga, tentando fazer amizade com crianças croatas em Split ou comendo pizza de polvo em Zagreb (sim, meu filho mais novo amou essa iguaria!)
Já há alguns anos que gosto do conceito de slow travel e de conhecer menos lugares e com calma, de poder sentar para tomar um café ou um vinho, de passear sem muitos destinos definidos e depois das crianças me converti mais ainda a esse estilo.
Fazemos pausas em parquinhos, para tomar sorvete, para ver um cachorro passando, para contar histórias… não adianta eu querer impor um ritmo que não é o deles, a verdade é que os pequenos viajantes não têm pressa e estão ali vivendo o momento, no próprio tempo.
Viajar com crianças pequenas não é sobre ver tudo, mas sim sobre sentir muita coisa. E não é sobre o destino, mas sim sobre o caminho e quem está com a gente nele.
Foi uma aventura com meus pais e meus filhos e que deu a todos nós memórias que vão muito além das crises de choro, das inúmeras paradas para ir ao banheiro ou do cansaço. E assim ficamos com a certeza de que as viagens não terminam quando chegamos em casa.