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Autor 77043

Denise Döbbeck Autor(a)

Cada transporte, uma viagem: como o meio muda a experiência

Conteúdo criado por humano
7 min de leitura
Autor 77043 Denise Döbbeck

Muito além do destino, o planejamento das férias requer pensar em diversos tópicos: hospedagem, transporte e toda a programação. E a escolha do meio de transporte é talvez um dos itens mais importantes de um roteiro, pois pode impactar diretamente em toda a viagem, afinal: cada transporte, uma viagem

Trem é um meio de transporte comum e muito utilizado na Europa

Escolher a melhor forma de se deslocar entre um destino e outro proporciona economia de tempo, de dinheiro, mais conforto e, muito mais do que isso, transforma a experiência de viagem. 

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Cada transporte, uma viagem?

Mas como saber quando optar por avião, trem, carro ou ônibus? Para isso, primeiro analiso o destino, ou os destinos. Para onde quero ir? É o primeiro passo. E, com isso, quanto tempo tenho disponível?

E outra questão a ser respondida: o que é importante para mim no deslocamento? 

  • Rapidez
  • Conforto
  • Vistas deslumbrantes
  • Liberdade de parar onde quiser 
  • Economia

Com base nas respostas, penso no transporte a ser utilizado. 

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Quando o avião é a escolha certa

O avião é perfeito para percorrer grandes distâncias em pouco tempo. Se a viagem for entre países ou cidades mais distantes, nada mais conveniente do que ir de avião e, em cerca de 2 a 3 horas — ou menos — já se chega ao destino. Dessa forma, dependendo do horário, já é possível aproveitar para passear no mesmo dia. 

Comparando com outro meio de transporte, o mesmo percurso, feito de trem, pode demorar muito mais e assim perde-se um dia de viagem só em deslocamento. 

Eu, que moro no norte da Alemanha, na maior parte das vezes escolho o avião para, pelo menos, chegar ao principal destino. Isso porque, exceto os países do norte da Europa, os outros são extremamente longe para ir por terra ou por trilho. Então, dependendo do meu destino, não tenho muita alternativa.

Avião parado em aeroporto em pessoas na pista
Avião é sinônimo de rapidez entre os destinos mais distantes. Foto: Denise Döbbeck

O lado negativo do avião? Não é muito confortável (ou quase nada) e tem a desvantagem da burocracia do aeroporto: chegar com pelo menos três horas de antecedência (voos internacionais) e fila para passar pelo scanner — embora o aeroporto da minha cidade tenha feito uma melhoria e é possível fazer agendamento de horário.

Mas se precisar despachar alguma mala, isso não é mais possível. E já peguei filas quilométricas para passar pelo scanner — em alta temporada — só porque estava com mala grande e tive que despachá-la no balcão do check-in. Um pesadelo!

Mas talvez o pior seja a questão do limite de bagagem, que incomoda bastante. Nunca viajo apenas com mochila, prefiro levar uma mala de rodinhas. Então, além de pagar por ela ainda é preciso prestar atenção no peso. Fora que também tem a quantidade de líquidos da nécessaire. 

Quando o trem é o cenário ideal

O percurso de trem é mais viável em curtas ou médias distâncias entre cidades ou países. Ou quando não há voo que faça a rota que a gente deseja. Ainda quando há disponibilidade de tempo para aproveitar uma viagem mais longa, sem pressa para chegar

Já fui para a Alsácia, região da França, fronteira com a Alemanha, de trem, em um final de ano. A viagem foi longa, por volta de 8 horas, com uma conexão na Suíça. Escolhi este transporte pois a logística era muito mais fácil do que chegar de avião.

E foi maravilhoso, uma pausa na burocracia dos aeroportos e no aperto do avião. É um momento para descansar, só olhando a paisagem, lendo um bom livro e até dormindo um pouco.  

Entre os roteiros que já experimentei de trem a partir do norte da Alemanha, foi para Praga e para várias cidades alemãs, incluindo o sul do país. No trajeto, a vista da janela encanta: são muitos castelos e grandes igrejas medievais que se avistam de longe.

No entanto, quando se fala em cenários, as viagens de trem pela Suíça são imbatíveis, principalmente pelo interior do país. Paisagem bucólica, casinhas de madeira incrustadas nas montanhas, seja com a natureza verde ou no inverno, com muita neve. Parece imagem de quebra-cabeça. 

Também já viajei de trem pela França, Holanda, Bélgica, Itália, Espanha. Já fui da Alemanha para a Dinamarca com esse transporte com minha família do Brasil, e ficamos surpresos quando o trem inteiro entrou em um ferry para cruzar o mar.

Viajar de trem é uma delícia, eu simplesmente amo. É muito confortável, ao contrário do avião, em que a gente fica como sardinha em lata. No trem, dá para levantar, caminhar, comprar algo no vagão-restaurante e voltar para o assento. As janelas são grandes o suficiente para ficar apenas admirando a paisagem e, em muitos percursos, a vista é digna de filme. 

Vista do interior de trem para outro parado em estação
Viajar de trem oferece uma experiência mais bucólica, acompanhar pela janela as cidades pelo caminho. Foto: Denise Döbbeck

Viajar de trem por cidades europeias muitas vezes significa ver vários castelos pelo caminho. É só olhar para o alto das montanhas e lá estão eles. Também há muito verde e, no inverno, quando tem neve na Europa, ah, aí sim a paisagem é mais deslumbrante ainda. 

Outra vantagem é que não é preciso se preocupar com a quantidade de líquidos e o peso da mala. Obviamente, temos que conseguir carregar a bagagem, já que as paradas entre as estações são rápidas e é preciso ser ágil. 

E tem mais: muitas vezes a estação de trem fica bem perto do centro, facilitando e muito o deslocamento na chegada e saída. Isso significa que, se a cidade é pequena, é possível ir caminhando até o hotel.

Porém, uma viagem de trem pode sair muito mais cara do que de avião. Então, a dica para economizar é sempre comprar passagens com antecedência.

E o problema deste meio de transporte é, principalmente, a questão do tempo. Isso no caso de longas distâncias e pouco tempo disponível. Nem sempre é viável “gastar” 8 horas de viagem em um deslocamento que, de avião, demoraria cerca de 1h30, por exemplo. 

Viajar de carro e a possibilidade de improvisar

Liberdade. Assim eu definiria como é viajar de carro pela Europa. Liberdade de fazer o próprio roteiro, de parar entre um destino e outro e descobrir novos lugares, nem que seja só para dar uma volta e nem descer do carro. Ou descer.

Liberdade também com horários, a flexibilidade de não se preocupar com hora marcada para sair ou chegar. Parar para comer quando estiver com fome e encontrar um lugar interessante.

O carro é útil em um roteiro sem pressa de chegar aos destinos, já que é possível desviar da rota traçada assim que avistar algo surpreendente. Em uma viagem de carro com meu marido pela região da Provence, na França, descobrimos pelo caminho uma ponte romana da antiguidade, construída no ano III. a.C. Paramos o carro e fomos ver de perto essa maravilha histórica.

Também entramos em muitos vilarejos da região, passando por ruas estreitíssimas e de mão única. E, estando na Provence, não ia perder a oportunidade de parar em vários campos de lavanda para admirar e fotografar. É bom lembrar que esse percurso não é possível fazer de trem ou ônibus, somente de carro. 

Na Alemanha, em viagens de carro, descobri lindos vilarejos medievais pelo caminho, entre uma cidade e outra. E ainda atravessei fronteiras, para passar o dia em cidades de outros países e voltar para a base alemã. 

Percurso em uma viagem de carro com rio ao fundo e estrada tranquila
Viagem de carro pela Provence: muitas descobertas pelo caminho. Foto: Denise Döbbeck

Mas, como sempre, há os pontos negativos. É preciso estar sempre atento, não somente ao percurso traçado pelo GPS como também às regras de trânsito do país. Ou seja, uma viagem mais longa pode cansar, principalmente o motorista.

Há ainda a preocupação de onde estacionar a cada parada e nos hotéis. Estacionamento na Europa é bem caro! E encontrar uma vaga na rua muitas vezes é quase como um milagre. 

Além disso, nas proximidades de cidades grandes pode haver muito trânsito e dentro delas, então, carro é desaconselhável e até se torna inconveniente. O motivo? Falta de lugar para estacionar, trânsito e legislação rigorosa. 

A escolha pelo ônibus e a economia

Para quem procura uma experiência econômica, viajar de ônibus é uma ótima opção. As passagens são bem mais acessíveis do que qualquer outro meio de transporte. Além disso, não tem problema com o peso da bagagem ou quantidade de líquidos, como no avião. 

Lembro-me que uma vez, logo que me mudei para cá, em umferiado,o fiz uma viagem da minha cidade até Nuremberg, no sul da Alemanha. Escolhi ir à noite pois imaginei que dormiria todo o percurso e chegaria no destino de manhã pronta para passear. 

Mas foi uma péssima ideia. Durante toda a noite o ônibus fez infinitas paradas, acendendo a luz interna e com o motorista anunciando o nome da cidade.

Conclusão: não consegui dormir nada e cheguei de manhã cansada e morrendo de sono.

Como era muito cedo, tudo ainda estava fechado. E também não dava para fazer o check-in no hotel e descansar no quarto. Apesar de tudoisso,o tive a sorte de o funcionário do hotel ser muito simpático e me deixar tomar café da manhã.

Depois dessa experiência ruim, viajei de ônibus poucas vezes, em trajetos bem curtos, de uma cidade para outra.  

Afinal, existe um meio de transporte melhor? 

Dito tudo isso, cada meio de transporte proporciona uma experiência diferente de viagem. Pode ser que nenhum seja melhor ou pior que o outro. São diferentes, para objetivos e propostas distintos. Desta forma, eu escolho o que melhor se encaixa com meu roteiro e meu objetivo do momento. 

E você, já pensou como o meio de transporte pode influenciar na sua viagem? 

Autores

Denise Döbbeck
Jornalista, com pós-graduação em marketing e apaixonada por viagens e fotografia, Denise está sempre à procura do próximo destino. Em 2017, trocou São Paulo por Hamburgo, na Alemanha, e enfrentou os desafios da vida de imigrante. Por meio do Instagram compartilha suas descobertas, andanças, fotos e as curiosidades do dia a dia no exterior.

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